Sexta-feira, 1o. de maio de 2026

Treino convencional e presencial das sextas-feiras, adaptado à convalescença. Sensação agradável de andar na esteira durante 10 minutos a 3kmh.

Exercícios sentados, alongamento discreto, pouco movimento, mas boa sensação de estar vivo e funcionando.

Às 10h ir ao apartamento 03 verificar as plantas, buscar a roupa de cama para lavar, espiar geral.

Em casa nesse feriado silencioso, conversa com os irmãos, almoço sossegado, cochilo à tarde.

Quinta-feira, 30 de abril

Dia de fazer compras, pela primeira vez desde dia 19. Fui normalmente, gastei 390 reais, tentei o novo cartão do Itaú, mas não funcionou. Ainda estava bloqueado, vou experimentar outro dia. Carreguei tudo com cuidado para não fazer esforço excessivo.

Às 14h30 o treinador veio e fizemos alguns exercícios respiratórios e movimentos de perna, lenta e cuidadosamente. Mesmo assim, fiquei exausto, com fôlego curto e sudorese aguda.

A medicação termnou, fico só com os de uso contínuo e a bombinha de asma.

Zazen adaptado, TV e leitura, sossego sem a família, que viajou para o sítio neste feriado prolongado.

Quarta-feira, 29

Atividades de hoje: dormir mal no sofá à noite para escapar da tosse sem fim de dona M.

Dentista às 11h, apenas conversar porque ele preferiu não exigir esforço meu pós- convalescença.

Remarcou para a próxima terça às 15h.

Fui e voltei de carro, dirigindo, sem dificuldade.

Sentindo-me mais confiante, às 3 da tarde fui ao barbeiro. Por 60 reais mais 10 de gorjeta, novos caminhos de rato após dois meses e meio.

Terça-feira, 28 de abril

Hoje é aniversário de 43 anos de meu filho Maurício, nascido às 11h25, de parto natural, na Maternidade Nossa Senhora de Fátima, na avenida Visconde de Guarapuava, Curitiba-PR.

Parabéns e vida longa e próspera a nosso mui amado filho, de quem sentimos muito orgulho por sua tenacidade no trabalho e sucesso na carreira acadêmica.

De domingo até agora, permaneço quieto em casa, tomando os remédios prescritos cuidadosamente, fazendo exercícios de fisioterapia e deixando a vida rolar.

Saúde

SAÚDE

A partir do dia 13 de abril já vinha notando uma queda discreta no ânimo diário, acompanhada de uma tosse discreta, com secreção.

Não dei importância porque, tradicionalmente, todo início de outono tenho essas crises.

E os dias foram passando, a secreção e o incômodo aumentando, a vontade de fazer os treinos diminuindo. Juntei o raciocínio à situação que estamos vivendo aqui em casa com a hospedagem de Cle e seus achaques.

Sim, dá trabalho cuidar dela, de todos os detalhes, em que cada vez mais desaprende e deixa perecer os próprios cuidados pessoais.

São pequenas ocorrências, já escatológicas, que será difícil descrever aqui.

Vou me limitar a dizer que está com dificuldade extrema de usar os utensílios domésticos, higienizar-se, participar de alguma conversa, entender o que se pede para fazer.

Na maior parte do tempo, permanece em silêncio, sentada no sofá olhando para o nada.

A paciência da irmã acaba logo, trata-a com aspereza, repete as ordens, insiste, critica, mas cuida da alimentação, dos remédios, de tudo.

Uma mistura explosiva. Não há certos nem errados, há uma convivência indesejada de ambas as partes.

O dia inteiro essa tensão, aliada às decisões que tomamos com relação à compra do outro apartamento – o quinto, já – que não se conclui por falta de algum documento desimportante dos vendedores.

Desde fevereiro essa negociação se arrasta, sem data definida para terminar.

De minha parte não causa muito incômodo, visto que o valor destinado à compra está separado e continua rendendo, e na real não precisamos de habitar esse imóvel ainda.

Tudo bem, feitas as explicações do ambiente aqui, volto ao meu processo de saúde ou perda dela.

Não sou só eu a tossir, a ter dor de cabeça, coriza e suas manifestações, mas também Mar estava pior que eu. No domingo, dia 19, fui à farmácia e trouxe-lhe xarope, descongestionantes, antigripais, pastilhas.

Passou mal à noite, sem poder dormir devido à gripe.

Segunda-feira cedo, dia 20, a filha esteve aqui e convenceu-a a ir ao hospital. Excelente decisão. Foram às 9h e retornaram às 14h, após consultas, exames, RX, medicação, almoço, farmácia.

Já eu, fiquei em casa de companhia para C, que não deve e nem pode ficar só.

