Treino de hoje: 3km de aeróbico e 2 horas de treinos educativos de arremesso de peso.
Atividades físicas na pista das 8 às 12h.
Correção de textos e ajuste nos investimentos, em conversa comprida com o assessor da XP.
Treino de hoje: 3km de aeróbico e 2 horas de treinos educativos de arremesso de peso.
Atividades físicas na pista das 8 às 12h.
Correção de textos e ajuste nos investimentos, em conversa comprida com o assessor da XP.

Treino de pista. Fui até a Unicamp mas bati com o nariz na porta: pista da FEF fechada.
Voltei ao São Bernardo e fiz o treino de 2km leves mais 3 x 1.200m x 5′ parado.
Não tive um resultado grande coisa, com mais de 6min cada tiro. Senti-me cansado já de cara.
Terminei com mais 2km leves para encerrar com 8km no total.
13h- ir a um Hipermercado levar dona E e gastar 400 reais
15h- no apartamento, organizar umas gavetas e móveis pequenos.
Dia tranquilo, de sol e calor, dia de meditação presencial até meio-dia, dia de fazer compras no Dia Supermercado, dia de voltar para casa e sossegar.
Hoje é aniversário do sobrinho mais velho, completando 42 anos, filho de minha irmã.
Malucos de São Mateus do Sul
A lista é grande.
Começo com os alcoólicos, ou alcólatras. Há controvérsias quanto ao termo correto para se denominar indivíduos dominados pelo vício. Como este relato fica entre nós, vamos deixar de lado a classificação e nos atermos aos pesonagens, sem julgamento.
Cada um tem o direito de fazer o que bem entender. E nós temos o direito de contar histórias, aqui em off.
Bruno Adamski – um homem grande e forte, que não fazia nada na vida a não ser beber suas cachaças e gritar na rua. Dava medo nas crianças por ser frequentemente invocado por mães sem paciência com a finalidade de assustar os manhosos. Volta e meia, eu o via subindo nossa rua aos berros. Não sei que fim levou mas não será diferente dos outros dependentes: morrer caído numa sarjeta depois de muito atormentar familiares.
Marcelo Janoski – filho do véio Janoski e dona Estefânia, a parteira oficial depois da aposentadoria das Irmãs Wolter (o que renderá outro relato), tomava todas e andanva balançando. Na verdade Marcelo era carpinteiro, igual o pai. Tinha dois filhos : Ivo e Ivone, ambos contemporâneos meus no Grupo Escolar. Foi ele quem construiu nossa casa em 1960, demolindo a anterior no mesmo endereço, à rua Dr.Paulo Fortes.
Nos intervalos do trabalho, merendava umas fatias de broa revestidas de banha e salpicos de açúcar. Banha com açúcar, uma combinação exótica. Tudo regado a café frio, que levava em um litro. Como eu ficava por ali arrodeando, sempre curioso, fui instado a experimentar. Não é ruim, apenas diferente.
Marcelo tomava uns tragos mas não a ponto de atrapalhar as obrigações.
Portanto o irmão dele é quem me refiro como alcoólatra e não lembro o nome.
Família Augustinhak – o véio Augustinhak era auxiliar dos padres nas bênçãos das casas nos dias de Ano Novo e carregava a cruz à frente dos enterros, alternando com o Velho Janoski.
Conseguia conciliar trabalho e bebida mas os dois filhos entraram com tudo na cachaça e seguidinho caíam na rua completamente embriagados.
Doutor Enoch – conhecido como Nhoque, marido de dona Aurora, professora primária, com residência ao lado da casa do Coronel João Gabriel Martins (dona Geni, Quesa, Belinha, Bolivar, Juju), vizinhos da Igreja dos Menonitas, da residência também de Celeste Wolff Ramalho, casada com Luiz Seleme, da loja de peças de carro.
Nhoque era advogado mas vivia ébrio.
Há uma história célebre dele, que faz parte do anedotário local, seja real ou inventada.
Que é a seguinte: um preso apenado pretendendo pleitear o regime semi-aberto mas sem dinheiro para contratar advogado, aceitou Nhoque como pro-bono.
