Domingo, 6

Na minha infância, hoje comemorávamos o Dia da Fada, tradição oriunda de nossos antepassados italianos – La Befana, a bruxinha boa.

Começava assim : na noite anterior as crianças penduravam uma meia, a maior que tivessem, na cabeceira da cama, pois ao acordar ela estaria cheia de doces e um dinheirinho.

Continuei este costume com meus filhos até perder a graça, para eles, naturalmente.

Hoje vamos comemorar o primeiro aniversário de minha neta. A festa será das 2 às 5 da tarde.

Há dias estamos em aprontação. Minha tarefa hoje foi de dar dois galopes com o cão para cansá-lo a ponto de não encher a paciência das visitas.

Sempre funcionou. Depois guardo-o na garagem ou dou mais uma volta se estiver muito impertinente.

Aqui fora, ao redor da piscina, estão dispostos brinquedos e balão pula-pula.

Dentro será servido pizza, a cargo de um bufê.

A decoração foi criada e produzida pela irmã mais nova.

Vai ser uma agitação total. Meu sono anterior foi repleto de sonhos, lembranças, pesadelos em geral. Já comentei aqui a minha dificuldade com essas comemorações.

Ainda não as superei. Em outros tempos, uma cerveja atrás da outra dava um certo jeito, às vezes ficando pior ainda.

Dessa desgraça estou livre. Já contei essa história aqui mas não custa rememorar.

Parei totalmente com o consumo de qualquer bebida alcoólica, qualquer tipo que seja, nem um bombom recheado, nem medicamentos homeopáticos à base de álcool, nada, absolutamente nada desde o fatídico dia 17 de janeiro de 1996, em que ouvi uma reprimenda ao meu comportamento.

Nessa data, aniversário de uma pessoa próxima, na praia, churrasco o dia inteiro, whisky e cerveja uma atrás da outra, alegríssimo, de fogo mas medianamente controlado, ainda voltei guiando para a capital, com a família toda no carro.

Dona Onça veio bufando do começo ao fim. Até aí, tudo bem. O caldo entornou quando me chamou de bêbado.

Senti como que uma facada igual à do atual presidente. Internamente revoltado, recebi o insulto sem revidar.

Fechei a cara e fiz a promessa em pensamento : nunca mais volto a beber seja lá o que for, seja em que quantidade surja, em hipótese nenhuma.

E cumpro-a até hoje sem um vacilo sequer.

Ontem, no aniversário, fiquei observando o jeitão de quem bebe pouco, médio ou enche a caveira. Não tenho nada com isso, não julgo, não parabenizo. Cada um que faça o que bem entende.

De minha parte, tomei água e chimarrão. E festejei e me diverti tanto quanto os outros.

Ao final, ajudei a arrumar a casa e me acomodei com as leituras. É isso. Foi tudo bem, sem exagero de ninguém, uma festa bem comportada, crianças correndo e brincando, fotografias, risos, alegria total.

Minha linda netinha também brincou, comeu, riu, foi de colo em colo e depois dormiu a noite toda.

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