Quarta-feira, 27

Atividades do dia :  comecei com a fisioterapia, uma verdadeira tortura. Levei umas espetadas – conhecida como agulhamento seco, ou dry needling – quando a fisioterapeuta enfia as agulhas nos pontos mais doloridos para, segundo ela, “desarmar os gatilhos”. Bonitas palavras mas me retorci de dor.

Como ela considerou que os caroços voltaram, não contente com a primeira sessão, espetou-me novamente. Meia hora após, removeu as agulhas e começou a espremer minha canela, do calcanhar ao joelho, enquanto eu gemia baixo para não parecer um “maricón”.

Terminada essa parte, uns alongamentos para completar o serviço e me mandei, para uma caminhada leve e curta, cerca de 2,5km.

Em casa, bolsa de água quente e mais alongamentos, conforme ela recomendou.

Assisti à primeira partida de futebol. Em seguida (pós mate e almoço) fui ao “doceiro” para comprar paçoquinhas (1kg), pé-de-moleque (1kg) e pipoca doce (dois fardos de 20 pacotes), mas não se assustem com esses últimos pois são pacotes de apenas 18g).

Vesti minha camiseta da Seleção Brasileira para torcer pela vitória às 15h. Muito bem, ganhamos mas sem que eu tenha assistido na íntegra : saí de perto da TV em vários momentos mais tensos. Valentia não é uma das minhas qualidades : fico nervoso e sofro mesmo. Prefiro olhar pela janela e controlar o jogo pelo ruído da torcida. Só que está muito fraco o movimento, pouquíssima comemoração. Tudo bem, está tudo certo.

Agora, tenho três textos longos para revisar. Enquanto faço compressa de água quente, vou lendo e corrigindo. Um abraço aos meus leitores fiéis. Até amanhã.

Terça-feira, 26 e anteriores

Domingo em diante

Atividades de domingo : praticamente nada em termos físicos. Não saí de casa, literalmente. Fiquei nas leituras, futebol, organização de meus relatos e escritos, programação para a semana pensando na fisioterapia, musculação, aplicações financeiras, compras, telefonemas para os irmãos. Perdi até a vontade de tomar café da tarde, trocando pelo ban-chá. Sosseguei cedo, sentindo um cansaço que vem não sei de onde pois, como já escrevi, fiquei quieto em casa.

O treinador ligou à noitinha, contando que viaja nesta semana para a Europa, em congressos e simpósios. Mandou-me a planilha para três semanas, sem novidades, apenas musculação, que dividirei com as sessões de fisioterapia, ficando assim distribuídas : segunda, quarta e sexta na fisioterapia e segunda, terça e quinta na musculação.

Segunda-feira : comecei o dia indo à assistência técnica para consertar o smartphone, que, apesar de novo (um mês de uso) já apagou no domingo à noite. Atrapalhou porque atrasou-me todos os assuntos de banco, que estou habituado a fazer logo cedo. Fora isso, nada mais grave. É bom para perceber se ficamos muito dependentes dessa facilidade.

De modos que, às 9h, estava já cuidando desse assunto. Fui à assistência técnica, contando de levar um tempão para lá chegar, neste trânsito maluco atual. Mas cheguei rapidamente. Ficou para trocar o display, na garantia, mas com certeza apagando toda a configuração pessoal. A atendente, jovem e toda maquiada, preencheu o formulário, respondeu-me educadamente, e tiraria nota dez não fosse pelo chiclete a mastigar e fazer bola enquanto fala. Tudo bem, saí de lá e já fui ao banco para dar conta do que o celular faria.

Uma caminhada até a avenida, e esperando minha vez, porque o velhote à frente estava já xingando ao não conseguir fazer um saque. Com paciência, resolvi minhas operações. Cumprimentei o guarda conhecido, que me acenou amistosamente. Todo mundo implica com esses profissionais, pois  fazem um trabalho pra lá de antipático, ou seja, sempre dificultando nossa entrada na agência devido ao guarda-chuva, às moedas, às chaves, essas bobagens de sempre. Procuro fazer ao contrário : mostrar um pouco de educação e simpatia em vez da tradicional cara feia.

