Sábado, 12

Acordei tarde para meus padrões, às 8h. As duas já estavam tomando café e discutindo pela enésima vez. Nem quis saber do teor da conversinha.

Saí às 9h para rodar 8km conforme a planilha. Tempo meio frio mas com sol e céu azul.

Parti em direção ao Centro Cívico, subida para o Museu do Olho e, de lá, até próximo do Parque São Lourenço. Fiz meia volta ao completar 4km e voltei no mesmo ritmo leve até o Passeio.

À tarde, visitei o irmão 2 durante duas horas e, de lá, estendi a vista aos irmãos 4 e 5 onde sempre rendem boas risadas.

Sexta-feira, 11

Treino de hoje às 7h20, musculação indoor via vídeo. Acordei cedo, fiz café antes das duas acordarem.

8h30 – treino encerrado, agora tomo café completo.

10h – visita ao irmão 2 onde faço o mate como ele gosta. Quantas cuiadas tomou? só uma. Tem muita dificuldade tanto para segurar a cuia quanto para sorver a água.

Faço-lhe companhia até onze e meia e volto para o almoço. Já em seguida visito dois apartamentos à venda neste prédio.

O primeiro, todo reformado e modificado, fica ao lado do nosso e o proprietário pede 330 mil. Não vale tudo isso. Além do mais o barulho da rua é infernal pois está ao nosso lado. Dona R gostou porque é cheio de trique-triques.

O segundo, que preferi, fica na mesma localização (final 4) mas no 16o. andar, com a vista sensacional. Está integro. Só precisa reformar as portas dos armários.

Pedem 280 mil e o corretor sugere que dá para pechinchar até 5%.

Mostro interesse sem exagero. Vou fazer as contas e a contraproposta.

A ideia é ter um endereço perto da 02, manter a privacidade nossa e a dela, investir uma parte de minhas reservas no terceiro imóvel e ficar mais perto de meus irmãos, um pouco lá e um pouco cá.

Quinta-feira, 10

Dia de pagar contas: IPTU, treinador, IPVA, condomínio, consultor financeiro, Zen e outras mais miúdos.

De manhã saí para rodagem de 8km até o Bosque do Papa e circuito do Passeio. Voltei próximo das 10 horas, já meio atrasado para ir ao irmão 2. Preferi ficar em casa a sair apressado, tendo que abastecer o carro porque o tanque já estava no mico.

Tinha percorrido 540km desde domingo.

Descansei um pouco após o almoço e saí para levar a 02 ao primeiro exame da sacolada prevista para os próximos dias. Levei dona Q junto para que entrasse na igreja, aquela tal da Getúlio Vargas. Orou e fotografou enquanto a outra fazia o exame de RX torácico.

Uma hora depois voltamos e reabasteci o carro com 43 litros a 6,50 cada, com mais um susto pagando 280 reais. Tudo bem, é assim mesmo.

Deixei-as em casa e fui ao barbeiro da Galeria Ritz, que, por apenas 60 reais, fez-me novos caminhos de rato. De lá, ao açougue perto da Biblioteca Pública e, duas portas adiante, tipo polaco, comprei pão d’água e pepino azedo.

Deveria voltar para casa neste sábado mas o plano já gorou, mercê dos tais exames que estão se ajeitando.

Quarta-feira, 9

Dia de nascimento de meu pai de saudosa memória. Foi registrado em 9 de fevereiro de 1911.

Também seria o aniversário de minha sogra, registrada nessa data mas há controvérsias. Parece que o registro tardou a ser feito e a data do nascimento seria 22 de novembro de 1921 e o registro foi feito em 9 de fevereiro de 1922.

Mas tudo isso nada importa mais. Nem antes.

Em todo caso, a 02 foi até a Catedral encomendá-la na missa do dia. Deve ser à data que mexe com elas. Uma está jururu e a outra irritadiça.

Na dúvida, me mandei logo cedo com o joelho esfolado mesmo e fiz o treino usual de corrida, ida e volta até adiante do Parque do Papa. Foram 6km ótimos.

Cá estou na Praça de Esportes da Artur Bernardes. Trouxe-as para o retorno de consulta da 02. Fico na sombra, num banco da praça, descansando e escrevendo e apreciando o movimento. São duas da tarde de um dia de sol e temperatura amena.

Três da tarde: saem as duas com cara de velório. Não é novidade mas, mesmo assim, pergunto quais as conclusões.

Complicado. A médica pediu novamente endoscopia acrescida de colonoscopia em ritmo de urgência: exame detectou sangramento nas áreas digestivas.

Precisa fazer estes exames e mais ultrassom da região abdominal e RX do tórax e adjacências. Ou seja, uma pesquisa completa do aparelho digestivo e vizinhanças.

Além disso, a densitometria acusa alto grau de osteoporose. Vai precisar de uma injeção especial, só aplicada por não sei quem não sei aonde.

Resultado prático para mim e dona F: ficar por aqui mais tempo que o previsto pois queria voltar embora neste sábado.

Chegando em casa já tratei de acessar o plano de saúde e requisitar os exames. Lá se foram duas horas de serviço no computador mas dei um avanço bom nesta matéria.

Para me distrair de todo esse assunto estressante fui fazer a visita tradicional e diária ao irmão 2.

Encontro-o já deitado alegando cansaço. É assim: pouco se move, não sai de casa mas padece de uma fadiga crônica.

Conversei um pouco, mal e mal entendo o que tenta falar. Fiquei uma hora e meia e volto para casa a fim de continuar o planejamento da questão anterior.

Não vai ser fácil mas dá-se um jeito.

Terça-feira, 8

Treino de hoje: andar 3km e musculação em casa.

Às 10h, levar as 01 e 02 até as Lojas Americanas. Dona P quer escolher uma TV nova para a irmã. Esta faz de conta que aceita. Uma hora depois vou buscá-las. Nada feito.

Vou ao irmão 2 e ajudo-o a pagar umas contas, fazer transferências, preencher formulários.

Insiste para eu fazer um mate. Pronto, tomo sozinho. Ele refuga. Fico até 6 da tarde e volto para jantar e entrar no grupo de meditação.

O irmão 1 fez hoje a primeira cirurgia de catarata, lado esquerdo. O direito será na próxima semana.

Se eu estivesse por lá, faria companhia para levar, trazer e atender. Mas cá estou na segunda função. