Quarta-feira, 7

Sessão 3, hoje normal, a tia voltou a atender. Deu-me umas pancadas nas costas, apertou e massageou os quadríceps e adutores, espetou meu púbis com uma caneta laser e, não satisfeita, colocou uns pesos nos tornozelos para flexões.

Fiz ainda três séries de outros exercícios, visando fortalecimento muscular.

Saí moído.

Fiz compras de “aniversário” , ingredientes para dona F preparar para esta sexta-feira, quando irá completar 69 anos de vida, cinquenta e cinco dos quais comigo.

Agora, 15h30, espero a chegada do treinador para uma sessão de musculação ao ar livre, no estacionamento do Parque.

Terça-feira, 6

Levei às 9h a irmã para a terapia. Finalmente decidiu fazer algumas sessões, duas por semana, num total de oito.

Com expressão zero na ida e na volta, tanto dela quanto a minha, fiquei uma hora na sala de espera lendo “Minha vida”, de Anton Tchekov.

O resto do dia passei em casa, às voltas com um longo texto, do qual já me desencumbi.

Amanhã reinicio a terapia interrompida ontem.

Está muito frio por aqui. Estou preocupado com o irmão 2 nesse frio intenso de C, liguei para ele e, como sempre, tem muita dificuldade para falar.

Domingo e segunda, 4 e 5

Domingo e segunda-feira, 4 e 5 de julho

Ontem, tradicionalmente me dediquei apenas à meditação, duas vezes no dia: às 10h com meu grupo e às 19h30 com o pessoal do RS. O primeiro dura uma hora e dez minutos. Já o segundo leva trinta minutos e mais trinta para leitura e comentários. Geralmente me ofereço para ler o texto mas não dou palpites após. Meu irmão, também frequentador, me zoa do modo de ler lentamente e com o sotaque carregado, segundo ele, do Paraná. Mas é bom para variar porque aparecem uns cariocas assoprando os ésses e os gaúchos com seus “mãs” e falando fino.

Durante o dia dediquei-me à leitura, escrita e sossego, sem sair de casa.

Hoje, segunda-feira, preparei-me para a terceira sessão de fisioterapia às 9h mas um recado no WhatsAppp dava conta que a fisioterapeuta amanheceu com conjuntivite e, por segurança, cancelou a agenda.

Tudo bem, aproveitei para fazer uma caminhada mais vigorosa, de 4km, aqui por perto. Dia frio, fui todo encapotado e voltei já bem aquecido.

Em casa, fiz a musculação caseira bem caprichada, com a TV ligada no You Tube, ouvindo uns mantras budistas, coisa fina, em língua indiana e tailandesa. Não compreendo nada mas nem precisa. O que vale é a música espiritual.

Saí para ir ao supermercado, depois do almoço de feijão com arroz e três ovos fritos. Se não ficasse tão grotesco, comeria meia dúzia, igual ao genro americano. Mas contive-me e satisfiz-me (bonita esta conjugação, não é?) com três, adornados com chuchu cozido com casca. Sim, com casca. Preciso insistir nisso porque, se bobear, as duas descascam tudo que veem pela frente.

Agora, para finalizar, tomei café preto com um tantinho de açúcar – dona H começou a implicar com o adoçante e eu me recuso a tomar café amargo – e meia dúzia de pão de minuto, uma verdadeira tentação. Bão demais.

Vou finalizar aqui e começar a correção de mais um longo texto. Gosto disso. E de outras coisas mais.

Boa tarde, pessoal. Agasalhem-se bem porque o frio está de lascar.

Sábado, 3 de julho de 2021

Conversas na rua

Saí para caminhar hoje de manhã, não tão de manhã assim porque acordei depois das 8h apesar de ter ido me acomodar às 21h30 ontem. Dormi muito, dormi demais, estava cansado não sei do quê.

Incluí na caminhada uma parada na Elétrica a fim de comprar uma pilha grande para o aquecedor a gás, esses dias reinando para acender. Apesar de ter substituído a anterior no dia 14 de abril,  esta pilha já estava pifando. Hoje desmontei os terminais, limpei os filtros e nada. Continuou com acendimento irregular.

Por isso resolvi trocá-la. Na loja, de cara o vendedor perguntou: é para aquecedor? Sim, é.

Então o senhor leve a alcalina porque a simples não dura muito.

Sério? Quanto custa a simples e esta alcalina?

A comum é 3,50 e a alcalina custa 27,50.

Grande a diferença. Resolvi apostar na dica do cidadão. Fui pagar com meu novo cartão de crédito e débito PicPay, por aproximação. E funcionou direitinho, sem senha, sem nada.

O senhor quer o CPF na nota? Sim, faz favor. Pode dizer. E eu: zero meia oito e….travei, esqueci total. Tentei recitar, nada. Pensei, parei, tentei, nada ainda.  Liguei o celular, procurei nos documentos, não achei. Desisti.

Após três ou quatro quadras andando, surgiu o número completo na mente. Ri sozinho, estou ficando esquecido.

Continuei o passeio e parei no Sebo Pellegrini, onde já tinha visto pela Estante Virtual o livro que procurava, “Lendas Brasileiras”, de Luiz da Câmara Cascudo, 8 reais.

