Domingo, 5

Calor intenso, 34 graus Celsius. Muito bom, é assim que gosto.

Dia de ficar em casa, nada para resolver.

Fazer biscoito de polvilho, tomar suco de maracujá, fazer meditação, ligar para os irmãos.

Jogamos dominó e víspora, com alguma dificuldade de uma delas em acompanhar com atenção.

Agora assistem TV e permanecem quietas.

Sábado, 4

Mais um dia sossegado, tirando as conversas tensas das duas o dia inteiro. É um tal de uma delas mandar na outra, isso e aquilo e aqueloutro full time. Agora me deram um pouco de sossego, saindo com a filha para ir à horta. Aproveito para escrever sem interrupção, ajustar minhas contas, organizar os e-mails ou apenas ficar de boas em silêncio.

Até a gata se acomodou aqui perto, acompanhando meus assuntos.

Saí de manhã para caminhar, mais ou menos 5km, levemente, parando em dois lugares; o primeiro para comprar tinta spray pois dona Q resolveu pintar os lustres da sala. Ontem passou horas lavando as janelas, e eu com o coração no papo: vai que despenca da escada. É uma temeridade quando pessoas com pouca mobilidade ou condição física precária – dois joelhos travados, inchados – resolve subir pelas mesas, pias, máquina de lavar, o diabo a quatro.

Felizmente, terminou sem incidentes. Ajudei a remover o tampo de vidro da mesa grande da sala, um trambolho pesado e perigoso. Certa vez, trincou de ponta a ponta ao pousar uma travessa quente na hora da refeição. Tremendo prejuízo, trabalho perigoso de recolher os fragmentos.

Funciona assim: eu entro embaixo da mesa e suspendo um lado para que ela remova o cisco acumulado no encaixe do tampo. Fico lá estaqueado até concluir essa parte. Depois, passo para o outro, mesma estratégia. A todas essas, a irmã encostada na porta, olhar no infinito, pensando no vazio.

Voltando à compra da manhã, fui à loja defronte para comprar uma bisnaga de tinta branca pois ela invocou de recuperar os rejuntes dos azulejos da cozinha. Vai ser preciso escovar cada listinha de azulejo, lavar, secar e aplicar o produto. Depois de seco, esfregar uma flanela para dar acabamento.

Será outra aventura, imaginem a cena.

Parei no supermercado para comprar filtro de café 103, mais aveia e guardanapos. Fiquei espiando as novidades e escolhi uma lata de 400g de banha de porco. Conhecem? agora é novidade o que foi tão comum em outros tempos.

Um produto grosseiro que virou “gourmet” numa embalagem bonita, de lata, a preço de caviar. Trouxe uma para distrair as duas. Para mim, um pacote de café “premium”, outra bobagem lindamente embalada. E pão sovado porque ando carente, comendo igual um ogro, enquanto não posso voltar aos treinos de rua.

Estão gostando das histórias? a intenção é distrair vocês com estas mal traçadas linhas, como iniciávamos as cartas antigamente.

Não sei se anotei aqui mas ontem agendei novamente o exame de ultrassom dos “países baixos”. Será no dia 13 às 10h e, por esta razão, pedi para mudar meu horário de 8h da fisioterapia, além da quarta-feira para acompanhar dona U na remoção da perereca superior. A fisioterapeuta reorganizou outros horários.

A questão é que não mencionei que isto se dará na próxima semana, a partir do dia 13 mas, sendo adiantado, a próxima semana começa no dia 6. Não vou assumir a confusão, deixarei assim e invento outra história para a segunda fase.

Estou aqui escrevendo e ouvindo o estrondo na porta que o vizinho atual – defronte meu apartamento – faz ao sair inúmeras vezes por dia para fumar no jardim. É um sujeito jovem, com cara de maluco, não olha nem cumprimenta ninguém. Começa às seis da manhã e vai até perto da meia-noite todo santo dia. É cada bordoada na porta que estremece tudo aqui. Acima do meu são dois malas que falam alto, ouvem música alta, fumam sem parar.

Outros vizinhos incomodados reclamaram e, finalmente, surtiu efeito pois moderaram um pouco. Não endossei a lista porque não quero conversa com estranhos. Basta uma vez que falei direto com o sujeito a respeito de atirar cinza pela janela parando na minha. Abordei o cidadão e expus o incômodo, de forma civilizada. Ele desculpou-se e não aconteceu mais. Conosco não tem enrosco, resolvo na fonte.

Já enchi a paciência de vocês com essas histórias. Vou esquentar a água e fazer um mate. Até amanhã. Divirtam-se, com moderação.

Sexta-feira, 3

Dia sossegado, com atividades moderadas. Andei um pouco no centro da cidade, passei no supermercado, voltei às 10h.

Resolvi o problema com cartão de banco da irmã de dona F que estava travando.

Removi e recoloquei as cortinas recém-lavadas.

Agendei a repetição do exame de ultrassom, para a próxima semana, segunda-feira às 10h; alterei a fisioterapia 16 para 7h da manhã, antes desse exame.

Fiz o treino de musculação caseiro e, enfim, descansei.

Não vamos nos esquecer da meditação às 19h30.

Boa noite, pessoal, amanhã é sábado.