Saindo dali, entrei no Dia Supermercado para comprar filtros de café Melitta, pois X implica quando trago de outra marca. Para ficar livre de nova reclamação, comprei três caixas. Queria bananas mas a “vitrine” encontrava-se vazia. Ao lado, vários engradados cheios. Perguntei ao atendente quando ia fazer a reposição; não era ele mas indicou-me a moça responsável. Lá fui eu perguntar se ia começar e a resposta veio :

– Não, não vou. A prioridade é arrumar esses congelados aqui.

-Tudo bem. Vai demorar um pouco, então.

-Vai.

Mais seco, impossível. Na contramão do moderno conceito de atender a freguesia, quando não se perde venda.

À tarde, musculação e renovando para mais um mês, visto que correr parece ser uma atividade cada vez mais distante do meu horizonte. Tudo bem, executo os exercícios no capricho e volto para casa, fazendo antes as compras da semana na frutaria. Mais um peso para carregar pois sempre priorizo o uso de caixa de papelão em vez das “sacolinhas bio-des-agradáveis”.

Vou descansar e tomar meu café mas antes dou uma espiada nos e-mails e lá está : seu smartphone já está consertado e pronto para retirar. Boa notícia. É pra já. Volto à loja para retirar, espero minha vez pois há bastante gente, o que não é um bom sinal. Deve dar muito problema essa marca. Mas está funcionando, sem despesa adicional; pena que volta todo zoado, preciso caçar todos os contatos e ajustes.

Agora já cinco da tarde, preparo-me para a fisioterapia número 4, às 18h. Vou a pé, quase em cima da hora pois não perco o facetime   com os netos. Divirto-me com suas brincadeiras e vejo a pequena comendo banana raspadinha.

Sessão pesada, dói tudo com as espetadas, manipulação das pantús, alongamentos e exercícios de equilíbrio naquela meia bola. Bosu, parece ser o nome.

Termino meu dia tomando sopa de legumes : esse é o verdadeiro atestado de velhice.

Terça-feira : começo o dia com a tradicional ginástica chinesa. De lá vou ao centro – de busão porque não estou autorizado a andar muito – para ver os modelos e preços de cadeira de rodas. Não tem mais jeito. Andar tornou-se uma tortura. Vai ser necessária para se mover um pouco, sair ao sol ou algum passeio.

Vi os modelos e preços, fotografei. Não aceitou nenhum, achou-os caros :  de 800,00 a 1.100,00; alegando que não vai usar muito tempo,  pois decidiu pela cirurgia – faz sentido – optamos de comprar via internet um modelo mais simples, por R$ 280,00 mais frete de R$ 65,00 com promessa de entrega em cinco dias. Comprei, paguei, assunto resolvido.

Mate e futebol, e-mails e noticiário. Almoço caseiro, lavar a louça, conversar com a menina dos gatinhos, preocupada com um deles, meio caidinho.

Às 14h, musculação forte e volta para casa a tempo dos primeiros minutos do jogo da tarde. Agora chegou o fisioterapeuta de X e sossego por aqui, aproveitando para escrever e revisar o texto antes de publicar. Não gosto quando vai alguma incorreção. Às vezes, na correria, alguns erros gramaticais ou de digitação, que são vistos depois de publicados. Mas há sempre um jeito de se arrepender e corrigir. Outras vezes, não. A oportunidade é única e não há volta.

Sábado, 23

Meu pessoal foi embora ontem à noite. Em pouco tempo, colocamos a casa em ordem visto que hóspedes com dois gatinhos fazem uma reviravolta grande.

Fiquei na sala espiando meus programas de atletismo no YouTube até mais de 23h. Mesmo assim, acordei cedo e bem disposto às 6h20.

Fiz meus alongamentos, o café e os ajeitos do 🐈.

Passei a manhã toda diante da TV assistindo aos jogos mas saí às 15h40 para o zazen. Achei que não viria ninguém mas apareceu um praticante. Fizemos a sequência completa e voltei para casa, passando também no posto Petrobras e abastecendo com etanol, a 2,59 num total de 35 litros.

O terceiro jogo já estava terminado, de modos que passei para o mate e pinhão.

