Acordei tarde e bem disposto, sem dores no lombo nem o incômodo do aperto tradicional. Para não tirar um dez, estava meio zonzo, provavelmente por ter iniciado o remédio novo. Se, por um lado, não me acordei nenhuma vez à noite para o tradicional passeio no escuro, em compensação amanheci com essa tontura.
Mas tão logo me movimentei já sumiu o desconforto. Aproveitei para fazer minha caminhada e fui até o Sebo Lojão à procura do livro Lendas Brasileiras, de Luiz da Câmara Cascudo. Comprei por R$ 9,90 um exemplar bem cuidado.
Demorou um pouco para ser atendido pois a jovem vendedora estava às voltas com uma senhorinha oriental sobraçando uma dúzia de gibis antigos, fazendo um escambo. A loja receberia cada um por 1,50 e revenderia por 3,00 – uma conta natural.
A demora foi para convencer a tal velhota da naturalidade desta operação, simples para quem frequenta essas biroscas mas complicada para os neófitos.
Aguardei pacientemente minha vez, fiz minha compra e voltei para casa. Lá se foram 6km e uma hora de movimento.
Voltei pelo centro velho, relembrando de dona H, fã desses passeios pelas lojas de bugigangas, há tempos sem esse pequeno prazer.
Atualmente é temerário levá-la a tais compras porque a multidão que circula diariamente aqui é constante. Para dona T há vários perigos: de contaminação, de uma queda pois se move com dificuldade, de danificar ainda mais as articulações já detonadas.
Lamento bastante este prejuízo acumulado e irreparável. Não há retorno, não há progresso. A cada dia, uma nova perda. Além do mais, a convivência com a irmã, abúlica e lentamente se distanciando mentalmente, deixa-a ora triste, ora revoltada. Temos um ambiente familiar harmônico mas instável entre elas.
Pessoalmente refugio-me nos meus exercícios, na meditação, nas leituras, nos escritos, tudo que mantém minha mente equilibrada. Pelo menos, me considero assim.
Mas segue o baile. Tal e qual andar de bicicleta: parou, caiu.