Este preparou a defesa verbal perante o juiz, que, sensibilizado bateu o martelo e,dobrou a pena do infeliz. Não só não acatou a tese como duplicou o castigo. Mentira? Verdade?
Nhoque Enoch também terminou seus infelizes dias na sarjeta.
Maciel – ninguém se referia a ele pelo prenome. Era Maciel e pronto. Filho de dona Carolina, irmão do Sebastião marido de Ludenca Jasinski. Ludenca, ou Ludmila, irmã do Osvaldinho, vizinho de família do Solar Guimarães.
Maciel era muito divertido.
Tinha uns bordões adotados pelos nativos. Por exemplo “esse o boi não puxa”, “esse o gigante não levanta” , expressões significando “não acredito”.
Ervino Zarzycki – profissão desocupado e, eventualmente, vereador com atuação nula em duas ou três legislaturas. Atividade principal quando vivo: tomar cachaça no bar do próprio irmão, ali logo passando a ponte do rio Canoa sob a rua Paulino Vaz da Silva que continua sob o nome de Rua do Canal, em frente à residência do véio Rachid.
Visto sempre com um copinho de pinga ao lado, costumava cobrir com um guardanapo para “não perder a fortitude”
Depois de morto, virou nome de rua, uma homenagem ao nada.
Araldo Neves de Souza
Este cidadão Araldo Neves de Souza ,são-mateuense nascido “nos matos” passou a vida toda enferruscado. Tinha lá suas qualidades. Extremamente metódico, odiava polacos a estes se referindo frequentemente como jaguaras.
Casou-se com dona Maria Farias, irmã de Jorge Farias, pai do Jorginho e da Vilma.
Dona Maria, na definição de meu pai, era a mulher mais feia de São Mateus.
Araldo era primo de Mário Furtado Neves, meu sogro. Os dois se davam muito bem, ambos rabugentos.
Araldo passou profissionalmente a vida como gerente da Cooperativa dos Produtores de Mate, ao lado do contador Jorge Maciel e Silva, pai do Gastão e do Jorginho.
Quando se aposentou, recolheu-se em casa ao lado de dona Maria e Nadir, a filha adotiva.
Esta, mirradinha e impertinente, deu muito trabalho para educar. Quando fez 17 anos foi seduzida e fugiu com uum peão de obra, da STOP, empreiteira da SIX. Naquele tempo dizia-se que foi “desencabeçada”, eufemismo para descabaçada.
Quando deu por falta dela, num fim de ano de 1978, ligou para mim no telefone 32-5375, pois já casado com Marly, prima dele em 2o.grau, fazía-nos seguidas visitas.
Estava desesperado com o desaparecimento da filha Nadir. Textualmente falou “preciso que venha aqui em casa, certos assuntos não podem ser tratados por telefone”.
Lá fomos nós, Marly e eu, saber do que se tratava. Tentamos consolar o casal, falamos as generalidades de ocasião, e ficou por isso mesmo. Semanas depois, ela foi localizada ,ou fez contato, em São Paulo, num hotel no centro.
Voltou arrependida e perdoada. Mas meses mais tarde casou-se com o sedutor e – pasmem – está casada até hoje com ele, tiveram dois filhos, que foram criados muito bem, estudaram, se formaram e deu tudo certo.
Nadir, enquanto criança e adolescente, foi uma peste de criatura. Entretanto, com a morte de dona Maria, cuidou perfeitamente do pai adotivo, dinamizou a casa reformando-a e alugando para comércio e ela própria iniciou-se como administradora de muito sucesso em Sáo Mateus.
Quando Araldo morreu, Nadir mudou-se para Curitiba para atender os filhos até a maturidade.
Mas voltando ao Araldo, um sujeito turrão, crítico de tudo e de todos, só tinha atenção e cuidados para nós.
Ajudou muito na reorganização dos assuntos de Mário Neves quando este faleceu precocemente aos 49 anos, deixando a esposa e duas filhas a ver navios, com dívidas e seum perspectivas.
Marly tem uma consideração especial por ele e dona Maria.
