Quarta-feira, dia 19

Às 8h, dentista. Reparos. Como disse o velho Siqueira, vai caindo tudo. Fui a pé, cerca de 1km entre ida e volta. Minha camisa xadrez azul de estimação volta inteiramente molhada. O calor está intenso logo cedo.

Tento ir logo à musculação mas levo M às lojas de acabamento para comprar puxadores; lá se foi a manhã inteira. Deixo meu treino para a tarde e acaba se resumindo à hidroginástica. Na verdade, fiquei receoso de  rodar novamente na esteira em dois dias seguidos. Mas amanhã recomeço, com pesos e esteira. Aproveito que a cunhada chegou hoje e assim M se distrai com ela e com a montagem dos armários novos, para os quais comprei os puxadores. Prometida está a vinda, também, do vidraceiro para colocar o box. É isso. Depois levo as duas para almoçar no restaurante.

Antonio Carlos Bittencourt foi colega de trabalho, não muito próximo, mas via-o sempre. Era inspetor de segurança e eu sempre fui operador de processamento. Ele vivia às turras com todo mundo; bom sujeito mas exigente e de trato difícil. Foi cedo, aos 66, conforme descobri no obituário do site  da Difusora. Outro do meu tempo, subiu também : Sabiá, ou Hermes Mota da Rosa.

Atividades.

Atividades do dia, segunda-feira.

Arrisquei 15min na esteira. Tudo bem, sem incômodo. Musculação em circuito, forte. Arrisquei mais 15min na esteira, somente andando, a 6,2kmh. Tudo certo. Calor forte desde cedo. Deixei a fisioterapia para a tarde, tendo ido antes à hidroginástica, das 14h30 às 15h30. De lá, de carro devido ao calor e sol forte, para a fisioterapia. É a número 9, penúltima se estiver bem. Combinei com o fisioterapeuta de, amanhã, fazer o teste de esforço, andando e trotando na esteira, ali mesmo. Se não sentir dor, ele me libera. Se sentir, começo nova sequência de 10 dias. Tudo certo.

Terça-feira – acordei animado com a possibilidade de me livrar dos tratamentos. Fui à clínica, andando, às 8h. Fiz a parte quente (ultrassom, tens e alongamentos) e parti para a esteira. Tudo certo. Não senti problema nenhum, nem dor nem incômodo. Foram 23 minutos gloriosos, entre andar e trotar. Se estivesse mal, só de andar já sentiria dores. Mas passei no teste. Escrevi em seguida para o treinador e fui à musculação, andando. Fiz todos os exercícios e andei mais 5min. Tudo certo.

Compras de supermercado, abastecer o carro; o montador de móveis veio no horário combinado e deixou pronto o berço novo. A gata só de olho nas novidades. Organizamos o quarto dos hóspedes, movendo tudo que tem dentro de casa. Terminada esta parte, fui à acupuntura final às 16h. Sessão dolorosa mas finalmente hoje me livrei da fisioterapia, da acupuntura e do fisioterapeuta particular. Grande progresso.

Domingo

Esta semana choveu bem, durante dois dias, o suficiente para voltar um calor intenso e tornar os dias abafados. Mesmo assim, convenci a andar um pouco na rua e aproveitar o sol forte. É recomendação médica, para fixar o cálcio e absorver a vitamina D, em falta devido à inexistência de exercícios e exposição ao sol. Foram 30 minutos andando lentamente.

Convidei para almoço no lugar de costume e, para minha surpresa, aceitou. Sendo horário de verão iniciante, deveria ir mais tarde. Entretanto a vontade de tomar mate surgiu no horário novo sem problema. O apetite também.

Agora, descanso e escrevo.

Comprei hoje, via web, um box com as obras completas de Shakespeare, edição de luxo, papel bíblia. Não sei se lerei toda a obra pois a maioria já li. Faltam-me alguns. O que me interessa mesmo é “Troilus and Cressida”, uma peça que será levada em cartaz em SP em breve, direção de Jô Soares.

Compro livros sempre. Gosto de ler e de tê-los. Estou com vários em andamento. Leio ao mesmo tempo, seja no e-reader ou em papel. Onde vou, carrego-os.

Meu estoque de erva-mate está chegando ao fim. Fiquei matutando um jeito de encontrar alguém de Samas que mos enviasse. Lembrei do advogado Ernst, que ano passado me pediu uns documentos daqui. Deu-me um certo trabalho mas consegui e enviei-os. Pagou-me as despesas rigorosamente. Assim, escrevi para ele e prontamente concordou em comprar e despachar 6kg de Legendária. Estou no aguardo.

Meus irmãos chegaram hoje cedo do passeio na Itália. Maria Cecília fez ontem 35 anos.

