Quinta-feira, 23

Treino de hoje : duas partes, ginástica e 5km de trote leve no gramado. Minha planilha continua soft: musculação em dois dias e trote de, no máximo, 7km em quatro dias.

Tudo isso na parte da manhã. Na sequência, fiquei só nos cuidados das crianças : enquanto uma dorme, o outro faz suas estrepulias.

No momento, saíram todos na visita a amigos. E estamos a preparar o aniversário da cunhada para amanhã.

Vou buscar um bolo enfeitado, de surpresa. E X faz brigadeiros e beijinhos de côco.

Esta é a semana final dela aqui conosco. E no outro sábado será a vez da família estrangeira voltar para casa.

Do barulho e alvoroço voltamos para o silêncio e tudo no lugar. Cada coisa no seu tempo, tudo que começa também termina.

Quarta-feira, 22

Musculação completa, às 8h30. Tempo instável, nublado, queda de temperatura.

Manutenção na máquina de lavar, queimou o painel digital. Estava funcionando perfeitamente sem as indicações mas preferi deixar em ordem. E lá se foram 400 reais.

Crianças acomodadas ou brincando, parecem estar felizes conosco.

Dormem bem, comem direitinho saindo da culinária tradicional americana, de smoothies, aspargos, vagens e ovos para um caldinho de feijão preto com arroz.

Tudo certo, tudo em paz.

Terça, 21

Treino de hoje: finalmente de volta à ativa, com ginástica das terças e rodagem de 6,5km.

Antes do segundo treino levei o neto ao Bosque para brincar e andar. Divertiu-se correndo atrás das cutias, espiando os passarinhos, juntando pedras e folhas.

Cansado, voltou no colo a cochilar. Mal chegou em casa, despertou e tornou a brincar.

Então saí para minha rodagem. Tudo de bom, como dizem. Muito sol e calor, voltei exausto e suado, com 1kg a menos.

Mate e jornal, busquei almoço na birosca aqui perto. Dona X anda meio devagar nos cozimentos. Assim, nem perco tempo e trago essas gororobas para nós quatro.

Ainda lavei a louça e toda minha roupa antes de sair com a menina para que ela comprasse fraldas e eu, os remédios de sempre.

Agora, 15h50, descanso e escrevo. Mas logo vou fazer um cafezinho que antecede o chimarrão da tarde.

De modos que vai indo tudo bem. Temos mais dez dias de companhia das crianças. Acho que gostam daqui. O guri brinca o tempo todo, come uma goiaba atrás da outra. O nenê ri de tudo, é muito boazinha. Reina um pouco para dormir à noite e grita quando está com fome. Agora já está nas sopinhas duas vezes ao dia, mais fruta amassada.

Apesar de quase 8 meses, continua banguela e com preguiça de engatinhar. Se colocada de bruços no chão, grita igual um leitão espremido.

É isso. Parece que o inverno acabou, trocado por dias quentes e secos, do jeito que aprecio.

Segunda, 20

De volta para casa às 13h. Carga e descarga, fazer compras, acomodar as crianças com banho e troca de roupa, bastante calor à tarde.

Café com todos, seguindo-se levar o guri ao aeroporto para volta a Fpolis.

Deixei-o abastecido com erva-mate, seguiu às 18h30 desta vez sem atraso.

Já avisou que chegou bem. Tudo certo.

Acomodaram-se todos e aqui estou, aproveitando para atualizar o relatório do dia, acertar a contabilidade da Associação, ajustar as contas e programar as atividades de amanhã, que espero incluam meu treino.

Tenho três assuntos pendentes : buscar receitas de X, esquecidas na consulta; levá-la a pegar o passaporte novo; levar a menina ao cartório de registro civil para fazer a certidão de nascimento brasileira do nenê.

No mais, tudo certo e tudo em paz, com o calor dando as caras finalmente por aqui.