Mas era e sempre foi um véio chato e maníaco, para quem ninguém prestava.
Los animales fueron imperfectos, largos de cola, tristes de cabeza.
Poco a poco se fueron componiendo
Haciéndose paisaje, adquiriendo lunares, gracia, vuelo.
El gato, solo el gato apareció completo y orgulloso : nació completamente terminado, camina solo y sabe lo que quiere.
Eu hombre quiere ser pescado y pájaro, la serpiente quisiera tener alas, el perro es um León desorientado, el ingeniero quiere ser poeta, la mosca estudia para golondrina, el poeta trata de imitar la mosca,
Pero el gato
Quiere ser sólo gato
Y todo gato es gato desde bigote a cola
Desde presentimiento a rata viva, desde la noche hasta sus ojos de oro.
No hay unidad como él, no tiene la luna ni la flor tal contextura :
Es uma so cosa como el sol o el topacio,
Y la elástica linea em su contorno
Firme y sutil es como la linea de la proa de uma nave.
Sus ojos amarillos dejaron uma sola ranura
Para echar las monedas de la noche.
Oh pequeño emperador sin orbe,
Conquistador sin patria, mínimo tigre de salón, nupcial sultan del cielo
De las tejas eróticas, el viento del amor en la intemperie
Reclamas cuando pasas y posas cuatro pies delicados en el suelo, oliendo,
Desconfiando de todo terrestre,
Porque todo es inmundo
Para el inmaculado pie del gato.
Oh fiera independiente de la casa, arrogante vestigio de la noche,
Perezoso, gimnástico y ajeno,
Profundísimo gato,
Policia secreta de las habitaciones, insignia de um desaparecido terciopelo,
Seguramente no hay enigma em tu manera, tal vez no eres misterio,
Todo el mundo te sabe y perteneces al habitante menos misterioso,
Tal vez todos lo creen dueños, propietarios, tíos de gatos, compañeros, colegas,
Discipulos o amigos de su gato.
Yo no.
Yo no subscribo.
Yo no conozco al gato.
Todo lo sé, la vida y su archipíélago, el mar y la ciudad incalculable,
La botánica,
El gineceo com sus extravíos,
El por y el menos de la matemática,
Los embudos volcánicos del mundo,
La cáscara irreal del cocodrilo,
La bondad ignorada del bombero,
El atavismo azul del sacerdote,
O Grande Montador de Telhados
10-07-2023 02:00 da madrugada, acordei de mais um lindo e longo sonho.
Assim:
“-Sempre tive vontade de fazer um plano de viagens, fazer turismo pelo Brasil, e também para outros países”, comentei à um amigo que não lembro quem , num certo lugar que não recordo onde.
“- Entretanto,” tornei, ”- Poderia ter mais graça, se esta viagem pudesse ter um objetivo definido, como “um pacote rumo à Copa do Mundo na Alemanha, ou algo do gênero!”.
Neste mesmo instante, vi-me transportado à um outro país,Alemanha ou Espanha, não sei, nos arredores de uma pequena cidade, próximo à um imenso Estádio Esportivo. Estava numa pequena estrada de pedras ao alto de um morro. Dali notei que os portões daquele estádio encontravam-se abertos e haviam muitas pessoas nas arquibancadas.
Como em fila, outras, com muita pressa, passavam por mim, dirigindo-se aquela praça de esportes.
Notei que os lábios de nenhum deles movia-se. Não emitiam um único som.
Mas havia, entretanto uma perfeita comunicação entre si.
Comunicavam-se por sorrisos.
Sorrisos de muitos mundos.
Sorrisos de muita Luz.
Pareciam transbordar alegria e felicidade.
E eu ali, no alto daquele morro, tudo observava.
Num determinado momento indaguei-me: “-Que lugar é este, quem são estas criaturas, de onde vem e o que buscam naquele estádio?”
Bastou pensar, quando de repente, uma senhora aparentando meia-idade, interrompendo o seu percurso, pôs-se o meu lado e, num leve roçar em meu braço interrompeu-me os pensamentos.
