Saúde

SAÚDE

A partir do dia 13 de abril já vinha notando uma queda discreta no ânimo diário, acompanhada de uma tosse discreta, com secreção.

Não dei importância porque, tradicionalmente, todo início de outono tenho essas crises.

E os dias foram passando, a secreção e o incômodo aumentando, a vontade de fazer os treinos diminuindo. Juntei o raciocínio à situação que estamos vivendo aqui em casa com a hospedagem de Cle e seus achaques.

Sim, dá trabalho cuidar dela, de todos os detalhes, em que cada vez mais desaprende e deixa perecer os próprios cuidados pessoais.

São pequenas ocorrências, já escatológicas, que será difícil descrever aqui.

Vou me limitar a dizer que está com dificuldade extrema de usar os utensílios domésticos, higienizar-se, participar de alguma conversa, entender o que se pede para fazer.

Na maior parte do tempo, permanece em silêncio, sentada no sofá olhando para o nada.

A paciência da irmã acaba logo, trata-a com aspereza, repete as ordens, insiste, critica, mas cuida da alimentação, dos remédios, de tudo.

Uma mistura explosiva. Não há certos nem errados, há uma convivência indesejada de ambas as partes.

O dia inteiro essa tensão, aliada às decisões que tomamos com relação à compra do outro apartamento – o quinto, já – que não se conclui por falta de algum documento desimportante dos vendedores.

Desde fevereiro essa negociação se arrasta, sem data definida para terminar.

De minha parte não causa muito incômodo, visto que o valor destinado à compra está separado e continua rendendo, e na real não precisamos de habitar esse imóvel ainda.

Tudo bem, feitas as explicações do ambiente aqui, volto ao meu processo de saúde ou perda dela.

Não sou só eu a tossir, a ter dor de cabeça, coriza e suas manifestações, mas também Mar estava pior que eu. No domingo, dia 19, fui à farmácia e trouxe-lhe xarope, descongestionantes, antigripais, pastilhas.

Passou mal à noite, sem poder dormir devido à gripe.

Segunda-feira cedo, dia 20, a filha esteve aqui e convenceu-a a ir ao hospital. Excelente decisão. Foram às 9h e retornaram às 14h, após consultas, exames, RX, medicação, almoço, farmácia.

Já eu, fiquei em casa de companhia para C, que não deve e nem pode ficar só.

Ela no sofá, quieta, como de costume, e eu na sala vendo TV e escrevendo minhas histórias.

Ao meio-dia, sentindo cansaço, resolvi ficar deitado enquanto esperava a volta de mãe e filha.

Comecei a sentir frio, a tremer sem controle. Medi a temperatura: 39,5oC,  ou seja, febre alta. Permaneci deitado, tremendo, suando.

Elas chegaram às duas da tarde e me encontraram nesse estado. Tomei um Lisador e continuei a dormir. E assim passaram as horas até o dia seguinte, 21, terça-feira, feriado.

A filha veio me ver e me levar ao hospital também.

Às 9h já tinha passado pela consulta e ia fazer uma tomografia do tórax, descartando a chance de COVID, mas suspeita de infecção urinária e confirmada infecção bacteriana nos pulmões.

Para encurtar a história, entre 9 e 1 da tarde, já estava internado na UTI, com diagnóstico de pneumonia.

E aí fiquei de terça à quinta-feira. À meia-noite foi transferido para o quarto, com alta médica no sábado à tarde.

Foram 5 dias tomando antibióticos, anti-inflamatórios, soro, uso de bombinha de asma, fisioterapia, exercícios com fonoaudiólogo, repouso, alimentação controlada.

Agora em casa, uma sequência de medicamentos e cuidados antes o retorno daqui a 1 mês para avaliação.

Minhas atividades diárias esportivas estão suspensas. Só me resta ler e fazer exercícios respiratórios, sem erguer peso ou fazer esforço físico.

Por que cheguei nessa condição extrema?

Vários fatores contribuindo: a começar pela idade, em condição de idoso, estresse continuado, passado de fumante (foram 40 anos de tabaco), além de 26 anos de trabalho em ambiente hostil, lidando com produtos químicos.

O abandono do vício do cigarro já há 23 anos ajudou, mas deixou marcas indeléveis no organismo, pequenos “gatilhos” que se aproveitam da baixa imunidade.

O hábito das atividades aeróbias em 30 anos de prática ajudou a fortalecer o músculo cardíaco e manter os pulmões funcionando bem, mas não deram 100% de imunidade.

E agora?

Agora é seguir em frente com o que sobrou de bom e de ruim. Espero viver muito ainda, nem que seja tomando remédios e com poucas atividades externas.

Vamos ver que bicho que dá.

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