Sábado e domingo

Dias integralmente dedicados ao passeio com a família : esposa, três filhos, dois netos, cunhada, dois irmãos, um genro.

Sábado de churrasco praticamente o dia inteiro. À noite, fogo no forno e pão de queijo com chá, café, mate, vinho e cerveja.

Às 22h eu já estava bem cansado pois de manhã voltei até em casa buscar mais encomendas, enfrentando um congestionamento de quilômetros, devido a obras na rodovia. Cansativo e estressante.

Muita louça para lavar, acomodar crianças, várias atividades.

Ainda achei tempo para minhas leituras.

Hoje tudo igual, acrescido de novas visitas.

Entretanto, estou com meus exercícios interrompidos. Não houve jeito de fazê-los desde quinta-feira.

Espero voltar à minha rotina nesta mesma segunda-feira. Agora, 19h de domingo, fim de festa e início de arrumar a bagagem. Saída prevista amanhã às 12h e ida ao aeroporto despachar o guri.

Apesar de tudo, vai tudo bem e tudo em paz, que desejo a todos os meus amigos.

Noite

Elas vieram às 15h de táxi e eu fiquei com a mais nova aguardando o guri acordar. Quando pronto e trocado, fomos ao aeroporto aguardar a chegada do filho, para fazer uma surpresa à mãe.

Logicamente o voo atrasou.

Se é da Azul, atrasa sempre.

Lá ficamos nós a esperar, até que apareceu às 5 e tanto. Embarcados, rumo a enfrentar o trânsito da tarde, se arrastando igual a tartaruga.

Finalmente chegamos ao destino às 6h.

Casa grande e rústica, muito espaçosa e agradável.

Fogo feito, pizzas assadas, mate, conversa, alegria, risadas.

Crianças brincando é tudo muito divertido. Tudo certo, tudo em paz.

Sexta-feira, 17

Mais um dia gelado e de vento forte. Na espera de que esse inverno acabe logo. Vamos para mais uma excursão aqui perto, partindo às 15h para voltar – se Deus quiser – na tarde de segunda-feira. Alugamos uma chácara no modo Airnb, por conta da filha, querendo reunir toda a família novamente.

Compras, muitas compras de mantimentos. Carro lotado de bugigangas, malas, pacotes, brinquedos, roupas, car-seats, o diabo-a-quatro. Cruzes! quero ver se volto vivo dessas empreitadas. Tudo pelo social…o lance é agradar filhos e netos, entonces…vamulá!

Quinta-feira, 16

Começando o dia com uma viagem pequena, aqui perto, 39km, para levar a menina ao dentista. Ela só aceita essa, sua conhecida de muitos anos.

Cá estou, saindo de casa às 9h.

À tarde, vou à musculação. E assim segue o dia, sem grandes novidades : compras do dia a dia, atender os familiares, fazer minhas atividades prazerosas, resolver assuntos caseiros.

Por exemplo, ontem fiquei uma hora com o técnico da LG para manutenção da lavadora pois “apagou” o painel.

Orçamento de 750 reais, cerca de 1/3 do valor da máquina.

Fazer o quê? Vamos consertar.

Conversa vai, conversa vem, o orçamento baixou para 400 reais. Pechinchando se vai ao longe.

Meu celular apresentou defeito novamente. Apesar de ser ótimo em todas as funções, às vezes tem umas recaídas. Desta vez a tela ficou preta ao ligar o telefone e não se consegue desligá-lo. Parece ser algo com um sensor minúsculo no canto direito no alto. Sua função é apagar a tela ao aproximá-lo do rosto quando se fala e voltar ao afastar.

Seguinte : fui à autorizada e já resolveram em pouco mais de meia hora, refazendo a cola do display. Assim, voltou a funcionar corretamente. Só que tive que levar e voltar para buscar, gastando duas horas nesse vaivém.

No mais, tudo certo, tudo em paz.