O jardim está bem cuidado. Gosto da flor segurando a vassoura.

Sexta, 14 de outubro.

Hoje não fui cedo à fisioterapia. Fomos à farmácia trocar um medicamento. A médica indicou dois, ou um ou outro. Trouxe o um. Ela quer o outro. Se tivesse explicitado, teria trazido o outro. Tudo bem, conseguimos trocar. Fomos trocar um material que sobrou da reforma. Tudo bem, conseguimos trocar rejunte por lâmpadas de led. Enquanto isso, atravessei a avenida e fui comprar farelo de aveia. Andei um pouco, sentindo-me bem. Conselho do acupunturista ontem : ande mais. Tudo bem, fui à musculação a pé e lá andei 1omin na esteira antes e 5min após os exercícios. Voltei andando, tudo certo. Sim, eu rezo todos os dias no “Encontro com Cristo” do Pe.Alberto Gambarini, da Rede Vida. São três ave-marias e a bênção da água. Mas é preciso ficar de olho porque Milu gosta de tomar água quando encontra algum copo por aí. Às vezes ela não espera a bênção e bebe antes.

Ontem na acupuntura o médico acha que estamos fazendo progresso. Eu, não sei. Mas ele, sim. Principalmente na conta bancária. Choveu fortíssimo na saída. Precisei esperar um tempão para atravessar a rua e entrar no carro. Molhei-me um pouco e gastei meia hora para chegar em casa, com trânsito de fim de dia e sob tempestade.

Agora, 14h, vou à fisioterapia, sessão número 7. Deitadão, leio John Fante.

Sempre a mesma coisa…

Em 1983, numa sexta-feira, dia 28 de outubro, saí de São Mateus do Sul, com minha família : mulher e dois filhos, em direção a Campinas para uma nova vida. Maurício com 6 meses, tendo nascido em abril, chegou no colo da mãe e entrou no Edifício Camboriú, sábado, no apartamento 111.

Neste ano de 2016, passados 33 anos, numa sexta-feira, dia 28 de outubro, esperamos que Lucas com 6 meses, tendo nascido em abril, chegue no colo da mãe e entre no Edifício Camboriú, no apartamento 81.

Hidroginástica.

Tenho ido regularmente, na expectativa de me ajudar na recuperação. Não sei se funciona mas aposto na drenagem linfática dos edemas que insistem em morar na minha panturrilha esquerda. Tenho feito exercícios mais suaves para não comprometer a cicatrização interna. Mas não é disso que quero comentar. Veja bem : somos um grupo de velhotes, mais velhotas que velhotes. Usualmente somos dois, eu com 67 e o Ozy com 79. O interessante é o nome deste colega : Ozy. Nunca pensei que encontraria alguém com esse nome, além da avenida que corta Samas ao meio. Ozy é muito divertido mas vive implicando com o professor – não sabemos se é de verdade ou “às brincas”. O professor é um crioulão forte (aqui escrevo assim para explicar, sem preconceito é claro; claro? não, é preto mesmo) que gosta de saracotear no tablado, à guisa de dança. As mulheres adoram. Já Ozy, não. Olha para mim e repete toda vez : mas é uma bichona mesmo, mas que bichice, mas que não sei o quê… Isso toda santa aula. Às segundas, porque é o único dia da semana que vai e quando, invariavelmente, se despede com um “bom fim-de-semana a todos”. Bom fim de semana, seu Ozy? mas hoje é segunda-feira ainda. E ele ri, divertido…

Nesta última aula, uma das mais assanhadas saiu-se com ” Dia da criança é uma vez só, mas o Dia dos Homens é todo dia, porque pra aguentar essa mulherada, só sendo uns santos mesmos”.

Comentei com Ozy : esse é o primeiro elogio que recebo este ano.

Pássaros.

Aqui também cantam, principalmente cedinho. Da minha janela observo os casais de maritacas que pousam no casarão sob o prédio. Do outro lado da rua Uruguaiana está o Bosque dos Jequitibás, refúgio de inúmeras espécies. Há os tucanos, que fazem um barulhão ao cruzar para a rua Proença, onde um morador serve frutas na sacada todo dia. As rolinhas aos bandos vêm dos lados de Valinhos, pontualmente às cinco e meia da tarde para se abrigar nas árvores gigantes do Largo São Benedito, para desespero dos moradores do entorno, que reclamam da sujeira deixada na praça. Imagine milhares de passarinhos todo santo dia e o resultado da noite nas calçadas. Gosto dos urubus, que pousam silenciosos no ponto mais alto do edifício Ipanema, ao lado do meu. Ficam horas se espreguiçando ao sol, que aqui nunca falta. Há pássaros que cantam, outros são silenciosos, alguns barulhentos. Mas tudo é vida pulsante.