Domingo, segunda e terça

Hoje, terça : ginástica às 7h30, fisioterapia, musculação. Às 11h, fui buscar almoço porque X estava sendo atendida pelo treinador, das 11 ao meio-dia.

Não sou muito chegado a novidades mas para mim peguei apenas comida japonesa, aquelas coisinhas enroladas que nem sei o nome. Ainda lavei a louça, pois deveria levá-la ao neurologista para consulta semestral.

De olho no relógio pois minha sessão de acupuntura seria às 17h, fiquei no controle. O médico chamou às 15h40 para as conversas de sempre, saindo com as mesmas receitas.

Às 16h50 já estava eu na minha sessão, levando o resultado do exame a indicar cicatrização total e tudo certo. Muito bem. Com essa, fico livre das agulhas até uma próxima ocorrência e 200 reais mais leve.

Amanhã recomeço meus treinos com cautela. Tomara que dê tudo certo. Hoje apenas andei 10 minutos na esteira para experimentar e foi tudo certo. Faltam-me três sessões de fisioterapia mais o retorno ao ortopedista na sexta-feira às 9h40. Tudo certo.

Ontem, segunda-feira, pouca novidade : apenas a fisioterapia e musculação, já com alguns exercícios para as pernas. Foi tudo bem.

No domingo, fui apreciar um pouco a Meia Maratona, que passa aqui pertinho de casa. Esta é a edição número 8 e já fui em cinco delas. Este ano novamente não deu. Tudo certo. Escrevi assim no Garmin :

“Fui apreciar a Meia Maratona de Campinas ao seu final, na avenida A x rua CQ. Encontrei alguns amigos participando. Andei e trotei levemente para mais um mini-teste depois do ultrassom de sexta-feira. Este indica a cicatrização completa da rotura mas há, lógico, um espessamento e fibrose que me fazem mancar. O médico disse para eu insistir sempre, todo dia, para diferenciar dor de incômodo. Hoje foi só o incômodo. Pudera, foram apenas 3,4km dos quais a metade andando. Mas amanhã vou tentar mais um pouco.”

No resto do dia fiquei em casa, nem na meditação fui, um tanto desanimado. Vi o futebol das 11h, o das 16h e em seguida assistimos um longo documentário no Netflix sobre Usain Bolt e acomodei-me cedo para minhas leituras. A casa continua meio virada, com a filha e genro e seus dois gatos, com tudo mais fora do lugar. Mas eles se entendem e vai tudo bem. Quando me enche a paciência de alguma coisa, vou para meu quarto e leio.

No mais tudo bem, tudo em paz. Quando aparece algum comentário, fica melhor ainda.

Sábado, 9

Só fisioterapia e ficar em casa. Fui às 8h30 e uma hora depois já tinha voltado, para não mais sair.

Dia nublado, frio. Organizei minhas contas, fiz uma parte da correção e ficou nisso.

Ao meio-dia chegou o entregador com o fogão novo. Despachei-o com uma gorjeta de 20 reais pelo trabalho de carregar esse trambolho do caminhão até aqui dentro.

Instalei-o agora à tarde. Está funcionando normalmente. O aposentado vai de 🎁 para a síndica. Habitualmente oferecemos a ela os equipamentos que trocamos em casa, tipo eletrodomésticos ou móveis.

Sexta-feira, 8

Acordei cedo, às 5h, pois tinha exame marcado às 6h45. Cheguei lá às 6h30, guiando com cuidado ainda no escuro, quando os malucos de sempre avançam nos sinais de trânsito. A vantagem de ser cedo é ser possível estacionar am alguma rua lateral. Agora, se voc~e encontra o carro depois, aí é outra história; mas me recuso a pagar essas exorbitâncias pelo estacionamento.

Repararam que qualquer estabelecimento oferece estacionamento “conveniado”? É um tal de park isso, park aquilo e te cobram caro para você ir fazer seu exame, a consulta, a compra…

Sempre afirmo que todo santo dia a qualquer hora há sempre alguém tentando lhe passar a perna. Portanto, fico atento e sempre que possível salto fora dessas armadilhas.

Enfim, o exame – apesar de ser pelo nosso desprestigiado plano de saúde – foi autorizado rapidamente e me atenderam pontualmente. Tanto é que, às 8h, já estava de volta em casa, não sem antes comprar pão no Nico. Ali encontrei e cumprimentei um companheiro de musculação do Poeira House.

O exame foi rápido, o médico jovem de 28 anos, educado e paciente (na verdade o paciente sou eu…) com minhas histórias e o resultado foi confortador.

Seguinte : já está cicatrizada a rotura, formando uma fibrose responsável pelas dores que sinto ao correr. Solução : amaciá-la com fisioterapia, alongamento, massagem, liberação miofascial (aquele rolinho de espuma dura que te faz gritar), fortalecimento muscular. Parece bonito mas…quando vou voltar a correr?

