Domingo, 9

Ontem à noite organizamos toda a bagagem para viajar hoje cedo. Ficou acertado que traria o irmão 1 até SP para que ele evitasse a permanência em aeroporto, táxi e outros contatos em vista do agravamento da pandemia.

A viagem seria mais demorada por entrar e sair da capital. Mas tudo bem, nada é sempre igual.

Só não contava com a cunhada começar a passar mal ali pelas 10 da noite. Já tínhamos nos acomodado quando dona U estranhou o acender e apagar de luz, o andar pra lá e pra cá da 02.

Foi o tempo de levantar e percebê-la a vomitar, empalidecer, desabar tal e qual dias atrás.

Chamei o atendimento de emergência do plano dela. Avisaram que estavam com muitos chamados mas iriam atender dali uma a três horas. O recurso foi esperar.

Chegaram à 1h15 da madrugada. Atendimento de praxe, verificando os sinais. Pressão alterada, taquicardia, náusea, aparência confusa.

Tacaram-lhe uma injeção de Dramin e ficou por isso mesmo. Acomodada ali pelas 3 da manhã, dormiu e acordou às 8h já recuperada.

Resultado para nós: viagem cancelada e aguardar a recuperação. Dona F quer levá-la, a irmã se recusa.

Vamos passar o domingo nessa ladainha.

Refugio-me na meditação e imagino ficar mais uns dias por aqui.

Cada dia uma surpresa e assim vamos vivendo pleno de emoções…

Sábado, 8

Fiquei uma hora e tanto no vento ali fora defronte ao número 660 esperando as duas serem atendidas. Estranhei a demora.

Ao sair me contaram que foram atendidas pontualmente às 15h40 e a consulta se estendeu por mais de uma hora.

Médico educado e atencioso, explicou tudo detalhadamente confirmando o diagnóstico e a prescrição dos medicamentos, aumentando um deles de 5 para 10mg.

Reforçou a recomendação de vida social, exercícios, blá, blá, blá, sempre a mesma história.

E a mesma história se repete: a paciente não vai seguir a prescrição, saiu com uma cara de desacorçoada, tudo em vão, perda de tempo e vai ficar na mesma toada.

De modo que dona R ficou furiosa e quer ir embora amanhã levando-a a reboque.

Mas a dita cuja não quer voltar conosco.

E hoje, apesar do frio de 14 graus não me intimidei e saí para o treino de rua às 8h, em corrida leve até atrás da Rodoferroviária, no meio daquele pessoal que vive por ali debaixo dos viadutos e pontes. Passo correndo e cumprimentando um por um. Dinheiro não tenho mas dou um bom dia e aceno para cada um.

Num trecho plano, reto e vazio faço os tiros de 1 minuto em 5 vezes, intervalado com 5 minutos de corrida leve.

Terminada essa parte, voltei correndo pela Conselheiro Laurindo até em casa, tendo percorrido 9,5km

Descansei o resto da manhã, levei as senhoras fazer compras para a casa e para voltar, finalmente, amanhã para meu canto.

Vim me despedir do irmão 2, ajudei-o a pagar umas contas pelo computador. Aceitei um cafezinho simples e volto para arrumar minhas bugigangas.

Sexta-feira, 7

Dia gelado, 16 graus. Fazendo a musculação indoor via vídeo com o treinador às 7h30 da manhã.

Na sequência, já saio para ir ver o irmão 2. Vou de carro porque dona B começa a implicar e a temer uma possível contaminação no uso do busão.

Sem perder tempo com novas explicações vou guiando. É bom também porque há garagem disponível no prédio dele.

Encontro-o mais uma vez prostrado, abatido. Talvez seja a mudança nos remédios. Talvez não. Está deprimido, imóvel.

A cuidadora aproveita para ir ao supermercado. Tenho a nítida impressão que é mais para distrair-se.

Ajudo-o a ir ao banheiro. Ajudo-o a recolocar as roupas. Ajudo-o a sentar-se.

Preparo o mate apesar de não ter vontade ainda, é cedo para mim.

Fico até que a senhora volte, resmungando dos preços, das filas, da demora

Meio-dia. Almoço, descanso, hora de levar a 03 à consulta. Parece dirigir-se ao matadouro.

Estaciono em frente ao número 660, tomando um vento nas cadeiras. Agora é só esperar. Mais uma vez tipo Esperando Godot

Janeiro, 6

Cono chove nesta cidade, mano. Hoje saí às 8h para a rodagem tradicional, levando ainda uns pingos no lombo.

Treino forte e bom, pelo Centro Cívico, Bosque do Papa, Mateus Leme e adjacências. Foram 8km bem aproveitados.

Às 10h fui novamente visitar o irmão 2, levando-lhe o bolo de aipim e mais as histórias antigas.

Está ainda abatido, trocando o remédio, falando praticamente nada. Descobri que levou um tombo dias atrás ao tentar sentar-se numa cadeira sem ajuda.

Errou a posição e sentou no vazio. Foi ao chão direto, bateu a cabeça. A cuidadora ouviu o barulho mas já era tarde.

Não foi um grande problema. Apenas a dificuldade para erguer de volta. Em vez de me chamar ou pedir ajuda ajeitou-se arrastando e erguendo aos poucos. Situação perigosa para ambos.

À tarde, café em casa de uma prima velhota das duas. Mais um sacrifício que faço para animar as duas. Três horas de conversa inútil sobre histórias passadas.

Chuva sem parar, frio de inverno.

Meditação para reorganizar os pensamentos desasossegados

Janeiro, 5

Atividades: sair às 8h e comprar tapete antiderrapante, de quarto, para o irmão 2, passeando na Muricy. Gastei 35 reais.

Voltei até o açougue em frente da Biblioteca para comprar fígado. Ia chegar às 11h. Tem mignon? Porque as duas têm dificuldade com cortes mais firmes. Não, não tem. Então vamos de moída mesmo, no capricho, por 45 reais o quilo.

A aparência do estabelecimento não atrai mas a qualidade é excelente.

Ao lado, na Viana, comprei 1kg de requeijão com cara de bom para fazer a torta. Comprei também pepino azedo.

Deixei as compras em casa e rumei via busão para entregar o tal tapetinho, tipo passadeira porque é vendido no tamanho que o freguês pede. No meu caso, um metro e meio. Paro nas Lojas Americanas e compro água de coco em caixa, 11 reais, para ele.

Encontro o irmão ainda na cama pretextando cansaço. Tem sido recorrente esta situação.

Alegrou-se quando mencionei que era presente e não precisava me pagar. Fiquei pouco mais de uma hora e despedi-me. Hoje é sessão de diarista e ele fica desassossegado.

Dali fui aos irmãos 1,4 e 5 para tomar mate até a hora do almoço. Ganhei um pote de doce de leite, presente do afilhado de Minas.

Em casa, mal tive tempo de almoçar e chegou a entrega do fogão comprado ontem.

Montei, testei, funcionou, retirei o antigo, troquei as tomadas velhas por novas de 3 pinos, tudo funcionando perfeitamente.

Fiz o treino indoor e parei de me agitar às 6 da tarde. Agora limpo e alimentado, eu vou é sossegar enquanto as duas assistem à novela.

Enfim, descanso. Vou ler porque hoje não há meditação em grupo. Salve, pessoas, até amanhã porque chove aqui que dá gosto.