Sexta-feira, 30

Tomar sol pela manhã, 20 minutos para 300 metros, umas paradinhas aqui e ali, uma que outra reclamação “abaixe mais o braço” “mais devagar” e vamos indo e vindo. Catou algumas folhas de grama para a gata, senta-se um pouco no banco do jardim e às 9h15 volta para dentro. Daí, vou à musculação e mais 4km na esteira. Volto às 11h. Mate, jornal e almoço, agora preparando para mais uma sessão de M, a 15km daqui, às 15h. Depois, vou descansar. O convite para o reveillon vou recusar : não saio à noite, não bebo, não durmo tarde. Já disse : faço todas as suas vontades menos essa. Se preferir, pode ir com a filha e o genro na casa da mãe da tia da sobrinha do avô do genro. Eu, não. E fim de papo.

Se leu tudo e gostou, ótimo. Tenha um excelente 2017, apesar da posse do prefeito. No mais, vai dar tudo certo, tenho certeza. Filhos e netos e familiares, cada um tem seu plano. Que todos dêem certo, aqui e aí. Quanto a mim, estou já na expectativa, fazendo orçamento, para a próxima viagem em março. No dia 3 de abril comemoraremos o primeiro aniversário do neto. Que já está ficando em pé sozinho, engatinhando, e indo que é uma beleza. Benza Deus, graças a tanta saúde e alegria. Aí e aqui.

Quarta, 28

Treino de hoje : 5km de rodagem leve na pista. Deveria ter ido à academia para musculação mais esses 5km mas aproveitei a boa vontade de M em aceitar ir tomar sol no parque; foi devagarinho, desce do carro devagarinho, andamos até a pista devagarinho e ali anda um pouco para lá e para cá durante uns 20 minutos enquanto faço meu exercício. Ontem iniciou um novo tratamento – chamado de técnica Alexander – com uma terapeuta de SP (atende aqui uma vez por semana). Voltou alegre porque conseguiu destravar o joelho esquerdo e deixou – pelo menos por enquanto – de andar com a perna dura, tipo Ulisses Cangussú. Vamos ver até onde vai essa animação, a 140 reais a sessão. Vida dura…

Vale a pena ler com paciência.

Escrito pelo Dr.Dráuzio Varella, médico e maratonista, o texto desvenda a chegada da velhice e o medo de não conseguir fazer o que se gosta ou o que é preciso.

Não é que o exercício faça bem, a vida sedentária é que faz mal ao corpo

24/12/2016  02h00

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2016 foi um ano difícil. Não digo apenas pelo caos político e a pior crise econômica de todos os tempos, mas por mim.

Corro maratonas há 23 anos. Acordar mal-humorado às 5h, vestir o calção e calçar o tênis, resignado, é parte de minha rotina como examinar doentes ou tomar banho.

Não o faço por apego à ideia de que assim viverei mais tempo; nem mesmo sei se percorrer distâncias tão longas é saudável. Nas provas, lá pelos 35 km, a expressão facial de meus companheiros de infortúnio é miserável, chego a duvidar que tamanho esforço seja bom para o corpo humano.

Libero/Folhapress

Nesses momentos, procuro me excluir dessa massa de mulheres e homens destruídos pelo cansaço da prova, acho que não estou mal como eles e que resistirei à vontade de chorar de dor nas pernas.

Fico em dúvida, no entanto, quando percebo neles uma expressão de pesar ao olhar para mim. Pior ainda quando, ao ultrapassar, me perguntam: “O senhor está bem?” Senhor é a senhora sua mãe, tenho ímpetos de responder.

Quando completei 70 anos, enfrentei uma crise nada existencial: quantas maratonas ainda serei capaz de completar?

Decidi então, correr de três a quatro por ano, resolução que me obrigou a manter a rotina de treinamentos intensivos que tortura todo corredor forçado a sair da cama antes de o dia clarear.

Quando você, leitor, ouvir alguém que se gaba de acordar louco para fazer exercícios, não fique complexado: é mentira. Como eu sei? Se existisse tal disposição eu a teria sentido pelo menos uma vez nos últimos 23 anos. Para mim, levantar da cama e começar a correr sempre foi sacrifício; todas as vezes, sem uma exceção sequer.