Pelo jeito vai demorar mais um mês, no mínimo. Tudo bem. Voltei à fisioterapia, de lá à musculação, onde aproveitei para andar na esteira durante 20 minutos antes e 10 minutos depois. Sem dores, só com aquele sensação horrorosa de que vou receber uma dentada de cachorro.

Avisei o médico e o treinador, recebi algumas palavras de incentivo e ficou por isso. Amanhã continuo na fisioterapia e vou andar na rua. Mesmo que chova, como hoje.

Cansei na musculação. Almocei pouco. Levei-a ao supermercado. Gastei 183 reais. Hoje chegam meus hóspedes rotineiros. Por isso ela faz tantas compras, apesar deles não ficarem muito em casa. Tudo bem, nem olho a lista de compras, só concordo, pago e carrego. Mas comprei três ou quatro pacotes daquelas bolachas Marilan para minhas excursões noturnas.

Sim, descansei um pouco – um leve cochilo – e tomei três xícaras de nescau ( que antigo isso…) com os tais biscoitos. Agora, escrevo e espio as novidades na TV.

Mas tenho um texto gigantão para corrigir. E começarei logo pois já são 19h20. Hoje escrevi bastante, nada de importante mas rendeu o suficiente para encher este espaço.

Não sei a que horas chegam nossos hóspedes. Com essa crise da semana anterior, o genro tem estendido o expediente. Não está fácil para ninguém. Fui…

Quinta-feira, 7 junho

Amanheceu chovendo. Fiquei espiando pelas janelas para saber se haveria atividade no parque. Fui de carro com intenção de passar na fisioterapia e, em seguida, na musculação. Dito e feito, fiz tudo o que planejei.

Continuo sentindo dores no sóleo, um pouco menos que ontem. No aguardo do médico para buscar a requisição, cá estou enfurnado em casa. Como se diz no Sul, “a cada passo” dou uma espiada nos recados para ver se há avisos do consultório. Até agora, 15h20, nécas.

Meu parça Pacelli veio trazer-me o kit do Rio, às 11h. Um longo papo sobre as peripécias dele nesta prova, maluco que é ao fazer 21km no sábado e 42 no dia seguinte. É uma prova chamada Desafio, ao completar a meia maratona seguida de maratona, num total de 63km em duas “veizadas” (mais um termo original do Paraná).

 

Quarta-feira, 6

Bad news : machuquei-me novamente. Na tentativa de fazer os tais 4km na esteira, fui bem até 3,2km leves em 8,5kmh, quando de repente senti uma “mordida” forte no meio da panturrilha. Parei imediatamente e passei a andar, já com dor forte e mancando.

Terminei o treino disfarçando e voltei para casa. Por sorte, como estava chovendo, fui de carro. Senão, teria que enfrentar uma subida forte até em casa. A academia fica na parte mais baixa da avenida.

Fiz uma compressa de água quente, seguida de bolsa de gelo mas pouco adiantou. Isso aconteceu às 9h e agora, 20h, ainda estou sentindo a dor.

Avisei o médico. Este recomendou fazer uma tomografia. Vou amanhã no consultório buscar a requisição e, de lá, agendarei o exame.

De modos que…volto à estaca zero. Tudo bem, começaremos o tratamento e aguardarei a recuperação. Não é a primeira vez nem será a última.

Mudando de saco pra mala, fomos à tarde ao Extra para que ela espiasse os fogões pois pretende comprar um novo. Vai ser o terceiro desta vida. O primeiro em 1977, amarelão, simples como todos daquela época. O segundo foi presente da mãe dela, um Brastemp branco de 6 bocas, recebido em 1988, já com acendimento automático, uma novidade para a ocasião. Já passou por várias reformas e agora chegou a hora de despachá-lo para a aposentadoria.

Comprei um Eletrolux de 4 bocas, sem grandes atrativos, em 12 pagamentos. Quatro bocas, hein? perceberam a mudança? significa que vai usar menos, muito diferente de tempos passados, quando cozinhava, assava, fritava a todo vapor. Atualmente, anda mais frio e com toalhinha enfeitando.

Deve chegar no sábado e, assim, já tenho serviço : remover o velho e instalar o novo.

É isso. No mais, tudo certo e tudo em paz, agradecendo a chuva mansa desta quarta-feira. Agora, vou passar minhas pomadas mágicas e me acomodar. Fui…

Terça-feira, 5

Há dois anos, num domingo triste, frio e chuvoso, minha cunhada morreu. Aos 65 anos, depois de um longo sofrimento, foi-se sem perceber. Como justificamo-nos habitualmente : descansou. Sim e também seu marido, devastado pelo sofrimento da perda, pelo cansaço da luta de anos, pela desesperança.