Quarta-feira, 15

Treino de hoje : novamente 6km de rodagem leve no gramado. Fiz esse treino às 15h, sob sol e vento forte. O clima está mudando. Saindo de um frio forte, esquentou ontem e hoje cedo e agora o vento sul traz frio, vento e, possivelmente, chuva.

Se isto acontecer, vai perturbar nosso novo passeio no fim de semana. Temos alugado outra chácara, aqui mais perto, para passar de sexta a segunda-feira.

Hoje às 10h, nova visita de X na reumatologista. Comportou-se adequadamente e aceitou mais 80 dias de tratamento intensivo, à custa de uma grande carga de medicamentos. Há a promessa de redução da carga a partir do início de novembro, em uma nova consulta e resultados favoráveis dos exames que serão feitos uma semana antes da consulta.

As crianças estão bem, sem notar a ausência do pai que voltou ontem. Até agora, tudo bem. O guri é muito traquinas, não para um instante desde que salta da cama às 7h. Normalmente faz um sono à tarde e se acomoda às 20h. Daí, dorme a noite toda.

Está muito engraçadinho pois só fala inglês o tempo todo, apesar dos esforços da mãe em falar apenas português com ele. Até os programas infantis de TV via YouTube ele prefere em inglês.

Logo cedo fui à farmácia buscar uns antigripais para a cunhada; está com ar de doente, abatida e desanimada, consequência de ficar tanto tempo por aqui, que não aprecia por mais que disfarce; é fácil perceber que preferiria estar sozinha no seu apartamento em C.

Acho que vai aguentar firme até o dia 24, data do próprio aniversário, fazendo seus 67 anos.

No mais, tudo certo e tudo em paz. Aproveito o começo da noite para me embarafustar no quarto, às voltas com meus livros. Apesar de que tenho lido quase que exclusivamente no e-reader; parece ser o futuro dos livros : sumir das prateleiras e ficar dependente do sinal de internet.

A propósito deste assunto, escreveu hoje no Estadão o filósofo Leandro Karnal um longo artigo, que vou tentar transcrever nesse espaço.

COLUNISTA
Leandro Karnal
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O fim das bibliotecas?

Importante é o conhecimento, que pode estar em papiro, pergaminho, papel ou na tela

Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2018 | 02h00

Sempre senti o fascínio poderoso por bibliotecas. Tínhamos uma em casa, uma na escola e eu frequentava muito a Biblioteca Pública Municipal Olavo Bilac de São Leopoldo. Meu paraíso era próximo ao de Jorge Luis Borges: livros enfileirados.

Na faculdade, eu não tinha dúvida alguma: ter muitos livros era indispensável ao bom viver. Causa ainda certa espécie aos que hoje visitam minha casa que meu quarto seja decorado por uma imensa e belíssima foto de Yuri Seródio focando a Biblioteca Riccardiana de Florença. Deito e acordo com a representação de uma biblioteca. Silêncio, calma, livros, conhecimento: quase tudo é virtuoso no espaço de livros enfileirados.

Amo bibliotecas. O amor foi sofrendo golpes. Os primeiros são as mudanças. Cada vez que troco de casa tenho de avaliar quais os livros que realmente são importantes. Como me mudei há pouco, mais uma vez tive de avaliar coisas. Um exemplo: eu tinha uma extensa coleção de dicionários de português, praticamente todos os grandes léxicos da nossa língua. Avaliei mentalmente: qual foi a última vez que abri o volume físico do dicionário? Não consegui recordar. Deixei de necessitar? Pelo contrário, não consigo escrever um parágrafo sem buscar auxílio deles. Porém, como quase tudo, percebi que só uso versões digitais, rápidas de serem acessadas. Aqueles livros imensos estavam ali, belos, imponentes, com histórias, parados e sem uso além do valor simbólico na estante. Doei todos os que existiam em forma não virtual. Mantive apenas os mais antigos, como o Dicionário Analógico do padre Carlos Spitzer.