A disciplina com os treinamentos deu resultado. Em 2013, fui o primeiro colocado na faixa acima de 65 anos na maratona do Rio e na de Buenos Aires, com tempos que me classificaram para a maratona de Boston de 2014.

São seis as maratonas mais importantes do mundo: Nova York, Chicago, Londres, Berlim, Tóquio e Boston. Dessas seis “major marathons”, Boston é a mais elitista, a única que exige o pré-requisito de haver corrido uma maratona internacional, nos 12 meses anteriores, num tempo mínimo que varia com a faixa etária.

Nas rodas de maratonistas –mulheres e homens que falam de corridas o tempo inteiro–, contar que já participou de Boston provoca interjeições de admiração. É o sonho de todos.

Corri a de 2014 sob a vigilância de um policial armado a cada cem metros e dos helicópteros em voos rasantes, mobilizados por causa do ataque terrorista do ano anterior. Em 2015, no auge do preparo físico, fui selecionado outra vez.

Na metade da prova, senti um choque na planta do pé esquerdo, sintoma que aparecia de vez em quando nos treinos mais longos. Cem metros à frente, novo choque, seguido de outros, cada vez mais frequentes e intensos, que anestesiaram o terceiro e o quarto dedo. A partir do 30º quilômetro foi um martírio, era como se milhares de formigas alvoraçadas me ferroassem a planta e os dedos do pé.

O bom senso aconselharia a abandonar a prova, mas sensatez não é o forte das pessoas que correm 42 km. Quando cruzei a linha de chegada, meu pé esquerdo parecia pertencer a outra pessoa.

Paguei caro a teimosia; estava com um tipo de fibrose num dos nervos do pé, que me deixou dez meses quase sem correr. Depois de várias palmilhas e outras tentativas infrutíferas, acabei operado em julho deste ano.

Três meses mais tarde, fui voltando devagar. A inatividade trouxe dois quilos a mais, roubou parte do meu fôlego, da resistência, da disposição para o trabalho e do bom humor, estragos reparados assim que comecei a correr.

Estou longe da melhor forma física, mas a diferença em relação ao período inativo é abissal. Não me refiro somente à sensação de bem-estar que os músculos cansados proporcionam, mas ao impacto psicológico. Além de rebaixar os níveis de felicidade, a inatividade veio acompanhada de um certo pessimismo diante dos problemas pessoais e dos desafios que a vida no país impõe neste momento.

O objetivo da última coluna deste ano, caríssimo leitor, é convencê-lo de que passar os dias sentado é muito ruim. Não é que o exercício faça bem, a vida sedentária é que faz mal ao corpo e ao espírito.

Terça, 27

Treino de hoje : 7 tiros de 200m x 200m, em 57″ cada. Treino realizado na pista do São Bernardo, às 9h, sob um calor de quase 30 graus. Levei M para andar um pouco. Há uma escada com 20 degraus para acesso à pista. Esta é a pior parte para ela, descendo um a um com apoio. Para subir, é pior. Tomou sol e andou quase 200m. Ficamos nisso. Volta para casa, mate e feijão com arroz.

Aí embaixo, as fotos mostram o avô e avó de Lucas. Ele tem 62 anos e ela, 50.

Segunda, 26.

Treino de musculação, começando com 4km na esteira e terminando com mais 1km. O cardápio de festas me faz um estrago danado no peso. Preciso fazer um esforço redobrado nesta semana para manter a forma. Não que eu tenha sucumbido à minha tradicional gula. Pelo contrário, comi pouco mas de tudo. Mesmo assim, já aparece o resultado. Amanhã o treino é mais aeróbio (6km) com nova sessão de musculação. Tudo bem, tudo certo.

Domingo,25.

Chegamos há pouco de SP, almoço com dois irmãos. Leva-se uma parte, eles preparam outra, tomamos mate, conversa comprida e divertida. De volta às 16h, muito calor, chuva iminente pesada. Agora descanso e escrevo, vendo com surpresa já uma pequena postagem. Feliz Natal!

Ontem, reunião em casa da filha com familiares nossos e deles. Cada um contribuiu com um prato, a reunião foi até meia-noite. Durmo tarde e tenho pesadelos. Mas acordo bem disposto, apesar do interfone tocar logo cedo, o porteiro do dia não aparece, ligar para a síndica, ligar para um e para outro.