Agora estou já acomodado e gravando essas memórias pelo smartphone.

No mais, tudo certo, tudo em ordem.

Sexta-feira, 22

Passei a manhã inteira em casa, na expectativa do jogo. Habitualmente não vejo partidas da Seleção para não sentir aquela ansiedade desgastante. Hoje banquei o valente e assisti, se não na íntegra, mas quase tudo.

Na hora do gol pulei aos gritos dando umas pancadas na caixa de papelão dos gatos. Não vi que estavam dentro e saíram voando, assustados.

Depois do almoço fui à musculação, e voltando às 15h, assisti ao outro jogo.

Agora, 17h45, aguardo minha vez na fisioterapia. Vim de camisa da seleção em homenagem à vitória suada de hoje.

Quinta-feira, 21

Atividades de hoje : tudo ao contrário do que imaginei. Não fui à ginástica das 7h30 para poder levá-la ao laboratório pois a médica pediu vários exames. Assim, adiantamos o tratamento.

De volta para casa, uma longa conversa com ela e a filha na mesa do café. O tempo foi passando e assim desisti da musculação, mesmo porque estava sentindo um grande cansaço de ontem, mistura das atividades com a tensão advinda da entrevista na médica.

Muito bem. Tínhamos planejado ir a SC nesta manhã mas conseguimos convencê-la a se acomodar e aproveitar a vinda do treinador. Este atendeu-a às 14h, para exercícios moderados. Enquanto isso continuei a conversa com a filha.

Agora, para distrair, foram a uma loja de variedades, famosa aqui pela quantidade inimaginável de bugigangas que oferece. Enquanto isso, assisto a mais um jogo e escrevo essas histórias, observando o sofrimento dos argentinos aos 30 minutos do segundo tempo.

É isso. Está complicado, está difícil também o sofrimento dela com as dores e o diagnóstico sombrio.

 

 

 

Quarta-feira, 20

Às 8h iniciamos a segunda sessão de fisioterapia, com dry needling, liberação miofascial dos gastrocnêmios e alongamentos, tudo durando uma hora, com a intenção de desmanchar os caroços das pernas.

De lá, fui à musculação. Hoje foi uma sessão pesada, com 10 minutos de esteira antes e após, só andando, seguidos de muitos abdominais e pranchas.

De volta para casa, mate e almoço. Após, nova consulta com nova médica (não moça, nova por ser a primeira vez) reumatologista para X, já que a atual desligou-se do plano de saúde, sem nenhum aviso aos pacientes de longa data como nós, com quase dez anos.

Simplesmente a secretária avisou : a doutora não atende mais esse plano. Então, tá…

Más notícias : o último recurso é prótese nos dois joelhos, com desgaste severo. Não há mais amortecimento, é osso no osso. Para piorar : femur e tíbia com severa osteoporose, que não aguentariam as próteses. É preciso fazer um tratamento de recuperação dos índices de cálcio pois, pela radiografia, a fraqueza não é só muscular mas esquelética.

Enfim : fazer novos exames, que demandarão mais de quinze dias, encerrar o processo dos implantes para poder tomar alendronato de cálcio, incompatível com tratamentos dentários em andamento.

Em  síntese : se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come.

Recomendação primária e urgente : repouso, não forçar a marcha, preservar para não piorar, cuidado para não cair.

Eu já sabia que seria isso mas fiquei muito triste com o sofrimento dela, que voltou chorando para casa. Não é fácil, não será fácil.

Segunda e terça, 18 e 19

Pulei cedo da cama para levar a menina à rodoviária, às 6h10, rumo a SC. Na volta, passei no Nico para comprar pão. Preparei-me para minha entrevista com a fisioterapeuta às 8h, tendo chegado lá às 7h45.

Atendeu-me quase pontualmente, às 8h10. Tudo bem. Percebi que, apesar de jovem (29 anos), é experiente, fala com segurança, entendeu perfeitamente minhas queixas.

Passou uma série de testes de postura, resistência, força, amplitude de movimentos. Tirei nota baixa na amplitude e e postura e fui elogiado na força e resistência. Descobriu inúmeros pontos (chamado de “nó”) de aderência e travamento muscular.

