Sempre a mesma coisa…

Em 1983, numa sexta-feira, dia 28 de outubro, saí de São Mateus do Sul, com minha família : mulher e dois filhos, em direção a Campinas para uma nova vida. Maurício com 6 meses, tendo nascido em abril, chegou no colo da mãe e entrou no Edifício Camboriú, sábado, no apartamento 111.

Neste ano de 2016, passados 33 anos, numa sexta-feira, dia 28 de outubro, esperamos que Lucas com 6 meses, tendo nascido em abril, chegue no colo da mãe e entre no Edifício Camboriú, no apartamento 81.

Hidroginástica.

Tenho ido regularmente, na expectativa de me ajudar na recuperação. Não sei se funciona mas aposto na drenagem linfática dos edemas que insistem em morar na minha panturrilha esquerda. Tenho feito exercícios mais suaves para não comprometer a cicatrização interna. Mas não é disso que quero comentar. Veja bem : somos um grupo de velhotes, mais velhotas que velhotes. Usualmente somos dois, eu com 67 e o Ozy com 79. O interessante é o nome deste colega : Ozy. Nunca pensei que encontraria alguém com esse nome, além da avenida que corta Samas ao meio. Ozy é muito divertido mas vive implicando com o professor – não sabemos se é de verdade ou “às brincas”. O professor é um crioulão forte (aqui escrevo assim para explicar, sem preconceito é claro; claro? não, é preto mesmo) que gosta de saracotear no tablado, à guisa de dança. As mulheres adoram. Já Ozy, não. Olha para mim e repete toda vez : mas é uma bichona mesmo, mas que bichice, mas que não sei o quê… Isso toda santa aula. Às segundas, porque é o único dia da semana que vai e quando, invariavelmente, se despede com um “bom fim-de-semana a todos”. Bom fim de semana, seu Ozy? mas hoje é segunda-feira ainda. E ele ri, divertido…

Nesta última aula, uma das mais assanhadas saiu-se com ” Dia da criança é uma vez só, mas o Dia dos Homens é todo dia, porque pra aguentar essa mulherada, só sendo uns santos mesmos”.

Comentei com Ozy : esse é o primeiro elogio que recebo este ano.

Pássaros.

Aqui também cantam, principalmente cedinho. Da minha janela observo os casais de maritacas que pousam no casarão sob o prédio. Do outro lado da rua Uruguaiana está o Bosque dos Jequitibás, refúgio de inúmeras espécies. Há os tucanos, que fazem um barulhão ao cruzar para a rua Proença, onde um morador serve frutas na sacada todo dia. As rolinhas aos bandos vêm dos lados de Valinhos, pontualmente às cinco e meia da tarde para se abrigar nas árvores gigantes do Largo São Benedito, para desespero dos moradores do entorno, que reclamam da sujeira deixada na praça. Imagine milhares de passarinhos todo santo dia e o resultado da noite nas calçadas. Gosto dos urubus, que pousam silenciosos no ponto mais alto do edifício Ipanema, ao lado do meu. Ficam horas se espreguiçando ao sol, que aqui nunca falta. Há pássaros que cantam, outros são silenciosos, alguns barulhentos. Mas tudo é vida pulsante.

Ontem e hoje.

Poucas novidades. Ontem, fisioterapia, musculação e hidroginástica. À noite, visita do treinador. Vamos mudar o treinamento, adaptando para uma maior carga cardiorrespiratória, ou seja, fazer exercícios com pouca ou nenhuma interrupção. A ideia é elevar o ritmo cardíaco para compensar a falta de exercícios aeróbios. Tudo certo.

Os três filhos no exterior : uma que já mora lá, outro sempre viajando – deve ter chegado em Berlim hoje cedo, estamos aguardando notícias – a mais nova viajou hoje cedo com o marido em viagem de férias para o Chile.

Filhos com boas notas e dedicados aos estudos merecem parabéns sempre. Parabéns a eles.

Hoje, fisioterapia pela manhã. Depois do almoço, levar M para comprar um berço para o neto. Ela quer acomodar bem o menino. Não digo nada, não dou palpite, só vou pagando.

Depois, fui à musculação. Agora, acomodo-me na espera do silêncio do feriado de amanhã. Um dia típico, em que não saio de casa para nada.

Com a vinda ontem da faxineira (aqui chamam assim, demorei para me acostumar, quando a gente falava diarista ninguém entendia), a casa finalmente ficou limpa. Ainda não completamente pronta, faltam os armários do banheiro e cozinha. Mas ficou mais ou menos. Não gostei do porcelanato da cozinha, achei chocho, cor de areia. Mas como fui eu mesmo quem escolheu, fica por isso mesmo.

Conversando com o guri.

oparapapa. Participarei de um congresso em Jaboticabal e uma banca de doutorado na USP Ribeirao entre 12 e 14 de nov. A universidade vai pagar hotel e passagem. Mas acabaram de avisar que de avião a Fapesp não cobre. Perguntaram se aceito ônibus ou se prefiro ir de carro próprio. Vc acha que eu poderia emprestar o carro nessa data? Muito trabalho dirigir ate la (são menos de 3 horas não?) ou melhor desencanar e abraçar um cometao daqueles?