De de seus lábio não saiu uma única sílaba. Mas em compreensão, disse-me:
“-Vamos ao Estádio Municipal, vê aquêle lá?” E apontava para baixo com a ponta do nariz num modo muito peculiar.
“-E o que tem lá de especial ?”, tornei, sem também mover um único músculo facial.
“-Há!”, exclamou. “- Hoje tem uma especial palestra com O Grande Montador de Telhados, que nos contará lindas histórias!”, concluiu aquela simpática senhora, que no momento encontrava-se já um tanto distante de mim, despedindo-se com um delicado e leve aceno.
No momento em que agradecia aquelas informaçoes, vi-me logo transportado para um outro lugar próximo dali.
Um lugar plano, com árvores e uma pequena estrada ladeada por barrancos não muito altos.
Sem saber qual direção tomar pus-me a seguir em frente por aquela estreita estrada a partir da posição que estava.
Pelo barro que tinha no caminho, parecia haver chovido há pouco, mas, estranhamente meus pés não tocavam o chão..
Pus-me a “andar” por aquela estrada barrenta até deparar-me a uma cerca com uma pequena porteira interrompendo meu caminho.
Parecia uma entrada de fazenda com o terreno todo cercado com palanques espaçados e abertos entre si como se ali houvessem arames.
Havia ali uma sensação de intransponibilidade naquele local, mas, como sentir isso, se havia apenas um porteira e palanques vazios não cercados ?
Com o coração ao pulos aproximei-me daquele grande portão de madeira e notei que não havia tranca sequer.
Sentia que deveria entrar, passar por ali, SÓ QUE havia algo de enigmático naquele local que causava-me mêdo e ansiedade.
Não havia mêdo pelo que poderia encontrar ali, mas sentia um grande temor em não conseguir transpor aquela barreira intrusa,…
E com o coração ainda batendoforte, lancei uma prece ao Universo pedindo para ser aceito naquele lugar.
Necessitava seguir…
Saber quem habitava ali…
Conhecer quem me esperava..
Aproximei-me, e o portão logo abriu-se sem te-lo tocado, e atrás de mim senti uma leve brisa impelindo-me a seguir.
Voltei-me por instantes e esta acariciou-me o lado esquerdo do rosto fazendo-me arrepiar, esquecer quem eu era e tudo mais com tão maravilhosa sensação.
Com lágrimas inundando-me os olhos e uma total leveza no corpo, notei que tudo brilhava à minha volta. .
E vi-me também envolto naquela radiante manta….
Não sei quanto tempo fiquei a contemplar toda aquela Magia.
Num passe rápido, não mais haviam cercas nem porteira de madeira…
Apenas um caminho a seguir.
Pus-me então caminhar por aquela estrada cujo barro já estava sêco.
Deparei-me logo com longas pilhas de telhas de barro numa altura de 2 metros.
Telhas usadas que impediam-me de seguir adiante.
Consultei meu sentimento e este inspirou-me a transpo-las vagarosamente usando muita observação e sensibilidade no coração.
Assim fiz, subi naqueles acúmulos..
Ao transpor a carreira inicial de telhas, observei que estas, elaboradas em barro grosseiro, estavam sujas, envelhecidas, com aparência putrefata e triste .
Pensei: – “Apesar da leveza que estou sentindo, qualquer peso que reste, ao pisar, poderia ocorrer quebras”!
Mas, isto não aconteceu , e senti que deveria seguir pisando-as.
Até parecia que aquelas tôscas e apodrecidas telhas desejavam que fizesse isso…
Consultei o coração e percebi que estas tristes coberturas deram abrigo a sêres de extrema pobreza de espírito, com muita amargura e infelicidade no coração, por isso apresentavam esta aparência tosca e primitiva.
E na medida que seguia, por pensamento escutei velhas histórias contadas pelas velhas telhas.
Histórias que não desejava ouvir .
Histórias de lamento, choro e muita solidão.
Histórias que enchiam minha alma de pena.
Histórias que deixavam muita tristeza no coração.
Aquelas miseráveis telhas queimavam e meus pés pareciam estar pisando em brasas, tamanha a quentura que emanavam.
