Sexta-feira, 28

Estou acordando cada dia mais cedo. Em compensação tenho me acomodado também cada noite mais cedo.

4h50 – passando café, tratando da gata.

5h30 – saída para cuidar dos gatos da filha.

7h30- encontro semanal com o treinador na academia do prédio; o parque está encharcado do temporal da noite e madrugada

9h30- fazer compra de mantimentos

15h15 – vou visitar os gatos novamente.

Quinta-feira, 27

5h30- primeira visita aos gatos. Hoje prestei bastante atenção onde deixei o carro para não me atrapalhar na volta.

6h30- de volta, fiz café e espio o noticiário.

7h- aguardo as duas se aprontarem para levá-las ao laboratório, onde farão os exames de rotina.

8h- no laboratório, dona R começa a reclamar da demora do atendimento. Não é demora, é normal. Mas é o costume dela sempre no modo negativo, sempre na expectativa de que qualquer coisa não funcione.

Mas funciona. Então o que sobra? “Essa enfermeira tem a mão muito pesada, ficou doendo a picada.” Sei…

E a outra? Ouço a atendente perguntar “alguém vem retirar o resultado ou será a senhora? ” resposta “acho que o meu cunhado, não sei…” é já olha para mim, que acompanho pela leitura labial.

Apresento-me e confirmo. Volto pata meu lugar. Ela também. Só de teste, pergunto ” a moça marcou meu nome para retirada?”

Resposta: ” não, não disse nada “

Essa é a situação atual: memória recente zero. Tudo que se fala, que se conta, que se combina desaparece em segundos.

Para completar o relato: ontem fiz a segunda visita aos gatos levando dona D comigo para fiscalizar as plantas no apartamento. Ela gosta de molhar e conferir tudo.

Na volta, parei na oficina para recolocar a roda dianteira que foi consertada. Ficou muito bom o serviço mas lá se foram 250 reais, custo da barbeiragem.

15h30- hora de cuidar dos gatos. Está muito calor aqui ameaçando temporal. Vou logo para ligar o ar-condicionado e refrescar o ambiente para eles durante o tempo que fico lá.

E o treino de hoje? Fraco. Apenas andar no parque e conversar com meus conhecidos, das 9h30 às 10h30.

Faço o mate na cuia grande, bem caprichado, erva-mate Legendária.

Dona E lida com uma baciada de massa para esfiha de ricota e manuche.

Manuche é um pão árabe, achatado, coberto com zattar. E zattar é uma maçaroca de temperos sírios com azeite de oliva. Isso tudo para esperar o guri, que deve pousar domingo em Cumbica, vindo dos EUA para compromissos na UFPR.

Dona E trabalha rápido e com habilidade moldando a massa. Enquanto isso a irmã tenta espichar a massa, sem sucesso.

Recomeça, não acerta, mexe de novo, fica pior. Simplesmente não acerta nada. É um desastre completo.

Esquece, erra, olha para o vazio, pergunta alguma coisa aleatória. Encarregada de arrumar a mesa do almoço, faz tudo pela metade, pergunta onde está isso ou aquilo, como se talheres e louça mudassem de lugar.

Esta é uma tragédia anunciada: a decadência progride a cada dia. Chamo de uma pessoa abúlica, palavra que define alguém apático, zero de interesse na vida.

Na próxima semana iremos a Curitiba, onde tem consulta com neurologista. Este recomendou um antidepressivo, que tem a capacidade de deixá-la mais quieta ainda, e um outro para frear a demência.

Deste segundo aí duvido que ajude. Já o primeiro, sim. Mas considerando que não temos certeza se ela toma as doses em quantidade e horário corretos. Dona E tenta controlar organizando as pílulas numa caixinha com o nome dos dias da semana mas o sucesso é próximo de zero.

E a novela do apartamento comprado mês passado segue firme. Os documentos que as duas irmãs e maridos devem apresentar têm vindo a conta-gotas exasperando dona E, ansiada para reformar e tomar posse.

De modo que tudo aqui parece a eleição presidencial: resultado indefinido mas com palpites de todo lado.

Quarta-feira, 26

6h- primeira visita aos gatos. Vou de carro e estaciono na rua, evitando uma longa volta para deixar no estacionamento de visitantes do prédio.

7h- volta para casa. Saio do prédio e vou em direção ao carro. Mas não é o meu porque acostumado a usar o estacionamento vou direto a um Honda cinza. Distraído, tento acionar a chave.

Que vergonha…a mulher ali perto resmunga “ei, moço, esse carro é meu!”

Balbucio uma desculpa, com cara sem graça e só então percebo que deixei meu carro em outro lugar.

Tudo isso para começar bem o dia.

Dona S convence a irmã a se preparar também para a cirurgia de cataratas, marcada para o mesmo dia da minha.

E lá vou eu com elas para o primeiro exame, o eletrocardiograma.

É preciso ajudá-la a preencher a ficha de cadastro, a mostrar o guichê, a isso e aquilo e a tudo. Não faz nada por iniciativa própria.

Na volta, passamos na farmácia. Elas querem tinta de cabelo. Para certos assuntos são espertas.

Em casa às 9h30, tomo café e saio para o treino. Hoje é suave: andar 5km e fazer musculação em seguida. Às 11h30, tudo resolvido.

Preparo um mate tipo uruguaio, naquelas cuias redondinhas. Gosto de variar as cuias, tenho oito, uma diferente da outra. Ontem usei a cuia argentina, pequena e oval. Amanhã será a grande, paranaense.

