Quinta-feira, 27

Treino pesado hoje: três horas de duração com 7km de corrida, entre tiros de 400m e trotes de 2km, seguidos de exercícios básicos para arremesso de peso.

Na imobiliária, ajustando renovação contratual com nosso inquilino.

A filha 03 começou hoje os exercícios específicos com nosso treinador. Vou oferecer mais essa gentileza para ela se preparar bem para o parto.

Quarta-feira, 26

Hoje comemora-se o Dia dos Avós. Parabéns a todos eles. Recebi os cumprimentos de alguns amigos. Dos netos, não.

Treino de hoje: musculação caseira, às 9h.

14h- no Correio, despachando uma caixa com doces – Dadinhos – para agradar o irmão 2, que há meses não visito.

Revisão de textos – aqui no apartamento 2, enquanto dona U rega as plantas e passa pano em tudo.

Segunda-feira, 24

Treino de pista. Fui até a Unicamp mas bati com o nariz na porta: pista da FEF fechada.

Voltei ao São Bernardo e fiz o treino de 2km leves mais 3 x 1.200m x 5′ parado.

Não tive um resultado grande coisa, com mais de 6min cada tiro. Senti-me cansado já de cara.

Terminei com mais 2km leves para encerrar com 8km no total.

13h- ir a um Hipermercado levar dona E e gastar 400 reais

15h- no apartamento, organizar umas gavetas e móveis pequenos.

Malucos de Samas

Malucos de São Mateus do Sul

A lista é grande.

Começo com os alcoólicos, ou alcólatras. Há controvérsias quanto ao termo correto para se denominar indivíduos dominados pelo vício. Como este relato fica entre nós, vamos deixar de lado a classificação e nos atermos aos pesonagens, sem julgamento.

Cada um tem o direito de fazer o que bem entender. E nós temos o direito de contar histórias, aqui em off.

Bruno Adamski – um homem grande e forte, que não fazia nada na vida a não ser beber suas cachaças e gritar na rua. Dava medo nas crianças por ser frequentemente invocado por mães sem paciência com a finalidade de assustar os manhosos. Volta e meia, eu o via subindo nossa rua aos berros. Não sei que fim levou mas não será diferente dos outros dependentes: morrer caído numa sarjeta depois de muito atormentar familiares.

Marcelo Janoski – filho do véio Janoski e dona Estefânia, a parteira oficial depois da aposentadoria das Irmãs Wolter (o que renderá outro relato), tomava todas e andanva balançando. Na verdade Marcelo era carpinteiro, igual o pai. Tinha dois filhos : Ivo e Ivone, ambos contemporâneos meus no Grupo Escolar. Foi ele quem construiu nossa casa em 1960, demolindo a anterior no mesmo endereço, à rua Dr.Paulo Fortes.

Nos intervalos do trabalho, merendava umas fatias de broa revestidas de banha e salpicos de açúcar. Banha com açúcar, uma combinação exótica. Tudo regado a café frio, que levava em um litro. Como eu ficava por ali arrodeando, sempre curioso, fui instado a experimentar. Não é ruim, apenas diferente.

Marcelo tomava uns tragos mas não a ponto de atrapalhar as obrigações.

Portanto o irmão dele é quem me refiro como alcoólatra e não lembro o nome.

Família Augustinhak – o véio Augustinhak era auxiliar dos padres nas bênçãos das casas nos dias de Ano Novo e carregava a cruz à frente dos enterros, alternando com o Velho Janoski.

Conseguia conciliar trabalho e bebida mas os dois filhos entraram com tudo na cachaça e seguidinho caíam na rua completamente embriagados.

Doutor Enoch – conhecido como Nhoque, marido de dona Aurora, professora primária, com residência ao lado da casa do Coronel João Gabriel Martins (dona Geni, Quesa, Belinha, Bolivar, Juju), vizinhos da Igreja dos Menonitas, da residência também de Celeste Wolff Ramalho, casada com Luiz Seleme, da loja de peças de carro.

Nhoque era advogado mas vivia ébrio. 

Há uma história célebre dele, que faz parte do anedotário local, seja real ou inventada.

Que é a seguinte: um preso apenado pretendendo pleitear o regime semi-aberto mas sem dinheiro para contratar advogado, aceitou Nhoque como pro-bono.