Lá se foi uma hora de atendimento, com paciência e toque profissional. Gostei do seu jeito, como gosto muito do pai dela, médico que me atende há 30 anos, ou seja, ela nem tinha nascido e eu já frequentava essas paradas de ortopedia.

Muito bem, fechei o contrato de 10 sessões iniciais, com idas às segundas, quartas e sextas, sempre cedo.

Terminada essa parte, fui ainda à musculação, para trabalho apenas da parte superior. Uma hora de trabalho firme, seguida de descanso e ficar em casa pelo resto do dia. Ah, sim, saí às 15h30 para buscar a menina de volta de SC, pois fez um bate-e-volta nos compromissos.

Hoje, terça-feira, comecei com o Lian Gong e a primeira sessão de fisioterapia, às 9h. Passei por uma longa sessão de agulhas (dry needling) em agulhamento seco. Significa que me espetou os pontos mais doloridos, mais massagem pesada nas panturrilhas. Foi de arregalar os olhos a cada apertão nos meus aiaiais. Terminou com alongamento, esticando as canelas (no bom sentido) até liberar toda a musculatura atingida.

Saí de lá às 10h; logo que cheguei em casa fui fazer compras na frutaria, o que faço regularmente porque X está cada vez mais se imobilizando. Tentou há dois dias ir com a filha num petshop e sofreu para andar dentro da loja. Tem se queixado cada vez mais de dores intensas, que não cedem com a medicação.  Até mesmo o bom efeito das injeções  já sumiu e não se pode mais contar com elas pois o médico alertou : apenas de seis em seis meses.

De modos que a cada dia se torna mais clara a necessidade de procedimento cirúrgico, do qual ela não quer nem ouvir falar. Em assim sendo, tudo na mesma. Até quando, só Deus sabe. É isso. Fui…

Domingo, 17

Dia de sossego. Nem fui à meditação hoje. Saí cedo, às 7h30, para levar a menina ao curso de MBA que frequenta aos sábados e domingos aqui, complementando sua formação acadêmica. O marido saiu às 6h30, de volta para a cidade onde trabalha, chamado com urgência a fim de atender uma emergência profissional. Não sabemos do que se trata, apenas que deveria comparecer logo cedo.

Assisto aos jogos, aguardo para ir buscá-la ao meio-dia, pois tudo se imobiliza com a realização do jogo das 15h. Mas ela vai embora às 18h, de ônibus, pois tem seus compromissos por lá.

Amanhã às 8h tenho consulta marcada em outra clínica de fisioterapia, agora particular, pois quero otimizar o tratamento. A responsável é filha do ortopedista que me atende desde 1989. Comecei a ser atendido pelo seu pai quando ela tinha apenas 1 ano. Portanto, não é de hoje que frequento consultórios mas, na maioria das vezes, para tratar de algum distúrbio ortopédico. Graças a Deus, meus incômodos se resumem a machucados e assuntos de dentista.

De tanto ir nesse último já deveria estar com a dentição mais bonita mas a cada dia fica pior. É o que chamo de meu “Calcanhar de Aquiles”, meu ponto fraco.

Ontem, sábado às 18h, participamos de uma celebração de renovação de votos de casamento de um casal amigo : missa e lanche comunitário. Tudo muito simples e alegre, até perto das 9h da noite. Na volta, acomodei-me cedo para fugir do frio daqui, cerca de 18oC, o que fará muita gente rir.

Frio? vocês deviam conhecer o do sul do Paraná, de saudosa memória. Para aquelas bandas vou só depois de agosto e olha lá; às vezes, assim mesmo há dias gelados.

Agora, 10h30, vou “aquentar” a água e fazer o mate. Hoje é dia da Seleção Brasileira. Pouquíssima animação por aqui. Coloquei minha bandeirinha no carro para não passar em branco mas não tenho visto as habituais faixas nas janelas. Quem sabe, se o desempenho não for um fiasco, o povo se anime um pouco mais.

É isso. Bom domingo a todos. Estou ansioso com o resultado de amanhã na avaliação fisioterápica. Quero ficar bom logo para voltar às minhas correrias. O esporte é meu nutriente número 1. Fui…