Terça-feira, 25

Dia de pagamentos e aplicações. Logo cedo acerto os compromissos.

Às 6h estou cuidando dos gatos. Às 7h30 tomo café e vejo a correspondência e noticiário.

9h30 – vou ao oftalmologista para a entrevista com o anestesista. Tudo certo com meus exames e já pago a “diferença do convênio ” de 2.500 reais para uma vista à vista via PIX.

É uma constante essa justificativa de “o convênio não cobre isso e aquilo e aquele loutro”…

10h30- em casa

14h- musculação caseira

16h – segunda visita aos gatos

Segunda-feira, 24

Acordei cedo novamente apesar da canseira de ontem. Às 6h já estava no outro lado da cidade tratando dos gatos.

9h- levar dona Z ao dentista. Meia hora de espera, consulta de cinco minutos, agendando cirurgia para dia 9 do próximo mês. Vai trocar toda a arcada superior, assunto para duas horas ou mais.

Na volta, no supermercado. Ao estacionar fiz uma barbeiragem ao desviar de um buraco e esfreguei uma roda dianteira no meio-fio esfolando-a.

Deixei dona X em casa e já fui para o conserto: 250 reais para fazer o reparo e polir, com promessa de aprontar até depois de amanhã.

Fui descansar um pouco após o almoço mas recebi um recado do cartório e cá estou na fila de espera para ajustar uns documentos.

Este ano não tive sossego um dia sequer.

Domingo, 23

Domingo de corrida de rua, participando da 11a. Volta da Unicamp – 10km

Acordei às 5h30, fui cuidar dos gatos, voltei para tomar café e vestir o traje de corrida.

Saída de casa às 7h, com as duas irmãs a tiracolo.

Socializando com meus conhecidos e amigos, tirando fotos, alongando, aquecendo, urinando mais três ou quatro vezes.

Mas não sou só eu. Todos passam pela ansiedade, que se converte em aperto na bexiga.

Começa a corrida às 9h já com sol e calor. São duas voltas iguais de 5km, minha velha conhecida. Bufando nas subidas, acelerando nas descidas: completo as duas voltas em 01:04:40

Termino forte e inteiro, sem incidentes.

Recebo uma medalhinha chinfrim, de plástico, muito simplória. Acompanham duas bananas e duas maçãs. Era para ser só uma mas peço e ganho dobrado.

Seguindo, vem um isotônico – um líquido azul com gosto de nada – e um picolé. Peço mais dois para as duas irmãs. A mocinha da entrega torce o nariz mas cede, de má vontade, é claro, mas não me importo.

Converso mais um pouco com os velhotes da minha turma, cumprimento e dou parabéns ao organizador e decido voltar para casa.

Às 11h30 já tinha tomado banho, lavado minha roupa e preparado o chimarrão.

Almocei e fui ver os gatos. Liguei o ar-condicionado, me refestelei num sofazão e apaguei.

Voltei agora às 17h.

19h30- meditação

21h- saindo do ar…

Sábado, 22

Primeira atividade hoje: tratar dos gatos.

Segunda: buscar o kit de corrida, bem mixuruca por sinal. Uma camiseta de poliamida, impraticável de usar. É vistosa mas o tecido é horrível, gruda na pele com o suor, esquenta, ferve o freguês.

Uma barrinha genérica e só. Sacolinha de plástico e chip.

Encontrei, como de costume, alguns velhos conhecidos.

Sexta-feira, 21

Tremendo temporal na madrugada, chuva e vento fortes. Acordei cedo e às 6h já estava cuidando dos gatos. Fui cedo para verificar alguma entrada de chuva pelas janelas.

Mas estava tudo bem, sem nenhum incidente. Voltei para o café e a resenha matinal – dona S faz os comentários da irmã e seus achaques. Ouço, dou alguns palpites, concordo com tudo. Fica mais barato assim.

8h30- chega o treinador para nosso encontro semanal. Desta vez na academia do prédio devido a chuva intermitente.

10h- faço compras com o verdudeiro ambulante em frente casa. Cumprimento os vizinhos e gasto 50 reais.

12h- pós-chimarrão, atualizo a conversa com a corretora imobiliária a respeito da nova escritura. Pouco progresso na documentação dos vendedores. Vai demorar essa bagaça.

16h- nova visita aos gatos. Levo dona S junto. É o tempo de chegar e começar a palpitear nos procedimentos.

A menina deixou as orientações precisas quanto às folhagens, gatos, abertura das janelas, iluminação e outros detalhes

Como sói acontecer, dona S resolve mudar o jeito.

Pois que o faça; amanhã coloco tudo na posição inicial.

19h30- reunião do condomínio. Despacho dona S para lá e me recolho para a meditação diária. Fim de papo. Amanhã tem mais.

Quinta-feira, 20

Acordei cedo: 5h50

Fiz café, tratei da gata, fui cuidar dos gatos da menina.

8h30- treino de pista, com 2km leves mais 4 X 400m fortes com intervalo parado de 2 minutos e terminando com 2km leves.

13h- ir ao cartório iniciar os trâmites da escritura. Orçamento: 15 mil reais entre certidões, registro, impostos e taxas

17h- tratar dos gatos. Mais uma viagenzinha e aproveito para compras na farmácia, refazendo o estoque de dona V.