Oparapapá!
Seguinte – todas as opções são válidas. Não estamos muito acostumados a rodar de carro por aí devido aos seguintes fatores : meu carro está velhusco, há vários pedágios que encarecem a viagem e não gostaria que você viajasse sozinho. De modos que vou oferecer-lhe a viagem de avião pois o gasto é um pouco maior mas você ganha em tempo, conforto e segurança. Sugiro ir no domingo 11 às 13h30   e volta em 15 quinta às 15h, free. Pela Cometa, há vários horários em ônibus simples, 150 reais ida e volta, três horas de viagem.
posolea, muitobrigadinho pela oferta, mas essa viagem é por conta da universidade (transporte, comida, hospedagem). É como pagarão pelos meus serviços. No entanto, não pagarão passagem de avião pq a distancia é inferior a 500km (norma da Fapesp). Se for de carro, gasolina e passagem estão incluídos. Se de ônibus, as passagens. Se vc não aconselha usar teu carro, fecho com o busao mesmo.
Muito bem. Reitero a condição do carro e ofereço as passagens de avião, visando seu conforto, rapidez e segurança. Mas, se preferir o busão, também é legal e normal. Há vários horários além de ser mais descomplicado que os nhém-nhém-nhéms de aeroporto. Pense, resolva e me avise.
agradeço e sigo de busao então.
Muito bem. Se mudar de ideia, reescreva.
Afinal de contas, para que cidade alemã você vai nesta segunda? de quando a quando? sai de Fort Lauderdale ou Miami?

Oct 10 Fort Lauderdale -> Oslo, Norway -> Berlin -> Göttingen -> Konstanz -> Kohln -> Miami Oct 25

saio de fortlau, segunda, para Berlin. De la, vou de trem para Göttingen para um workshop de 2 dias. Sigo para Konstanz de train na divisa com Suíça por 10 dias no lab do prof do Max Planck. Viajo de trem para Khöln no 23, fico um dia la passeando, talvez estique ate Bielefeld para uma reunião, e voo de Kohl para Miami dia 25 a noite. Dia 28 saímos daqui pro Brasil.

Muito bem, entendi tudinho. Faça uma ótima viagem, aproveite bem e divirta-se. Max Planck, hein? Como diz sua mamã, esse é poderoso. Sucesso!

Pois muitobrigadinho. vamos ver no que vai dar. quero plantar uma semente la pros anos vindouros

Muito bem. Que o Anjo da Guarda te acompanhe. O tempo tá bom aí?

ta bao demás!

Sexta, rapidinho…

O furacão desmilinguiu-se na região de minha filha. Já é possível que os aeroportos reabram e as viagens sejam retomadas.

Hoje a menina mais nova faz 30 anos : 7 de outubro de 1986, três anos após eu vir para cá. Saí de minha terra no dia 26 de outubro de 1983, com uma criança de dois anos e um bebê de seis meses. Três anos após, veio essa menina. Três tesouros preciosos.

Fisioterapia às 7h30, seguida de musculação às 10h. Agora, almoço de aniversário, esperando o genro escapar do trabalho e nos reunirmos.

Quarta e quinta.

Atividades do dia.

Compra do jantar na Padaria Luzitana. Levar resultado do exame para o ortopedista Dr.Ricardo. Emprestar o carro para Bel. Marcar e cancelar consulta com fisioterapeuta. Comprar serra de azulejo. Verificar antena da TV, conserto do telhado. Terminar de secar o carpete do carro. Almoçar no restaurante Itu. Resolver questão da fisioterapia com Bruno e treinador JV.

Ótima notícia do dia : o menino avisa que “saiu a bolsa de pós-doutorado na ufsc de nov 2016 a nov 2017. a bolsa vem junto com o furacão que chega entre amanhã de manhã até sexta.. jaáestamos preparados.”

Hoje meu irmão João faz 69 anos. Está judiado, magrinho, envelhecido, triste com a viuvez, maltratado pelo Mal de Parkinson.

Desmarquei o fisioterapeuta novo, marquei com o antigo. Iniciarei as sessões amanhã cedo. Assisti dois filmes no Netflix. Compra de jantar na Luzitana, uma sopa pavorosa, muito salgada, amanheço com as mãos inchadas. A atendente é imigrante haitiana, aproveito para falar em francês com ela. Comentei do furacão Matthew, que promete devastar a Flórida nesta quinta. Já passou no Haiti deixando muito prejuízo e sofrimento. Minha filha está assustada, o marido foi para a Califórnia a trabalho. Ainda bem que Maurício está com ela. O neto está comendo muito. Daqui 20 dias estará aqui.

Hoje, quinta, fiz a primeira sessão convencional de fisioterapia. É aqui perto mas tenho que ir de carro. Estou impedido até de andar pela rua sob pena de agravar a lesão. Passei pelo gelo, choque, ultrassom e alongamentos. Depois, fui na academia e fiz uma sessão longa somente para superior, com três séries de 28 repetições. Mate e almoço no restaurante; esta reforma na cozinha não tem fim. Passar na médica de M e pegar receitas e exames e amostras grátis, tudo inútil, já que não observa as prescrições. Dane-se.

 Agora à tarde, vem o fisioterapeuta domiciliar. Já é quase um cuidador de idosos…