Nada. Já tinha sido vendido. Perdi a viagem.

Não lembro o porquê mas o véinho da loja puxou conversa e lá fomos contando histórias sem que eu comprasse nada e ele não tentasse me vender.

O assunto virou em “qual é sua idade”, “onde trabalhou” e por aí vai.

Quando percebi, a conversa foi adiante, apareceu mais um velhote, entrou no papo, surgiu outro e mais um. Não demorou muito, já parecia uma longa amizade, cada um contando suas história e vantagens.

A principal foi a do primeiro vendedor, que enveredou a contar e mostrar suas habilidades para consertar relógios antigos. Aí foi minha vez de dar palpite quando ele mencionou que não existia mais a benzina – benza-me Deus, que coisa antiga – para limpar os mecanismos delicados dos cebolões.

Era minha deixa para contar como se produzia gasolina, querosene e solventes, combustíveis que a refinaria produzia e da qual fiz parte durante dezesseis anos aqui.

Fiquei quase uma hora nesta conversa fiada, mas agradável. Gosto de prosear com as pessoas na rua, principalmente com as mais velhas, sempre propensas a um papo.

Na verdade, quanto mais velho se fica mais solitário se é ou se sente. E dar atenção a essas figuras é uma forma de caridade, ou compaixão no vocabulário budista.

De volta para casa, após 4km e duas paradas, tomei um mate caprichado e aguardamos a chegada da filha para almoçarmos juntos, quando aproveitei e contei essa e outras pequenas aventuras.

Sexta-feira, 2 – continuação

Atividades do dia: ficar em casa a manhã toda às voltas com minhas anotações, relatos, leituras.

Às 14h, levar a irmã de dona S à consulta com a “neuropsicóloga”, mistura de neurologista e psicóloga.

Finalmente resolveu encarar seus entraves de frente. Levei as duas, deixei-as no endereço e fiquei por ali, tomando sol e refletindo minhas ideias.

Saíram às 15h com cara de poucos amigos. Não perguntei nada, parei na clínica para pegar o resultado do exame de ontem.

Em casa, espiei os laudos. Tudo certo, tudo enquadrado, nenhuma alteração nos meus internos. É a tradicional beleza interior.

Tomei café com uns oito ou nove “pão de minuto” feitos na hora.

Completei o dia com musculação caseira enquanto elas desceram para tomar sol.

Hoje o dia rendeu. Estou quase sem dores, terminei a sequência diária do anti-inflamatório, o frio foi embora – pelo menos uma parte dele.

Estou lendo na cama, abrigado com três cobertores.

Boa noite, pessoal. Take care with your knees.

Sexta-feira, 2 – contando para o filho. Desculpem os palavrões mas é assim que nós conversamos