Este preparou a defesa verbal perante o juiz, que, sensibilizado bateu o martelo e,dobrou a pena do infeliz. Não só não acatou a tese como duplicou o castigo. Mentira? Verdade?

Nhoque Enoch também terminou seus infelizes dias na sarjeta.

Maciel – ninguém se referia a ele pelo prenome. Era Maciel e pronto. Filho de dona Carolina, irmão do Sebastião marido de Ludenca Jasinski. Ludenca, ou Ludmila, irmã do Osvaldinho, vizinho de família do Solar Guimarães.

Maciel era muito divertido. 

Tinha uns bordões adotados pelos nativos. Por exemplo “esse o boi não puxa”, “esse o gigante não levanta” , expressões significando “não acredito”.

Ervino Zarzycki – profissão desocupado e, eventualmente, vereador com atuação nula em duas ou três legislaturas. Atividade principal quando vivo: tomar cachaça no bar do próprio irmão, ali logo passando a ponte do rio Canoa sob a rua Paulino Vaz da Silva que continua sob o nome de Rua do Canal, em frente à residência do véio Rachid.

Visto sempre com um copinho de pinga ao lado, costumava cobrir com um guardanapo para “não perder a fortitude”

Depois de morto, virou nome de rua, uma homenagem ao nada. 

Figuras de Samas

Araldo Neves de Souza



Este cidadão Araldo Neves de Souza ,são-mateuense nascido “nos matos” passou a vida toda enferruscado. Tinha lá suas qualidades. Extremamente metódico, odiava polacos a estes se referindo frequentemente como jaguaras.

Casou-se com dona Maria Farias, irmã de Jorge Farias, pai do Jorginho e da Vilma.

Dona Maria, na definição de meu pai, era a mulher mais feia de São Mateus.

Araldo era primo de Mário Furtado Neves, meu sogro. Os dois se davam muito bem, ambos rabugentos.

Araldo passou profissionalmente a vida como gerente da Cooperativa dos Produtores de Mate, ao lado do contador Jorge Maciel e Silva, pai do Gastão e do Jorginho.

Quando se aposentou, recolheu-se em casa ao lado de dona Maria e Nadir, a filha adotiva.

Esta, mirradinha e impertinente, deu muito trabalho para educar. Quando fez 17 anos foi seduzida e fugiu com uum peão de obra, da STOP, empreiteira da SIX. Naquele tempo dizia-se que foi “desencabeçada”, eufemismo para descabaçada.

Quando deu por falta dela, num fim de ano de 1978, ligou para mim no telefone 32-5375, pois já casado com Marly, prima dele em 2o.grau, fazía-nos seguidas visitas.

Estava desesperado com o desaparecimento da filha Nadir. Textualmente falou “preciso que venha aqui em casa, certos assuntos não podem ser tratados por telefone”.

Lá fomos nós, Marly e eu, saber do que se tratava. Tentamos consolar o casal, falamos as generalidades de ocasião, e ficou por isso mesmo. Semanas depois, ela foi localizada ,ou fez contato, em São Paulo, num hotel no centro.

Voltou arrependida e perdoada. Mas meses mais tarde casou-se com o sedutor e – pasmem – está casada até hoje com ele, tiveram dois filhos, que foram criados muito bem, estudaram, se formaram e deu tudo certo.

Nadir, enquanto criança e adolescente, foi uma peste de criatura. Entretanto, com a morte de dona Maria, cuidou perfeitamente do pai adotivo, dinamizou a casa reformando-a e alugando para comércio e ela própria iniciou-se como administradora de muito sucesso em Sáo Mateus.

Quando Araldo morreu, Nadir mudou-se para Curitiba para atender os filhos até a maturidade.

Mas voltando ao Araldo, um sujeito turrão, crítico de tudo e de todos, só tinha atenção e cuidados para nós.

Ajudou muito na reorganização dos assuntos de Mário Neves quando este faleceu precocemente aos 49 anos, deixando a esposa e duas filhas a ver navios, com dívidas e seum perspectivas.

Marly tem uma consideração especial por ele e dona Maria.

Mas era e sempre foi um véio chato e maníaco, para quem ninguém prestava.