Ela no sofá, quieta, como de costume, e eu na sala vendo TV e escrevendo minhas histórias.

Ao meio-dia, sentindo cansaço, resolvi ficar deitado enquanto esperava a volta de mãe e filha.

Comecei a sentir frio, a tremer sem controle. Medi a temperatura: 39,5oC,  ou seja, febre alta. Permaneci deitado, tremendo, suando.

Elas chegaram às duas da tarde e me encontraram nesse estado. Tomei um Lisador e continuei a dormir. E assim passaram as horas até o dia seguinte, 21, terça-feira, feriado.

A filha veio me ver e me levar ao hospital também.

Às 9h já tinha passado pela consulta e ia fazer uma tomografia do tórax, descartando a chance de COVID, mas suspeita de infecção urinária e confirmada infecção bacteriana nos pulmões.

Para encurtar a história, entre 9 e 1 da tarde, já estava internado na UTI, com diagnóstico de pneumonia.

E aí fiquei de terça à quinta-feira. À meia-noite foi transferido para o quarto, com alta médica no sábado à tarde.

Foram 5 dias tomando antibióticos, anti-inflamatórios, soro, uso de bombinha de asma, fisioterapia, exercícios com fonoaudiólogo, repouso, alimentação controlada.

Agora em casa, uma sequência de medicamentos e cuidados antes o retorno daqui a 1 mês para avaliação.

Minhas atividades diárias esportivas estão suspensas. Só me resta ler e fazer exercícios respiratórios, sem erguer peso ou fazer esforço físico.

Por que cheguei nessa condição extrema?

Vários fatores contribuindo: a começar pela idade, em condição de idoso, estresse continuado, passado de fumante (foram 40 anos de tabaco), além de 26 anos de trabalho em ambiente hostil, lidando com produtos químicos.

O abandono do vício do cigarro já há 23 anos ajudou, mas deixou marcas indeléveis no organismo, pequenos “gatilhos” que se aproveitam da baixa imunidade.

O hábito das atividades aeróbias em 30 anos de prática ajudou a fortalecer o músculo cardíaco e manter os pulmões funcionando bem, mas não deram 100% de imunidade.

E agora?

Agora é seguir em frente com o que sobrou de bom e de ruim. Espero viver muito ainda, nem que seja tomando remédios e com poucas atividades externas.

Vamos ver que bicho que dá.

Sábado, 26

Dormi pouco, dormi mal. Muitas entradas de enfermeira aqui, o tempo todo.

É do tratamento, é normal, está tudo certo. Mas ninguém dorme que preste num.lugar desses.

Foram uns dois ou três intervalos de hora ou hora e meia.

Às 6h já estava me movimentando aqui, com medições, remédios, banho, café, exercícios respiratórios.

Uma pausa para espiar o noticiário, responder o WhatsApp e checar os aplicativos.

Agora vou andar no corredor e esperar a filha me fazer companhia.

Conversa por vídeo com o filho e nora no RJ.

Novas medições, visita da médica de plantão.

Meio-dia : médico pneumologista assinou minha alta, com receitas, recomendações, retorno de consulta no próximo mês.

Última dose de antibiótico injetável, queimando meu braço e, finalmente, remover o acesso.

Almoço final com a filha. Em seguida, ela foi à farmácia.

14h30 – saída, finalmente, para casa.

15h – café sossegado, reencontro com a família, organizar medicação, a filha saiu para compras para nós, a vida volta ao normal.

22h – dormi em paz.

Sexta-feira, 25

Amanheci fora da UTI , já bem acomodado num excelente apartamento, livre dos penduricalhos que me prendiam ao leito.

Pude dormir bem, tomar banho sossegado, pois é “suite”, com telefone, TV, banheiro privativo, frigobar, cofre…

O médico apareceu cedo, auscultou, mediu, explicou e me liberou para alta amanhã.

Ainda apareceram a fisioterapeuta e enfermeiras com injeção, inalação, antibiótico, omeprazol, medições, remédios.

Mandaram andar no corredor, fazer alongamento e exercício respiratórios.

Almoço com a filha, conversas compridas, mensagens para amigos.

Pagar 4.200 reais para o dentista.

Passar a tarde entre almoço, cochilo, andar novamente, ler, antibióticos, remédios vários, jantar.

Quarta e quinta, 22 e 23

Escrevendo agora às 4 da manhã, pois estou acordado desde ontem. Sem sono, com esse monitor apitando a noite toda.

Levantei 4 vezes para urinar. Nesta última nem chamei o enfermeiro.

A ordem é chamar a cada vez e ele acompanhar na ida e na volta, desconectando os aparelhos e religando na volta.

Foi bem até trocar o turno. O primeiro muito exigente no cumprimento das regras.