Estou em manutenção e reforma para melhor atendê-los. Apareceram alguns aiaiais no lombo, na pança, no tchúbis-púbis há um mês, uma mijadeira sem fim várias vezes ao dia e outras à noite. Comecei com um ultrassom na clínica Doutor da Gente, clínica popular naquelas ruas do centro de C, em indicação do César da Academia. Consultei lá com o Dr. Alexandre, amigo dele, esportista, gente fina. O ultrassom mostrou uma inflamação e pequeno estiramento no reto-abdominal junto à inserção no púbis. Continuei com os treinos de rua e musculação mas a dor não passava. Recorri ao tradicional Dr.R do Ceme, que pediu uma ressonância magnética da lombar e bacia. Aí começou a encrenca. Há vários pequenos enguiços além dos adrede citados. Tipo desgaste nos discos, leves mas presentes, desgaste no encaixe da bacia e outros menos votados. Solução? fisioterapia com a B, filha dele, que sempre me resolve essas paradas. Lá vou eu, dez sessões, duas a cada semana, estica e puxa, espeta e alonga, tudo isso pelo módico preço de 990 reais, pagos adiantados e com muito gosto.
Nas conversas que se seguiram aos atendimentos, contei da dificuldade da urina intermitente e ardida. Recomendou que consultasse o urologista, do qual vinha escapando já há dois anos depois que o saudoso e atencioso Dr.Alfredo morreu, vitimado por um câncer nas cordas vocais.
Mas não podia escapar disso e assim fiz uma consulta escolhendo um médico do Plano de Saúde pelo endereço mais perto daqui. Fui no dia 28 agora, mostrei os exames dos assuntos que estava tratando e ele fez uma cara de espanto, sugerindo que consultasse um ortopedista especialista em coluna, vendo vários problemas ali, ao contrário da serenidade do Dr.R e B. Levei uma espetada no fiote, que demonstrou não haver nenhum comprometimento da próstata quanto a um crescimento desordenado. Foi a única boa notícia. Não vou dizer que foi um exame superficial porque estaria literalmente faltando com a verdade, e não preciso explicar o porquê. Antes de me mandar, ele solicitou o exame de PSA mas só daqui a 8 dias para acalmar a próstata. Pediu também um ultrassom do abdômen e adjacências, realizado ontem à tarde. Quase me molhei todo. Passo o dia urinando a intervalos de uma hora e o exame exige bexiga cheia. O sofrimento foi grande. Cheguei na RCC para o exame já apurado. Aguardei minha vez ao lado do restroom e a cada cinco minutos mijava um pouquinho para aliviar o incômodo e na saída bebia um pouco de água para compensar. Isso levou meia hora nesse vaivém. Na quinta vez, enquanto estava trancado na privada, fui chamado e não ouvi. Ao sair, uma senhora ali perto me avisou “chamaram o seu I”. Putalamerda, bem na horinha. Fui ao guichê e me expliquei. Gentilmente a atendente falou ” no problem, um instante que vou chamar a encarregada”. Alguns minutos que me pareceram uma eternidade, fui atendido.”Seu I, deite-se na maca, abaixe a roupa e aguarde um instantinho que a médica já vem”. Esse instantinho demorou tanto quanto o anterior pós-sanitário. Finalmente a médica, uma mocinha delicada, surgiu “tudo bem, seu I?” ao que lhe respondi “a senhora não imagina o quanto…” Ato contínuo, passou a apertar com o mouse minha barriga besuntada. Eu já estava sofrendo e agora piorou. Mas a notícia: estou vendo aqui 650ml, a bexiga está bem cheia, vai ser um bom exame. Imagine que tinha tomado pouca água e devolvido mais do que ingerira e ainda restavam 650ml. Terminada esta parte, ela disse para me levantar e esvaziar a bexiga para a segunda parte do exame, que consiste em medir o que ficou. Lá fui eu tentar me aliviar mas quem disse que conseguia? fiquei um tempão para drenar uma parte e retornei. Contei o ocorrido e ela mandou voltar, abrir a torneira para ajudar com o ruído. Tudo de novo, consegui liberar mais uma parte até o ponto em que não sentia mais dores na pança. Reiniciou o exame e concluiu: ficou uma boa parte aí dentro. Vou relatar no laudo e amanhã o senhor pega o resultado. Voltei para casa mais tranquilo, sabendo que não há gravidade com a próstata nem infecção aparente. Hoje vou buscar o laudo e espero que esteja tudo bem. Devo estar retendo líquido porque amanheci com os olhos empapuçados. Olhos, não. No rosto, debaixo deles. É isso. No mais, estou ótimo.
Um abraço carinhoso, divirta-se aí e vamos que vamos nem que seja ficar em casa.
Saudades.
Beijo do I, pai.

Tudo passa e tudo fica porém o nosso é passar, passar fazendo caminhos caminhos sobre o mar. Nunca persegui a glória nem deixar na memória dos homens minha canção, eu amo os mundos sutis leves e gentis, como bolhas de sabão. Gosto de vê-los pintar-se de sol e grená voar abaixo o céu azul, tremer subitamente e quebrar-se… Nunca persegui a glória. Caminhante, são tuas pegadas o caminho e nada mais; caminhante, não há caminho, se faz caminho ao andar. Ao andar se faz caminho e ao voltar a vista atrás se vê a senda que nunca se há de voltar a pisar. Caminhante não há caminho senão há marcas no mar… Faz algum tempo neste lugar onde hoje os bosques se vestem de espinhos se ouviu a voz de um poeta gritar “Caminhante não há caminho, se faz caminho ao andar”… Golpe a golpe, verso a verso… Morreu o poeta longe do lar, cobre-lhe o pó de um país vizinho. Ao afastar-se lhe vieram chorar “Caminhante não há caminho, se faz caminho ao andar…”

Quinta-feira, 1.°de julho

Demorei para conciliar no sono. Às 21h30 recebi o aviso, por telefone, do falecimento da tia.

Foi-se aos 96 anos faltando 22 dias para completar 97.

Encontrada caída ao lado da cama, não se sabe quantas horas esteve ali no dia mais frio da cidade.

Levada ao hospital, constatou-se hipotermia e pneumonia. Vítima do costume de viver solitária, ficou muitas horas sem atendimento.

A última dos sete filhos de meus avós paternos, morreu como viveu: sempre só, apesar dos cuidados dos sobrinhos e sobrinhas-netas filhas de Nancy.

Conversei com ela mês passado como era meu costume. Foi engraçado porque estava na casa de meu irmão LA e este ligou-me por vídeo. Mas ela não conseguiu me ver porque viera consultar no oftalmologista e estava ainda com as pupilas dilatadas.

Foi nossa última conversa ao me perguntar dos filhos e netos como sempre fazia.

Descanse em paz, tia, junto de seus pais e irmãos.

Quarta-feira, 30

Até agora o dia mais frio do ano por aqui, com 10oC pela manhã.

Fui à sessão número 2, já com bom progresso na recuperação.

Marquei o novo exame de ultrassom para amanhã às 15h.

Atualmente meus assuntos têm sido apenas na área de saúde 🤪.

Mas agora, 16h, aguardo o treinador para uma sessão de musculação ao ar livre.

Só estão proibidos os abdominais para não atrapalhar o tratamento fisioterápico.

Mas está bom também. Enquanto puder me movimentar, estou satisfeito.