Mas todo este terrível calor desaparecia a cada passo dado adiante e ao olhar para trás notava que aquelas antes tôscas, e velhas feias telhas de barro ruim, tornavam-se agora novas e de barro bom.
Mágicas telhas novinhas para uma nova e linda moradia…
Desci, finalmente daquele monte transformado e de alma feliz, e segui adiante.
Logo adianta deparei-me com uma nova pilha e novamente subi.
Era um monte de telhas bem maior, de barro bom, com uma leve pelicula como cobertura.
Eu deveria admirar-me com a beleza daquelas lindas coberturas.
Observei a sua textura e percebi que eram duras como rocha, mas notei, entretanto que eram frias como a neve e imediatamente senti meus pés gelarem.
Aquela frieza causou-me aflição.
A cada pisada, meus quentes pés gelavam gradativamente e pareciam sucumbir.
Então parei, e voltei o pensamento para o coração tentando entender o que estava sentindo por aquelas lindas telhas…
Não consegui, por pensamento ouvir nenhuma história ali, uma mudez total.
Senti, então, que aquele gêlo era fruto da indiferença.
Entendi, que aquela algidez nos pés, era devido àquela película que isolava e não deixava revelar o verdadeiro sentimento , representava o isolamento a indiferença e ausência de sentimento daqueles que viveram sob aquele teto.
Entretanto, debaixo daquela frieza irradiava uma imensa energia revelando sêres de imensa doçura e bondade, porém alheios a verdade e vivendo um mundo só dêles, desprovidos de quaisquer sentimentos de solidariedade.
Fechei os olhos, imaginando todos aqueles que viveram sob aquelas lindas e frias telhas, incluindo-os numa imensa corrente de humildade, fraternidade e amor.
Como num passe de mágica, e como se raios do sol os atingissem , meus pés começaram a aquecer-se e a cada passo dado, não mais sentia a frigidez daquelas pobres telhas.mi
E ao olhá-las notei que aquela película protetora não mais existia, e aquelas telhas, desta vez sem falsas aparências estavam prontas para cobrir uma nova e verdadeira moradia…
Minha alma transbordava de felicidade, ao olhar para aquelas telhas novinhas, de barro bom e sem película isoladora, que pareciam saudar-me.
Desci daquele monte agora aquecido e segui em frente.
Encontrei nova pilha de telhas. Eram feitas em barro bom, com uma camada de proteção cozida na mesma têmpera e de boa procedência. Ao invés de subir neste novo monte, por pensamento foi –me sugerido entrar dentro dêle através de uma brecha, como numa caverna.
Mas ali não havia escuridão e sim um ambiente amplo e bem iluminadao.
Notei que realmente ali era como uma uma imensa caverna, um templo, com muitos pilares de sustentação, todos formados por boas telhas de todos os tipos e textura, que emanavam muita energia.
Maravilhado, vi muitos e todos os tipos de telhas: – Maiores, menores, e de todas a dimensões possíveis e imagináveis.
Tinha até telhas simbolizando as cores do Taj-ma-hal em tons de mármore branco, mas que assumiam tons em rosa na medida que a iluminação mudava.
Haviam, entretanto, telhas empilhadas em diversos cantos abandonadas pobremente naquele templo.
Consultei novamente o sentimento e notei que estas emanavam muita energia boa, mas eram possuidoras de uma aparência triste causada pelo abandono e pela aparente inutilidade.
Apanhei algumas e notei que eram imperfeitas se comparadas aos padrões, dimensões e arquitetura das demais. Estavam lá, empilhadas pelos cantos como estorvo, não utilizadas, intocadas. Senti, que para as demais e perfeitas telhas, estas imperfeitas eram discriminadas, desnecessárias, descartáveis , inúteis.
Toquei-as e senti que a energia que emanavam era imensa. Aquele bom calor aquecia meu coração fazendo-o transbordarde alegria e emoção.
Quanta coisa boa vinha de lá…
Senti que as demais telhas perfeitas estranhavam a minha especial atenção e interêsse por aquelas abandonadas e “inúteis” telhas empilhadas pelos cantos.