Assim é a vida : a morte leva embora cada um de nós. Só não sabemos a data. Penso nisso e me arrepio todos os dias. Sempre me pego fazendo essas contas : foram tantos anos, logo sobram-me apenas alguns.

Quando noto, mudo de pensamento e me lembro dos meus netos queridos, com toda a vida pela frente.

Hoje, fomos ela e eu à ginástica das sete e meia. Para minha surpresa, resolveu me acompanhar, apesar do frio e ameaço de chuva. Mas deu tudo certo, indo e voltando “degavar”, como falam meus conhecidos do interior do Paraná.

Na sequência, fisioterapia e musculação. Voltei para casa passado das onze, em cima da hora do mate. E ainda tenho outro compromisso hoje, às quatro da tarde, com as agulhas a me espetar em mais uma sessão de acupuntura. Pretendo encerrá-las hoje para, amanhã, começar alguns exercícios aeróbios mais vigorosos.

Estava agora há pouco assistindo no YouTube a postagem de um amigo na Maratona do Rio, de domingo passado. Ele faz as provas sempre carregando uma mini-câmera GoPro, a registrar as curiosidades. Desta vez sofreu bastante com o calor e a decepção de ter feito um tempo longo, pois precisou andar. Pretendia, assegurou, fazer 4h15 mas terminou sofrendo com 4h55. Ao final, emocionado, em lágrimas, explicava o acontecido.

Pensei cá com meus botões, zíperes e velcros : como chora esse rapagão, sempre termina as provas fazendo beicinho. Até hoje em minhas 137 provas concluídas nunca derramei uma lágrima. Sempre que as terminei fiquei muito feliz. Tudo bem, cada um sabe onde lhe aperta o calo.

Mas é um grande amigo, gentil e educado. Gosto muito dele. Mas precisa chorar sempre?

Aposentados

Aluno de balé com 80 anos vira exemplo na internet

Após se aposentar, Hélio Haus decidiu realizar o antigo sonho e começou a fazer aulas de balé aos 75 anos: ‘Não tenho tempo a perder’

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Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

20 Maio 2018 | 06h00

Nos pés, as sapatilhas pretas trazem vestígios de quem segue uma rotina espartana de 12 horas semanais de aulas de balé. A preocupação com a posição das mãos indica uma busca da perfeição que é possível. A invejável flexibilidade na abertura da perna apoiada sobre a barra atrai olhares espantados. Para Hélio Haus, usar suas sapatilhas, buscar a melhor posição das mãos e treinar a flexibilidade das pernas são a tradução de um dia perfeito.

+++Seis brasileiros concorrem ao ‘Oscar’ da dança

Hélio Haus, que tem 80 anos e faz balé desde os 75  Foto: Wilton Júnior/Estadão

Hélio é a própria personificação da quebra de paradigmas quando o assunto é o balé clássico. Como a questão da idade. Aos 80 anos, ele apresenta pleno vigor físico e acompanha, com disciplina e empenho, as cinco aulas que frequenta às terças e quintas-feiras no Centro de Movimento Deborah Colker, no Rio, onde é aluno. E só começou a realizar o sonho de criança aos 75 anos, quando a aposentadoria desacelerou seu dia a dia e lhe lançou um enigma: o que você fará da vida daqui para frente? Afinal, desde os 18 anos, Hélio se dedicava quase que exclusivamente ao trabalho. Sua resposta não tardou a vir. “Agora vou me dedicar a mim mesmo, chegou a hora. Não tenho tempo a perder, estou com saúde, disponibilidade, tenho que aproveitar. Pensei: ‘Sabe lá atrás, aquele sonho que estava guardado? Vou colocar em prática agora’”, recorda-se Hélio, em entrevista ao Estado.

E lá foi ele. Acabou passando por várias academias, mas não conseguiu se adaptar a nenhuma delas. “Sou homem, tenho idade, eu era um E.T., porque, em muitas academias, as bailarinas que davam aula não tinham didática, não tinham paciência. Como eu já tinha estudado piano, isso estava me irritando, porque eu sabia o que é uma aula e o que é um aprendizado. Posso queimar etapa em tudo, mas, em educação, não dá.”

Há cerca de 3 anos, começou a fazer suas aulas de balé no Centro de Movimento Deborah Colker, no bairro da Gloria – onde estão concentradas tanto a escola quanto a companhia da renomada coreógrafa. Ali, sentiu-se devidamente acolhido. Atualmente, faz aulas para iniciantes de manhã e mais avançadas à tarde. Nas turmas de adultos conduzidas pela professora Camile Salles, Hélio acompanha com tranquilidade o ritmo dos colegas mais jovens. “Ele está no pique total, não tem nenhuma diferença, faz exatamente o que os outros alunos fazem. Tem giro, valsa, pirueta, tem todos os passos”, diz Camile. “Ele é a pessoa que faz mais aula (na escola), é um superincentivo: a pessoa entra na aula, vê ele fazendo tudo, não tem como reclamar que está cansada.”

