Terça-feira, 13

Acordei tarde e bem disposto, sem dores no lombo nem o incômodo do aperto tradicional. Para não tirar um dez, estava meio zonzo, provavelmente por ter iniciado o remédio novo. Se, por um lado, não me acordei nenhuma vez à noite para o tradicional passeio no escuro, em compensação amanheci com essa tontura.

Mas tão logo me movimentei já sumiu o desconforto. Aproveitei para fazer minha caminhada e fui até o Sebo Lojão à procura do livro Lendas Brasileiras, de Luiz da Câmara Cascudo. Comprei por R$ 9,90 um exemplar bem cuidado.

Demorou um pouco para ser atendido pois a jovem vendedora estava às voltas com uma senhorinha oriental sobraçando uma dúzia de gibis antigos, fazendo um escambo. A loja receberia cada um por 1,50 e revenderia por 3,00 – uma conta natural.

A demora foi para convencer a tal velhota da naturalidade desta operação, simples para quem frequenta essas biroscas mas complicada para os neófitos.

Aguardei pacientemente minha vez, fiz minha compra e voltei para casa. Lá se foram 6km e uma hora de movimento.

Voltei pelo centro velho, relembrando de dona H, fã desses passeios pelas lojas de bugigangas, há tempos sem esse pequeno prazer.

Atualmente é temerário levá-la a tais compras porque a multidão que circula diariamente aqui é constante. Para dona T há vários perigos: de contaminação, de uma queda pois se move com dificuldade, de danificar ainda mais as articulações já detonadas.

Lamento bastante este prejuízo acumulado e irreparável. Não há retorno, não há progresso. A cada dia, uma nova perda. Além do mais, a convivência com a irmã, abúlica e lentamente se distanciando mentalmente, deixa-a ora triste, ora revoltada. Temos um ambiente familiar harmônico mas instável entre elas.

Pessoalmente refugio-me nos meus exercícios, na meditação, nas leituras, nos escritos, tudo que mantém minha mente equilibrada. Pelo menos, me considero assim.

Mas segue o baile. Tal e qual andar de bicicleta: parou, caiu.

Hoje, ainda

Consulta com o nefrologista, dr. Flávio Frias, às 16h de hoje, segunda-feira, dia 12 de julho de 2021.
Mostrei-lhe todos os exames, começando pelo ultrassom do reto-abdominal, as ressonâncias magnéticas da bacia e da coluna vertebral e, por fim, o ultrassom da bexiga.
Perguntou-me qual era a queixa principal e expliquei sobre a premência e alta frequência da necessidade de micção.
Ouviu com paciência, perguntou dos meus pais e com qual idade e do que faleceram.
Perguntou dos hábitos alimentares, das atividades físicas, da atividade profissional.
Ficou intrigado com a situação da lombar mostrada no laudo de RM.
Concluiu: as inflamações, desgastes e situação geral da coluna podem alterar os sinais elétricos do sistema neurológico, alterando as informações enviadas ao cérebro. Daí advêm os comandos alterados a causar esse transtorno.
Solução: iniciar com o anti-hipertensivo mesilato de doxazosina (Duomo, 2mg) com 1 comprimido à noite durante 30 dias, passando ao de 4mg por mais 30 dias, anotando as ocorrências (frequência, volume, sensações).
Voltar em 45 dias, ou antes em caso de qualquer alteração.
Se não houver progresso período, vai pedir um exame chamado avaliação urodinâmica.
Outras recomendações: atenção com a pressão arterial que pode baixar porque o medicamento tem efeito vasodilatador.



Segunda-feira, 12

Atividades: sessão 4, hoje diferente, com teste de força dos membros inferiores. Vão ser avaliadas as diferenças de força entre os lados direito e esquerdo e entre grupos musculares agônicos e antagônicos.

Lá se foi uma hora e meia espremendo a máquina.

Agora, 15h30, esperando minha vez no médico nefrologista para contar meus mimimis.

Sábado, 10

Aniversário do irmão 1 completando 77 anos, saudável, esperto, ativo.

Saí para caminhar às 9h, completei 5km mas atormentado pelo incômodo e premência nos assuntos inferiores.

Espero desvendar este mistério na segunda-feira, em consulta com o nefrologista.

Enquanto não chega a hora, vou corrigindo uns textos áridos, fazendo a musculação e alongamento em casa, diariamente.

Dia de sol e calor por aqui, prenúncio de uma tarde sossegada porque não pretendo sair mais de casa hoje.

A todos os meus inúmeros leitores desejo um ótimo fim de semana.

Sexta-feira, 9

Feriado estadual, aniversário de dona Z.

Saí para caminhar 4km e, na volta, passei na confeitaria e comprei-lhe um bolo bem enfeitado, além de um buquê de rosas. Foi um sucesso.

À tarde, a convite da filha, o café foi no endereço dela. Com a mesa caprichosamente arrumada, presentes, flores, doces, salgadinhos, outro bolo, chamadas de vídeo dos filhos e netos, não segurou as lágrimas.

A reunião foi das quatro às dez da noite e aproveitei para por a conversa em dia com o genro 2.

Foi um dia feliz, de bom humor, recebendo os cumprimentos de parentes e amigos. Tudo certo.

