Segunda-feira, 25

Segunda-feira, 25

Treino do dia : musculação. Fui às 9h, sob um sol forte logo cedo. Ontem ventou muito, derrubando a temperatura mas hoje voltou à mesma condição.

Encontro no caminho um amigo de longa data, de corridas, gerente aposentado da Caixa. Feliz da vida, saiu há poucos anos através de um PDV, com indenizações, FGTS, outras vantagens e que tais.

Conta, entusiasmado, que mudou-se para uma chácara mais para o interior, comprou mais um apartamento, e que as filhas estão formadas e indo muito bem. Numa segunda-feira de manhã nem todo mundo está sorrindo feliz com o bolso cheio.

Fiquei pensando cá comigo  – diante de tanta animação – na conta enorme que a Petros está nos cobrando. Tenho consultado alguns antigos colegas e todos bufam, preocupados com a dentada.

De minha parte, não estou preocupado. O que tenho e o que deverá continuar vindo com o desconto não me deixam nem mais pobre nem mais rico. Sempre economizei e acostumei-me a ter uma vida simples. Atualmente o único luxo tem sido essas viagens para ver a filha, o genro e o neto. Se conseguir manter isso pelo menos uma vez por ano já está bom.

Nossa despesa pessoal se limita ao condomínio, telefone, supermercado. A parte da farmácia – que era pesada – tem sido devolvida normalmente pela AMS. Meus filhos não me geram mais despesas, cada qual cuida de seus encargos e resta-me os pequenos prazeres de M.

Hoje, por exemplo, levei-a para comprar cachepôs (eu nem sabia para que servia isso) para acomodar suas flores. Sábado quis trocar a cesta de frutas que mantém sobre a mesa. Agora quer uma luminária nova para sua mesa de desenho.

Então, segue o baile assim, assim, com música lenta.

Daqui a pouco ela começa a se movimentar para espiar o que estou fazendo. Significa que paro de escrever e fico matutando nas histórias de infância que pretendo contar. Em breve, neste espaço.

Histórias da infância

Gosto muito. Das minhas e dos outros. A memória é seletiva, consegue diluir as recordações mais tristes e realçar as agradáveis. Contudo, não esqueço das tristonhas, sempre lembro de todas. O que não permito é que elas me deprimam. Uso o artifício do humor e, se não der certo, parto para a direção zen : o sofrimento e o gozo são duas metades iguais e ambos constituem a vida. Não há como se livrar de um ou de outro, é a nossa essência.

Comecei aqui a descrever alguns fatos marcantes de minha vida; acho que dei muita ênfase à tal “precocidade”. Na verdade, queria mesmo é divertir meus leitores. A julgar pela falta de comentários, não atingi o objetivo ou não agradei. Tudo bem. Quem escreve – sem pretensão de ser escritor – expõe-se e não julga as reações. Escreveu, já era…

 

Domingo, 24

Comemorando a 34a. Corrida Integração de Campinas. Desta fez, fiquei sem inscrição. Deixei para a última hora e quando fui me inscrever elas já tinham sido encerradas. Em assim sendo, saí às 7h30 e fui correndo até a largada. Encontrei alguns amigos ( Leandro, Jabá, Mauro) para um papo rápido. Quando o bonde partiu, embarafustei-me no meio da multidão e vim correndo até a confluência da Orozimbo Maia, onde deixei o grupo e voltei para casa, completando os 10km em 1h e em homenagem à prova.

Sábado, 23

Hoje acordei mais tarde. Esse é meu costume : uma vez por semana, geralmente no sábado ou no domingo, fico mais tempo deitado modorrando. Só pulo da cama (agora não pulo mais, saio devagarinho pois a tontura teima em voltar) quando sinto o aroma de café passado. M percebe e levanta mais cedo pois nos outros dias sempre sou eu a preparar o café, arrumar a mesa e remover as roupas do varal, além de tratar de Milu e cuidar da higiene dela.

Pois bem, estava contando que acordei mais tarde. Hoje sem treino, preparei-me para o convite do genro, para me levar a cortar o cabelo no salão que ele frequenta há anos, no bairro onde mora desde a infância.

O convite incluia uma taça de açaí após, com tudo pago. Como recusar? nada disso, aceitei a gentileza e preparei-me, barbeei-me (apesar de ir ao barbeiro, nunca utilizei esta especialidade) e fiquei à espera, às 10h. Pontual, chegou às 9h50.

Depois dos devidos “caminhos de rato” estabelecidos, fomos à sorveteria ali perto. Perto da barbearia, distante 15km da nossa casa.

Um copo gigante de 700ml com cinco acompanhamentos, que traçamos num instante. Muito bom. Já era meio-dia, de modos que fiquei sem o almoço e o mate. Mas valeu a pena o convite, a brincadeira, a longa conversa de quase quatro horas – das 10h às 13h50 – quando me deixou em casa.

Contei histórias de minha infância, da família, do passado, do presente e dos planos do futuro. Um sábado muito agradável em excelente companhia.

Às 15h, levei M a uma loja chamada Multicoisas, onde ela se diverte sempre a comprar bugigangas variadas. Com toda paciência, esperei o quanto ela quis, carreguei o quanto ela comprou. Ainda passamos no Pão de Açúcar para compras básicas e de lá para casa, chegando às 17h. Aí, para compensar, café com leite e pão com manteiga, do jeito que aprecio.