Inspirada pela história de vida e por toda dedicação à dança de seu querido aluno, Camile fez uma foto dele durante uma aula e a postou em seu Facebook. A postagem viralizou – está agora em 10 mil compartilhamentos – e chegou a todos os cantos, inclusive ao brasileiro Thiago Soares, primeiro-bailarino do Royal Ballet. “Gosto muito de fotografia. De vez em quando, faço foto em sala de aula, mas é raro. Nesse dia, eu resolvi fazer aquela foto dele. Achei muito bonita, deixei preto e branco, e fiz um texto. Acho que foi tudo junto: a história dele que é maravilhosa junto com uma foto que chamou atenção das pessoas.” Ela não ficou com receio dos haters? “Na verdade, quando postei, eu jamais imaginaria que ia viralizar. A história é linda, não tem nenhuma curtida de ‘raivinha’, e os comentários são todos maravilhosos.”

Fundadora do espaço, inaugurado em 2004, Deborah Colker diz que fica impressionada com a “disposição física e da alma” de Hélio. “O balé não tem limitação da idade. Uma coisa é você ser bailarino clássico e estar no auge. Depois, quando vai se aproximando dos 40, não vai dar mais 5 piruetas, vai dar 3, o salto não tem mais altura x, vai ter altura y. A gente viu isso acontecer com grandes bailarinos. Mas por que ele não pode mais dançar? Tantos bailarinos vão deixando de ser grandes bailarinos e vão passando a fazer papéis diferentes e continuam a fazer aula”, ressalta a coreógrafa. “Aula de balé é algo que faz bem para vários campos, por exemplo, é ótimo para coordenação motora, concentração, musicalidade. Então, por que não tem indicação para uma pessoa mais velha? Isso é preconceito de querer engessar a dança com a juventude, o que é uma bobagem. A dança não pertence ao jovem.”

Experiência. Sobre o sucesso nas redes, Hélio fica sem graça quando ouve que está famoso. “O que é isso? Vim aqui só fazer balé, aproveitar o tempo que me resta”, diz. Sua sobrinha, Mariana Haus Martins, conta que ficou orgulhosa quando viu que a foto do tio tinha viralizado. Mariana é filha da irmã de Hélio, que morreu e de quem ele era muito próximo. Mesmo um participando da rotina do outro, ela diz que não sabia que o tio sonhava em fazer balé. Mas não foi estranho quando soube. “Era um assunto em comum entre nós. Quando eu era criança, assistia muito (a balé), minha mãe sempre me levava”, diz. “Quando ele foi fazer balé, a gente achou bacana, não causou estranheza para ninguém.”

Foi um longo caminho até Hélio Haus realizar seu sonho. Nascido no Rio, seus pais eram estrangeiros: o pai veio sozinho da Polônia e a mãe, com seus parentes, da Romênia. Com apenas 4 anos, Hélio perdeu a mãe. O pai, conta o aposentado, não soube cuidar dos quatro filhos. E a família se desintegrou. Hélio foi estudar num colégio interno, de onde saiu com 18 anos. “Eu só tinha um caminho: toda pessoa pobre, judia, sem nada era encaminhada para Israel”, lembra. Sofreu com a ideia de partir, mas, com a volta do irmão ao Brasil, ele ficou por aqui. Começou do zero. Foi ser vendedor, de porta em porta. Ganhou clientela comercializando roupa de cama e mesa. Trabalhou muito, anos a fio. Nunca casou, porque precisava cuidar de si. Havia pouco tempo para a diversão, mas, quando ganhava convite, conseguia ir às tão cobiçadas apresentações de balé no Theatro Municipal do Rio.

Quando estava melhor financeiramente, fez curso de inglês, que, junto com a leitura que fazia parte de seu dia a dia, o ajudou a entrar na faculdade de Direito, na PUC-Rio. Tornou-se funcionário público aos 38 anos, mais ou menos na mesma época em que começou a estudar piano. Aos 75, veio o balé. “Tudo meu foi atrasado, mas eu fiz. Sei que estou atrasado, mas eu faço para minha satisfação.” E ele já ouviu algo como ‘balé nessa idade’ ou ‘mas você é homem e faz balé’? Nesse momento, a ternura na fala dá lugar à objetividade que só a experiência de vida dá: “Não, porque vivo sozinho e não fui pedir licença a ninguém. É uma coisa que eu sempre quis fazer. Cada um procura o que é bom para si. A história é minha. Eu é que sei, tem que respeitar.”

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