Quinta-feira, 8

Fui cedo para o exame de PSA, às 7h pois acordei antes das seis da manhã.

Tratei da gata, preparei café e deixei a mesa arrumada. Dona R nem percebeu minha saída mas tinha-lhe avisado ontem. 

Fui e voltei andando, total de 5km, espiando o movimento de muita gente pelas ruas.

Comprei pão, encontrei a vizinha que cuida de nossa gata quando estamos em viagem. Dá dó de vê-la tão abatida: marido no hospital, já no oxigênio, a única filha – casada e com uma menina especial, em depressão profunda, daquelas de não sair da cama.

Converso um pouco para dar um ânimo mas fica-se sem saber bem o que dizer.

Sempre coloco-me à disposição para o que precisar, tipo uma carona ou fazer compra ou ir à farmácia.

Agradece emocionada. O marido é diabético, praticamente cego, seis stents, uma penúria só.

Liguei para o retorno no médico, só no fim do mês.

Tentei marcar um nefrologista e ficaram de me retornar mas até agora nada.

Acho que vou no barbeiro para não desperdiçar a tarde.

Quatro da tarde: desisti do barbeiro por enquanto, fiquei com preguiça.

Mas consegui marcar nova consulta, desta vez com o nefrologista para desvendar esta crise com o incômodo de dores na bexiga. Vai ser na segunda-feira, dia 12 às 14h30.

Este mês está sendo pródigo em consultas, exames, remédios, tratamentos especiais. Somente a gata, senhorinha de 17 anos, está livre dessas paradas.

Mas nós três aqui estamos em constante reforma. Até quando, só Deus sabe.

Valha-me, Santo Expedito!

Quarta-feira, 7

Sessão 3, hoje normal, a tia voltou a atender. Deu-me umas pancadas nas costas, apertou e massageou os quadríceps e adutores, espetou meu púbis com uma caneta laser e, não satisfeita, colocou uns pesos nos tornozelos para flexões.

Fiz ainda três séries de outros exercícios, visando fortalecimento muscular.

Saí moído.

Fiz compras de “aniversário” , ingredientes para dona F preparar para esta sexta-feira, quando irá completar 69 anos de vida, cinquenta e cinco dos quais comigo.

Agora, 15h30, espero a chegada do treinador para uma sessão de musculação ao ar livre, no estacionamento do Parque.

Terça-feira, 6

Levei às 9h a irmã para a terapia. Finalmente decidiu fazer algumas sessões, duas por semana, num total de oito.

Com expressão zero na ida e na volta, tanto dela quanto a minha, fiquei uma hora na sala de espera lendo “Minha vida”, de Anton Tchekov.

O resto do dia passei em casa, às voltas com um longo texto, do qual já me desencumbi.

Amanhã reinicio a terapia interrompida ontem.

Está muito frio por aqui. Estou preocupado com o irmão 2 nesse frio intenso de C, liguei para ele e, como sempre, tem muita dificuldade para falar.

Domingo e segunda, 4 e 5

Domingo e segunda-feira, 4 e 5 de julho

Ontem, tradicionalmente me dediquei apenas à meditação, duas vezes no dia: às 10h com meu grupo e às 19h30 com o pessoal do RS. O primeiro dura uma hora e dez minutos. Já o segundo leva trinta minutos e mais trinta para leitura e comentários. Geralmente me ofereço para ler o texto mas não dou palpites após. Meu irmão, também frequentador, me zoa do modo de ler lentamente e com o sotaque carregado, segundo ele, do Paraná. Mas é bom para variar porque aparecem uns cariocas assoprando os ésses e os gaúchos com seus “mãs” e falando fino.

Durante o dia dediquei-me à leitura, escrita e sossego, sem sair de casa.

Hoje, segunda-feira, preparei-me para a terceira sessão de fisioterapia às 9h mas um recado no WhatsAppp dava conta que a fisioterapeuta amanheceu com conjuntivite e, por segurança, cancelou a agenda.

Tudo bem, aproveitei para fazer uma caminhada mais vigorosa, de 4km, aqui por perto. Dia frio, fui todo encapotado e voltei já bem aquecido.

Em casa, fiz a musculação caseira bem caprichada, com a TV ligada no You Tube, ouvindo uns mantras budistas, coisa fina, em língua indiana e tailandesa. Não compreendo nada mas nem precisa. O que vale é a música espiritual.

Saí para ir ao supermercado, depois do almoço de feijão com arroz e três ovos fritos. Se não ficasse tão grotesco, comeria meia dúzia, igual ao genro americano. Mas contive-me e satisfiz-me (bonita esta conjugação, não é?) com três, adornados com chuchu cozido com casca. Sim, com casca. Preciso insistir nisso porque, se bobear, as duas descascam tudo que veem pela frente.

Agora, para finalizar, tomei café preto com um tantinho de açúcar – dona H começou a implicar com o adoçante e eu me recuso a tomar café amargo – e meia dúzia de pão de minuto, uma verdadeira tentação. Bão demais.

Vou finalizar aqui e começar a correção de mais um longo texto. Gosto disso. E de outras coisas mais.

Boa tarde, pessoal. Agasalhem-se bem porque o frio está de lascar.