Muitos livros com reproduções de imagens artísticas tiveram o mesmo destino. Pensei em como consigo acessar em altíssima resolução afrescos da Capela Sistina, sem que eu precise guardar aqueles volumes gigantescos com fotografias dela ainda antes da restauração. Fiz uma sessão de “processos de Moscou” com meus livros. Ao contrário de um tirano como Stalin, ao menos dei a cada um o direito de se defender. Muitos reconheceram que sua culpa não estava na alma, mas no corpo. Por qual motivo manter volumes de peso enorme, acumuladores de pó, desafiadores de todas as estantes possíveis se algo melhor e mais rápido era possível na tela? Se alguém alegar que só consegue ler em papel, deve ter cuidado, aproxima-se o dia em que não apenas os livros físicos serão descartados, mas os leitores deles, ambos, aparentemente, obsoletos.

Ato contínuo: tentei doar a colégios públicos próximos ao meu antigo endereço. Nenhum aceitou. Levei os mais acadêmicos para minha universidade e a acolhida não foi entusiasmada. Consegui doar muitos para presídios, onde a falta de acesso fácil à internet ainda torna o livro físico um valor.

Talvez eu esteja vendo o fim da tradição de Alexandria e outros centros bibliotecários. Será que bibliotecas serão como as canetas-tinteiro que coleciono? Peças antigas, bonitas, evocativas, porém há muito suplantadas por similares mais práticas e fáceis?

Em janeiro estive em uma das maiores bibliotecas do mundo: a Britânica de Londres. Admirei uma exposição com a Magna Carta e outros documentos extraordinários. Ao subir aos andares mais elevados, encontrei, claro, quilômetros de estantes com livros de bela encadernação. O óbvio ocorria a minha frente: a maioria absoluta dos seus muitos frequentadores estava lendo em… tablets. A biblioteca era um espaço de silêncio e de wi-fi potente. Vi que as obras antigas e mais delicadas eram todas digitalizadas e a biblioteca oferecia uma enormidade de títulos para serem baixados.

Toda geração cria nostalgia com sua tecnologia, mesmo a superada. Eu, baby boomer, olho com simpatia uma fita K7. Sei que meus sistemas de baixar músicas garantem mais clareza de som e muito mais praticidade. O que me faz sorrir ao reencontrar a peça é, por certo, uma nostalgia da infância ou uma lembrança de que guardo segredos históricos do passado desconhecido pelos jovens. Que adolescente saberia hoje dar aquela “puxadinha” no braço do toca-discos para iniciar o movimento rotatório do disco de vinil? Qual a utilidade desse conhecimento? Nenhuma…

O importante é o conhecimento, não o livro. Quero aprender e não valorizar um suporte específico, o livro in-quarto em papel feito a partir de celulose. Conhecimento pode estar em papiro, pergaminho, papel ou na tela. O saber é o substantivo, os adjetivos são secundários. A rigor, nada se perderia com o fim dos livros físicos, escaneados, digitalizados, guardados na nuvem e acessíveis a ainda mais leitores. Morrendo minha geração, provavelmente, livros podem ser vistos como um console de telejogo. Alguém ainda lembra ou sente falta?

A minha biblioteca privada vem diminuindo e só conservo obras raras, livros afetivos ou autografados por escritores conhecidos. Baixo mais livros do que compro novos em papel. Suponho que, em alguns anos, prédios de bibliotecas serão como os templos egípcios no vale do Nilo: imensos, solenes, narradores pétreos de uma glória antiga e, sem fiéis ou sem deuses, apenas com turistas e selfies. Será que todos terão consciência de que aqueles templos foram construídos também porque havia saberes em bibliotecas?

Minha rinite melhorou com a novidade, minha alma sempre será melancólica com o fim dos livros físicos. Será que um dia terei no quarto só a senha do wi-fi e os computadores para ver fotografias? Sempre é preciso cultivar a esperança.