Por breve instantes julguei-as más, impertinentes e egoístas, porque julgavam-se superior aquelas que não serviam para cobrir telhados.
Logo, logo, então, refleti que esta rejeição estava na ignorância do seu fabricante e montador ao torná-las inúteis.
Fechei os olhos e imaginei as imperfeitas telhas ao lado das “perfeitas”habitando o mesmo ambiente e aconchego.
Neste momento, aquelas perfeitas telhas ao meu redor também sonharam o mesmo sonho meu .
E, num passe de mágica, as imperfeitas telhas não mais estavam empilhadas naqueles lúgubres cantos do abandono.
Meu coração novamente transbordava de emoção ao ver aqueles mesmos como iguais:
-“Telhas <perfeitas> cobriam e sustentavam aquela caverna e as <imperfeitas> ornamentavam gerando muito encanto em lindos e multicoloridos vasos de flores e muitas lanternas de luz, transformando e tornando maravilhoso aquele imenso templo.” !
Notei, coisa que não tinha observado até então, que aquelas telhas perfeitas e aquelas consideradas agora especiais, possuiam lindos rostos humanos entalhados no seu centro. Nêles havia um sorriso de bondade e em
seus olhos vertiam lágrimas de brilhante felicidade.
Ao afastar-me deles, notei uma forte emanação, como se fumaça fosse, um imenso pilar de luz ligado ao Universo.
Sai daquele templo de telhas e segui até …
Encontrar um novo e fulgurante monte de telhas levemente esverdeados, cor de erva~mate.
Sentia um leve aroma de chimarrão à medida que me aproximava daqueles tetos empilhados sem quaiquer cuidado
Eu conhecia aquelas telhas, meu triste coração dizia que elas não deveriam estar ali, mas no solar em pé, na rua Tnte. Max Wolff Filho, 439 na cidade de São Maeus do Sul como patrimõnio histórico construído nos anos 20 do século XX num período de abundância na exportação de erva-mate,período de muit riqueza local…
Minha família, minha história de vida, estava armazenada naquelas telhas!
Subindo naquele monte, notei que já não mais pisava em telhas, mas em fotografias de todos os tamanhos, contando-me a história da família Guimarães em quatro gerações em preto e branco e a cores…
Enquando passava por aquela imensidão de fotografias, quadros e retratos, apanho uma especial com o tio Leonício com um violão cor de jade que era da vó Hilda. Imediatamente vejo-me transportado no espaço-tempo para:o distante ano de 1964, num sábado, eu estava lá nos meus memoráveis treze anos na captura da imagem pela Rolley Flex do meu pai, na varandola do Solar dos Guimarães.
O fotógrafo focava o principalmente o violeiro, que no momento cantarolava modas sertanejas acompanhado do belo violão. Ao lado dele mais ao fundo à esquerda estava o vô Simplício, que logo após o banho, sentava-se no seu tradicional banquinho. Naquele momento brincava com a prima Ceni ainda criança, tendo ao fundo como paisagem a casa do seu Faty Kaminsky.
Enquanto viajava no tempo com todas aquelas lembranças vi-me transportado para dentro da vibração das cordas daquele fabuloso violão, cujas notas entoavam uma moda de viola” Linha de Frente” de Tião Carrero e Pardinho, que cantava assim:
” Pra cantar pagode eu tirei patente
Meu peito é bom e eu sou competente
Eu não tomo toddy e nem ovo quente
Morra meu passado viva o presente
Que o meu futuro está pela frente…”
Ainda de olhos fechados, no mesmo instante notei que aquelas cordas de aço já não vibravam sob o ritmo cateretê, mas ao som de um outro ritmo, e quem estava agora ao violão não era mais o tio Leonício mas sim a vó Hilda que dedilhava uma linda valsa brasileira, Branca.
Embalado por aquelas ondas sonoras transportei-me desta vez aos anos 20 para Rio Negro, uma cidade não muito longe dali, onde vislumbrei uma jovem professora sendo conduzida em sua carruagem, por um jovem cocheiro.