Agora, finalizando este relato, vou iniciar a correção de um longo texto. E amanhã cedo farei uma rodagem de 10km. É isso. Ao deitar, levo comigo “O amor nos tempos de cólera”, para rever algumas páginas e expressões importantes.

Sexta-feira, 22

Treino de hoje : capturar uma foto e guardar aqui.

Segundo treino de hoje : 5km de rodagem leve para recuperação do treino de ontem. Só consegui fazer esta rodagem agora há pouco, às 16h30, porque gastei a manhã toda no banco a resolver uma parada do guri, para receber uma grana do exterior, oriunda de trabalhos anteriores. Temos conta conjunta para simplificar mas nem sempre acelera os procedimentos.

De modos que…lá se foi a manhã toda. Após o almoço, levei M ao Shopping D.Pedro, um trambolho gigantesco daqui, para que ela comprasse mais um raio de um sofá-cama para trocar pelo anterior, com o qual vinha implicando.

Lá se foi a tarde toda entre ir, estacionar, escolher, aguardar o fechamento das notas, combinar a entrega, comprar mais duas poltronas a pronta entrega, enfiá-las dentro do Peugeot e voltar para casa, encher o elevador, desmontar os pacotes e, finalmente, deixá-la curtindo a novidade, enquanto ia ao Bosque fazer minha rodagem.

Agora, cansado e descansado, tomo mate e escrevo as novidades aqui.

Tudo muito bonito, todas as ótimas lembranças, a foto maravilhosa. Gosto de tudo sempre.

Quinta-feira, 21

Dia 21, dia de S., minha terra natal. Sempre gostei muito daí, principalmente na infância. Tive bons momentos, não muitos. Pais severos e exigentes, invernos rigorosos, pouco dinheiro, família encrenqueira entre materna e paterna. Enchentes e ruas com barro são minhas piores lembranças. O Grupo Escolar e o Jardim da Infância com a professora Marilena A. e Julieta R. T.  estão no quesito lembranças médias para boas.

No primeiro ano – devo confessar que sempre fui precoce em matérias amorosas – apaixonei-me aos 7 anos pela colega de classe LWR. Durou pouco. No segundo ano, já me desinteressei talvez por falta de ser correspondido. Afinal, ela nunca ficou sabendo disso.

Lembrança ótima : minha segunda paixão – a professora LFM, do 4o.ano, irmã da L. Durou pouco, logo me desinteressei pois também não fui correspondido. Afinal, ela era casada e não tive oportunidade nem coragem de me declarar.

Vivi em S. até os 13 anos quando fui mandado para o S. em Curitiba. Mandado é modo de dizer. Eu queria mesmo ir. Depois percebi que era a saudade imensa que sentia de meu irmão mais velho, que tinha ido para lá alguns anos antes.

Não deu certo minha experiência eclesiástica. Iniciando a adolescência, as tentações liquidaram com minhas notas boas e minha fama de estudioso. Fui despachado para casa no final de 1964.

No início do ano seguinte, voltei a morar em Curitiba, no S. mesmo mas na condição de empregado da portaria, aos 15 anos, a pretexto de continuar o estudo no Científico, no Colégio Estadual Rio Branco, na avenida Bispo Dom José, a poucas quadras do S., onde vivia e trabalhava. Não consegui acompanhar aqueles estudos, voltados às exatas, eu que sempre estudei “humanas” até então.

Não suportei mais aquele lugar. Meu irmão arranjou-me um trabalho no laboratório do Hospital Nossa Senhora das Graças, das Mercês, onde fiquei instalado para dormir num quartinho nos fundos da igreja dos frades, ali perto na Avenida Manoel Ribas.

Desisti mais uma vez e voltei para Samas, onde em 1966 entrei na Escola Normal e Colégio Comercial. Aí começou tudo a ficar interessante. Mudou minha vida para sempre.

Tenho outras histórias mais escabrosas de minha infância. Não sei se as transcrevo aqui. Então, a quem vai interessar essas confidências?

Treino de hoje : 5 tiros de 300m x 100m de trote leve. Total do treino, entre aquecimento e finalização, 7km.

Perdi o prazo para me inscrever na Corrida Integração, agora no domingo. Participei a primeira vez em 1998, minha segunda experiência. Resolvi na última hora porque M já tinha avisado que não queria ir, dependendo de ficar sozinha, com medo de algum encontrão ou pequeno acidente.

Mas hoje me bateu a vontade de ir. Infelizmente, as inscrições encerraram-se ontem. Tudo bem, faço o mesmo trajeto por conta e fica por isso.

Meus próximos planos serão a Meia Maratona de Londrina em 12 de novembro ou em Sorocaba em 19 de novembro. Não tenho condições de me preparar bem para a Maratona de Curitiba  nessa mesma data de 19 de novembro.

Semana que vem, dia 5, será o aniversário de meu irmão J, completando 70 anos. Não vai ser possível ir pois no dia 7 é aniversário de minha filha aqui. Desta vez, ele estará sem nenhum dos 4 irmãos por perto : JG em SP, eu aqui, G e LA na Itália. Ele ficará sem os irmãos , sem os pais, sem a esposa. Terá a companhia dos três filhos e três netos. Assim é a vida, feita de ausências e mortes.