Começou aqui

1-Caro sobrinho

Vi as fotos  de seu novo trabalho; você  é,  sem dúvida, motivo de orgulho para toda  nossa família! Deus te abençoe nesta nova  e brilante etepa de tua vida, conquistada com mUito esforço e dedicação.

tio j

2-

Querido Tio J…:
Muito obrigado pela mensagem afetuosa, fiquei muito feliz com suas palavras! São elas que motivam seguir em frente aprendendo. Cheguei aqui em Oregon literalmente de “mala e cuia” mas também com uma boa reserva de erva –não há outro jeito de vencer os desafios dessa nova fase da vida. Veja, por favor, na foto em anexo da minha nova estante, se estou preparado!
Obrigado novamente pela mensagem. Espero que o senhor esteja bem, rodeado de gatos e netos!
Muitas saudades, grande abraço,
M…, sobrinho

Conversando com o guri

1-Gostei muito do e-mail que você enviou ao tio J. Muito bem.

Educado, atencioso e com um excelente toque de humor ao mencionar erva-mate, gatos e netos. Eu não teria feito melhor. Parabéns!

2-Pois olha… muitobrigadinho, fiquei feliz que ele tenha escrito tb. Espero que esteja bem, na medida do possivel.

Numa nota não relacionada, acabou de vir um cara aqui instalar um telefone na minha sala. Conversando sobre a vida, me disse que ele lidera um grupo de corrida aqui em Newport, com pessoas que correm de 5, 10, 15, 21km –estou pensando em ir la dar uma olhada, quem sabe é um bom jeito de conhecer gente e começar um hobby. Esse cara treina mesmo é pra 100 mile run –e agora ta treinando para uma de 260 miles!
Antes de vir pra ca, em Floripa, encontrei o Nivaldo, aquele professor meu da UFSC. Ele perguntou de vc, se vc ainda esta correndo. Ele tb tem treinado bastante pra maratona e pedaladas longas. 
Correr e se exercitar sempre parece ser o unico jeito de ficar velho bem –ou bem velho, tanto faz.

3-Ninguém escapa de ficar velho. Correndo você não vai ficar velho antes do tempo porque a medida ainda é pelo calendário. Já pelo espelho a percepção é outra. Faça uma tentativa de se enturmar. Eu não consegui vencer a fobia social. Gosto de treinar sozinho. Mas há quem prefira fazê-lo em grupo. Experimente, não custa nada. Faço meus exercícios todos os dias. Atualmente, sem correr, para tratar deste pequeno estiramento do tendão do reto-abdominal. Tão logo a Ft B… me autorize, volto com tudo. As provas ainda estão longe no horizonte. Sem problema, gosto mesmo é do exercício diário.

260 milhas! há pessoas que fazem coisas inimagináveis enquanto outros fazem só besteiras. Choose the right way.

Quinta-feira, 2

Ótima temperatura para sair e caminhar. Andei 5km, um pouco dolorido dos exercícios de ontem.

Parei no supermercado para comprar limpador de móveis, a pedido de dona V.

Na entrada sempre há pessoas pedindo uma ajuda ou outra. Hoje não foi diferente. Uma família composta de avó, mãe e duas crianças.

Abordavam cada freguês, mas de maneira leve. Ninguém dá atenção.

Pediram um litro de leite. As crianças tinham tomado café? Não.

Comprei pão, queijo, presunto, leite, banana e maçã.

Entreguei, agradeceram com um Deus lhe abençoe.

Agradeci e perguntei das crianças: Lucas e Amanda, de 3 e 2 anos.

Despedi-me com “cuidem bem dessas crianças”.

Quatro da tarde: levei dona T ao dentista para fazer um reparo de um trechinho quebrado. O dentista não quis cobrar. Ofereceu de cortesia. Agradeci. Marcamos a retirada do conjunto superior para análise e reforma na próxima semana. Valor de 15 mil reais. Segue o baile.

Quarta-feira, 1o. de setembro

Sessão 15 num dia frio e eu com a lombar travada. Fui andando para aquecer as canelas e me fez bem.

Fiz vários exercícios pesados, voltei andando, parei na farmácia para comprar os remédios de dona Q e cheguei a tempo do mate e almoço.

Dona Y está faceira com as fotos que o guri manda, contando das novidades.

Mais uma conhecida de longa data se foi esta semana. Tinha visto no jornal mas Ben me conta por WhatsApp, incluindo a irmã dela, a mais velha F, em tratamento.

Terça-feira, 31

Dia de pagar o DARF número 4 de 8 parcelas. Tudo certo. Pagamento feito. Pago com satisfação porque meu guri até hoje recebeu várias bolsas do CNpQ e da CAPES para pesquisas e estudos.

O dinheiro sai dos impostos pagos pelo povo para inúmeros assuntos, entre os quais esses dois que mencionei.

Os três filhos estudaram em universidade pública de qualidade, financiada por estes impostos.

Uma mão lava a outra, dizia meu pai, e o sabonete lava as duas.

Hoje passei horas fazendo uma correção de texto diferente: um primo de dona H resolveu fazer a biografia da família.

Pediu a todos os vivos que mandassem um trecho de cada um, juntando fotos dos descendentes.

Imagine a salada literária. Ofereci-me para dar um jeito no conjunto. Trabalho complicado mas consegui chegar vivo ao fim.

Agora, beirando 6 da tarde, vou fazer um pouco de exercícios e alongamentos.

Está frio aqui. Não gosto disso.