Já o segundo, após a meia-noite, já me liberou para ir sozinho e não voltou para religar o monitor.

Agora me atacou a rinite alérgica, coriza braba e olho esquerdo lacrimejando, típico sinal de conjuntivite

Tô lascado. Só mijando e tomando água.

8h – começa a aparecer gente de todo lado.

Primeiro uns manés serrando, pregando, montando algum móvel, fazendo muito barulho. Que loucura, aqui é uma UTI, carai!

Eu já puto e cansado e iniciam o entra e sai aqui no quarto quase ao.mesmo tempo.

É nutricionista, enfermeira, fonoaudióloga, fisioterapeuta, três médicos, café da manhã, tudo ao mesmo tempo, como é que vai está se sentindo bem passou bem precisa de alguma coisa é só chamar …

Um café ruim, já fui urinar, já tive que andar pra lá e pra cá no corredor trombando com outros Walking Dead.

O pneumologista deu a notícia que vou ficar mais um dia aqui e mais outro no semi-intensivo.

Contar em casa, conversar com a filha, tomar o remédio, não tive um instante de sossego a manhã toda.

Almoço pavoroso, não comi nada.

Pelo menos me reorganizei na higiene pessoal.

A filha trouxe roupas limpas. Esqueci de pedir livros, fio-dental, a prótese e a cola.

À tarde me atormentaram o tempo todo com perguntas, avisos, questionários, procedimentos.

Finalmente consegui dormir um pouco, algumas horas de paz.

Acordei às 5h, tomei banho, destruí o acesso venoso, levei uma bronca da enfermeira mas valeu a pena o alívio de lavar o cabelo.

Café ruim e frio.

Visita do médico: vou continuar, devido aos remédios.

A filha trouxe-me livros.

A fisioterapeuta me fez andar duas voltas no corredor de braço dado, conversinha xarope.

Almoço atrasou, estava sem fome mesmo.

Leve cochilo à tarde, senti frio, lanche minúsculo, TV sem graça.

A filha ficou até 8 da noite, estratégia de desmamar o bebê,.

O genro fez compras de groceries para minha casa, retribuindo gentilezas passadas.

A sobrinha distante escreveu. Uma única dentre meia dúzia.

Mais inalação, descongestionante, passeio com a fisioterapeuta novamente.

O médico avisou que ainda hoje progredirei para o quarto, saindo da UTI.

Conversa longa com a filha, descreveu-me minuciosamente seu parto de dois anos atrás.

Recordações importantes para ela e para nós.

Segunda-feira, 20

Amanheci mal novamente, sem ânimo para nada. Mas dona M está pior: mesmo quadro meu, debilitada, sintomas agravados.

Concordou em ir ao hospital e a filha veio buscar.

Lá ficaram das 9 até duas da tarde

Fiquei pajeando a tia. Até o meio-dia, quando então resolvi deitar, meio zonzo, sem apetite.

O que era um repouso virou um terror.

Comecei a tremer sem parar, me cobri até a cabeça e nada de melhorar.

Achei o termômetro e pah! 39,5 graus, febrão.

Só parou às 2 da tarde quando elas voltaram e me deram uma dose de Lisol.

Praticamente apaguei e dormi entrecortadamente até às 8h do dia seguinte, quando de má vontade engoli um mingau.

Terça-feira, 21 – Feriado Nacional

Não teve jeito. Tive que me render e aceitar que a filha me trouxesse ao hospital.

Rapidamente atendido, a médica pediu tomografia do pulmão.

Fiquei desconfiado pois para dona M bastou um RX.

Espera de 1 hora, exame realizado, mais meia hora para o resultado e às 13h a pancada pah! Pneumonia…

Resultado final: já fiquei internado na UTI, tomando soro, anti-inflamatório, antibiótico, descongestionante, xarope, antifebril…

A filha teve que ficar comigo até 6 da tarde, com dois intervalos mínimos para almoçar e buscar meus remédios de uso contínuo em casa

O bom da coisa: as refeições e o sossego.

Talvez tenha alta amanhã à tarde, ao vencer 24 horas, mas a depender da evolução.

Estou aqui deitado o dia inteiro, já são 2h40 da madrugada, não consegui dormir, sem sono, mas tranquilo.

Conversei pelo Facetime com os filhos no exterior e a minha neta e genro daqui.

Já dona M me tratou irritada, reclamando porque isso, porque aquilo…

Mais tarde me escreveu suave. Deve ter se arrependido ou levou uma dura da filha que está me cuidando.

Visitas rápidas e educadas de dois médicos duas fisioterapeutas, um nutricionista, enfermeiros o tempo todo.

Quando amanhecer o dia, a coisa muda de figura. Vamos ver que bicho que dá…

Não sendo zebra, tá bom.

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