
Desembarque às 7h hoje


Amanheci nos EUA após uma viagem de 8h ininterruptas, espremido na última poltrona da última fileira do avião, entre uma moça antipática e um cavalheiro peso-pesado.
Uns cochilos breves, uma comida pavorosa, num avião lotado.
Mas, sem turbulência, não foi uma viagem ruim apenas desconfortável.
Na imigração e recolha da bagagem foi tranquilo, com dona G na cadeira de rodas passando nas prioridades.
Poucas perguntas do oficial e um carimbo permitindo a entrada no país.
Gorjeta de 10 dólares para o condutor da cadeira de rodas, espera de duas horas até a filha aparecer para nos resgatar.
Quarenta minutos de viagem de carro, uma parada no Coffee-break, conversa agradável até perto do meio-dia e, finalmente, em casa.
Agora descansar, organizar a bagagem, fazer um mate caprichado e esperar a chegada das crianças vindas da escola.
Sossego total nesta casa enorme, silenciosa, confortável, nova e bonita dentro de um condomínio de alta classe.
Dia da viagem. Treino caseiro. Andei 3km até farmácia para comprar Fluimucil e Simbioflora.
Gastei 160 reais e paguei com o novo cartão de crédito da XP Investimentos.
Fiz o cadastro da nova portaria virtual que inventaram de implantar aqui no nosso velho prédio. Vai ser uma confusão daquelas. Aqui só mora gente velha e atrapalhada com essas novidades que essa síndica maluca não para de inventar.
Só para justificar minha fama de encrenqueiro, chato, grosseiro e sem paciência cadastrei Milu como moradora com foto e tudo.
Três da tarde: vou me arrumar e fechar a mala com meus pertences finais.
Às 8 da noite o genro vem nos buscar para traslado ao aeroporto.
Que Santo Expedito se apiade de mim e meus descendentes sem dentes.
Embarque às 23h30 após vistoria das malas onde tive que descartar um tubo de desodorante, acusado de ter 250ml.
Quase vazio, dei uns esguichos finais a nos sovacos e no ambiente. Uma das guardinhas me fez uma cara feia e resmungou um “senhooor…” a que me fiz de desentendido, pinchei o frasco no lixo, virei as costas e saí amparando dona D, que não percebeu minha jogada desprezível.
Uma longa caminhada até encontrar o portão de embarque nesse aeroporto enorme.
Treino caseiro das 10 às 11h.
Levar dona F ao apartamento para regar as plantas.
Levar dona F à doação de roupas e objetos usados.
Bagagem pronta, check-in pronto.
Treino de rua, intervalado, forte, bem feito, 7km no total.
O chuveiro, o fogão, o gás continuam rendendo reclamações aqui e nos vizinhos.
Chamei um técnico conhecido, que por 100 reais, resolveu a parada.
O serviço da Comgas é um lixo, uma porcaria.
Fiz meu check-in agora há pouco. Falta-me a tortura de arrumar a mala. Saí para comprar banana-passa para levar. É a única exigência da filha. Mas levarei uns pacotes de café mineiro orgânico.
Minha pressão anda alta demais. Sono agitado, vários pesadelos.
O cansaço e desânimo andam me rondando. Gostaria mesmo é de ficar em casa, quieto no meio dos livros.
Parabéns pelo Dia das Mães!
Reunião com a turma da meditação das 10 às 11h45
Comprar flores para dona V.
Almoço aqui em casa com a filha e genro e visita dos outros filhos, outra genro e nora por vídeo.
A cozinheira ficou furiosa porque o fogão não correspondeu às suas expectativas com a mudança para gás natural.
Reclamou que a chama estava maior, estava menor, estava igual, estava assim, sapecou um lado, deixou outro brancuço, e mais isto e mais aquilo e aqueloutro…
Mas esteve tudo bom e todos gostaram do menu e a conversa, o café e a sobremesa se estenderam até 5 da tarde.
Lavei a montanha de louça e me recolhi para a meditação.
Com Richard Gere o filme State of Mind.
Entretanto, para mim, o melhor ainda é a trilha sonora com trechos da ópera Les pêucheurs de perles, de Georges Bizet.
Sensacional as atuações dos internos, pacientes de um hospital psiquiátrico dos anos 50.
Tudo normal: treino, compras para Dia das Mães, presentes para os netos.
Tudo normal: treinos, consultas, compras, contas, tudo certo.