Sábado, 10

Levei às duas ao Swift, um açougue-loja, muito bom, aqui perto de casa. De carro, é lógico. Dona F anda cada vez menos.

Compra boa, tudo que eu gosto. Gastei quase 400 reais mas o estoque é para vários dias.

Observo a irmã dela. Não fala quase nada, não se oferece para dividir as contas apesar de hospedada aqui por longos períodos.

Não comenta nada, limita-se a alguns clichês, aquelas frases feitas repetidas dia após dia, sem a menor entonação ou emoção.

Dá pra sentir que não se sente à vontade conosco, preferindo seu cantinho.

Mas veio conosco sem convite: simplesmente ofereceu-se.

Calor de 34 graus aqui e ela de blusa de manga longa…

Fiz o treino de musculação caseiro. Só para constar que não deixo meus exercício de lado.

Sexta-feira, 9

Hoje não tive a reunião presencial no parque, tradicionalmente às 7h30, porque o treinador não pôde vir, ocupado que estava com os afazeres domésticos (esposa doente, levar a filha à escola).

Não me incomodo com essas faltas, troco por outra atividade e vai tudo bem.

Convidei dona W para ir à pista de atletismo, onde se move e toma sol, mas ultimamente tem recusado meus convites devido às dores que não a deixam em paz.

Fui e fiz o treino de 8km divididos em 20 voltas de 400m com o compromisso de fazê-las todas iguais ou com o mínimo de variação. Consegui acertar quase todas, em 2’20” cada.

Cumprimentei meus conhecidos que ali sempre aparecem. Voltei às 10h, cansado e contente.

A leitura de ontem

A leitura de ontem

Há mais de dois anos participo das sessões de meditação todas as terças-feiras e de quinta a domingo com o pessoal de Viamão via zoom e se vendo nos quadradinhos da tela do smartphone. É um grupo variado, entre velhotes, mocitas, senhôras, cavalheiros fluidos, senhores sisudos, outros nem tanto, alguns fala-fina. Um saco de gatos.

A rotina é trinta minutos em silêncio, seguido de umas recitações e uma leitura de um texto adrede divulgado. Esse intervalo é sempre tenso, onde o Sensei convida dois voluntários para fazer a leitura.

Para não demorar ou constranger, sempre me ofereço para tal mister. Alguns praticantes nunca o fazem. Tio JG é um deles. Com o agravante de debochar do meu sotaque.

Ontem o texto era do monge vietnamita Thich Nhat Hanh.

Começa por aí. Cada um lê de um jeito e saem “Tite era anão” “Tite na mão” “Xixi aí não” e outras interpretações ao bel-prazer.

Para complicar ainda mais, o autor citava O Estrangeiro, de Albert Camus, e o personagem Mersault.

Caprichei no francês pronunciando Albér Cami e Mersô.

Já a segunda leitora não titubeou e mandou um camús e mersalte, alto e bom som.

Ri sozinho graças à câmera e microfone desligados. Um perigo, se você não prestar atenção aos desenhinhos que indicam o mudo e sem imagem.

Hoje é isso. Eu achei graça em tudo e escrevi. Vocês, não sei.

Quinta-feira, 8

Passada a ressaca dos discursos malucos e inflamados de ontem, voltamos às atividades físico-esportivas.

Treino de 8km no parque. Sofri com as subidas, que tenho descuidado há algum tempo.

Deveria fazer 4km a 6’30” cada um além de 4km a 6’00” cada mas só consegui mesmo é completar os 8km em 7’20” um pelo outro, mostrando uma enorme diferença na condição cardiorrespiratória, que precisa melhorar.

Ou então a idade está fazendo seu habitual estrago e vou ficar por isso mesmo.

Quarta-feira, 7

Dia de comemoração de 7 de Setembro pelos 200 anos da independência.

Há 50 anos foi o sesquicentenário, introduzindo esta palavra esquisita no vocabulário do povo brasileiro.

Na ocasião, eu – nos meus 23 anos – era professor de Língua Portuguesa no Ginásio Estadual Francisco Neves Filho e também no Duque de Caxias e fui condecorado com uma medalha alusiva à ocasião.

E sempre me perguntei: o porquê de tal distribuição de medalhas se não fazíamos mais nada além da obrigação de trabalhar corretamente?

Passaram-se 50 anos e continua esta prática absurda até hoje, fazendo-se “cortesia com o chapéu alheio “.

Mudando de saco pra mala, amanheceu chovendo firme aqui, dando um alívio para a vegetação e purificando o nosso precioso ar.