Seu nome era Hilda e, no momento retornava da escola em que lecionava, numa breve parada próximo á praça principal, um jovem elegante aproxima-se da charrete, cumprimenta-a e inicia as devidas apresentações. Entretanto a jovem, sem o menor intenção de dar atenção ao elegante interlocutor, pede para o cocheiro acionar os cavalos e sair no mesmo instante dali.
Numa rápida e inesperada e brusca ação o galante interlocutor bruscamente resolve tomar as rédeas do jovem cocheiro e esperar que a senhorita respondesse, cuja resposta que teve foi de uma rápida e breve chicotada, partindo em seguida.
E assim, desta maneira tão singular começou o namoro de Hilda e Simplício, que logo casaram foram morar em São Mateus do Sul inicialmente na Fazenda do bisavô Francisco no Potynga, onde minha mãe Linnéa nasceu, e depois no Solar dos Guimarães, doada para meu avõ Simplício na cidade,cuja construção já havia sido concluída e no início dos anos 30.
O Solar dos Guimarães construído na década de 1930 foi a primeira casa em alvenaria da cidade, cuja construção era reflexo da pujança da era do mate, que era a riqueza principal da cidade, considerada à época como Terra do Mate, com movimento intenso de navios no seu porto levando a erva mate para todos os cantos do mundo…
Despedi-me daquelas lembranças familiares e segui adiante pela estrada onde, após alguns passos, vi-me ao lado de uma pequena cabana feita em tábuas de todos os tamanhos e proporcões, toda pintada numa mesclagem única.
Realmente não haviam tábuas iguais e a pintura era uma só cor, no telhado havia cobertura de telhas perfeitas
e imperfeitas, e dentro, muitos vasos de flôres e lampiões feitos com telhas especiais que davam muita vida e luz aquela humilde choupana.
Fui recebido por um senhor não muito idoso, ou seja, nem muito novo, nem muito velho. Com os braço abertos em sinal fraterno, carinhosamente, fez-me entrar.
Falava comigo por pensamento num dialeto que eu desconhecia, entretanto, numa tradução instantanea, fazendo-se entender, apresentou-se a mim como “montador de telhados”.
Com um único gesto, chamou-me próximo à janela e mostrou-me um terreno ao lado com um imenso barracão industrial, rodeado de uma grande cerca com arames farpados totalmente eletrificada, e vigiado por muitos e ferozes cães com suas afiadas mandíbulas.
Ao fundo e ao lado deste barracão e em quase todo o terreno., haviam imensas pilhas de telhas velha e novas, ao relento. Telhas tristes e aprisionadas como se almas ainda tivessem, mas que não mais lhe pertencessem…
Ainda sem falar uma única palavra., e só por pensamento, considerou-me que o dono daquela área toda cercada era alguém muito poderoso, que possuia muitas e muitas telhas, aprisionava-as e as destruia, sem construir um único telhado para abrigo. Tinha-as pelo tempo que desejasse e delas era senhor, com o poder da destruição quando bem desejasse.
Tomado pela emoção, o Montador de Telhados fitou-me profundamente e, meus olhos viram brotar dos seus duas lágrimas que rolaram pelo rosto
Agora, debruçado ao parapeito da janela daquela cabana contou-me toda sua história de vida como montador de telhados e meu coração sentia um pedaço de alma e história de vida a cada telha retirada.
História real a cada telha retirada, que contava a alegria das festanças da fartura, a sensualidade, a felicidade das núpcias, o aconchego dos filhos, o andar rápido da vida e o passo vagaroso da velhice.
Também histórias tristes com a infelicidade da separação, vícios e morte.
Histórias de ventos, vendavais e a tristeza da estiagem.
Sua alma estava repleta de histórias contadas pelas telhas e em todas pude entender que a linha tênue que separa a felicidade do infortúnio é a a mesma que acorrenta o amor…
O som da sua voz no meu pensamento era muito suave e as palavras eram constantes com pequenas pausas.
Pausas que traziam momentos de profunda reflexão em minha alma. E vi que seu maior sonho era construir muitos telhados com aquelas telhas ali aprisionadas no terreno ao lado.
Dizia-me, que aquelas subjugadas telhas eram boas, mas venderam-se em troca de vantagens, e a partir daí nunca mais foram donas de si, e ficaram aprisionadas infinitamente por aquela cerca e vigiadas por ferozes cães.
Novamente consultei o sentimento, fechando os olhos, mentalizando aquelas infelizes telhas prisioneiras, e percebi horrorizado que a energia que eletrificava aquela imensa cerca e a comida que alimentava aqueles ferozes cães, era fornecida por nós mesmos, em cada mentira, cada blasfêmia, pela corrupção, pelas discriminações, pela arrogância e principalmente pela mentira e pela vaidade!
Logo, após isso, saí daquela pequena e aconchegante cabana, vi-me transportado para um imenso estádio, totalmente lotado.
Sem dizer uma única palavra e apenas por pensamento ali falava o Grande Montador de Telhados para aquela imensa platéia!
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“O espírito ‘a vida que sacrifica a própria vida”.
Ivan Carlos Guimarães Guedes
10-07-2023
Causos do Isidório
“Pregado na parede do armazéi tinha um cartais anunciando um grandiozo baile de carnavá na cidade com uma déssas banda famósa, os “Pára-choque do Fracaço”. Dizia no cartais qui quéi formasse uns blóco de carnavá só pagava metade da entrada.
Déu o maió ribuliço na region, éra só gente comentando qui iam no tal baile e tavam tudo preparando as fantasia pra formá os blóco pra pulá no salon. Inté cunvidaro iéu pra i junto no blóco dos marinhero, iéu non achô boa idéia inté proque aqui na roça num téi mar e néi naviu. Veio tambéi o pessoal dos prisidiário cumas ropa listradinha cunvidando iéu, mais cumo quiá iéu vai de preso siá inté hoje nunca posô nenhuma noite na cadeia, nun era dessa véis qui ia mi visti de zebra.
Pro fim o pessoal dos fantasiado de jogador de futeból co corintcha, até achei qui pudia aceitá, inton oferecero a camisa dum tál de Ronardo Gordo, quiriam mi pintá de iscurinho e ponhá uns dente postiço qui néi coeio e inton pulei fora, vai que apareçam uns camarada vistido de muié e queram me atacá.
Sendo ansim, já tava quase qui disistindo da idéia de i no tal do baile quando veio idéia de mi fantasiá de espantaio, era só ponhá umas paia nas manga, nas calça e abri os braço. Funcionô direito, me preguntaro na entrada onde tava o resto do blóco e iéu falô qui espantaio só téi um na roça e os passarinho iam chegá mais tarde.
Me dexaro entrá e era um baile diferente, tudo mundo fazendo treizinho, pulando abraçadinho dando vórta no salon, cantando aquela marchinha cunhessida do tipo “oia cabeléra do Polaco, será qui iele é fraco, será qui iele é fraco” ou inton, “mai iéu quero, mamai iéu quero, mamai iéu quero pastá”; tinha os otro qui cantava “dotô iéu non mi ingano, méu coraçon é ucraniano”.
Iéu ali parado cos braço aberto sin si mexê até qui o cantor da banda convidô iéu pra cantá uma musca já qui iéuásô meio metido a cantor. Disse qui non só pra fazê cena mais o povo intero pidiu qui iéu cantasse umazinha só e lá foi iéu pra cima do palco. Mi déro o micronfone e inton tasquei umas polaquera do tipo “pidolido sonsoronzo sonsoronzo pidolido” e mintusiamei e fiquei ali cantando qui néi passarinho
e vistido de espantaio.
Quando abri os zóio vi qui o pessoal pararo de dançá e mi oiavam cumas cara isquisita, os vistido de índio começaro a me atirá fléxa, as de baiana tiraro as banana da cabeça e jogaro ni iéu, os ca cara do Lula pararo de tomá cachaça e diziam bobage inté qui mi ispantaro do palco.
Desgracera mésmo, priméra féis qui ispantam o espantaio. Agora iéu vai ter qui agüentá 40 dia de quaresma pra voltá a cantá nos pálco, inda béi que carnavá é só uma véis no ano.”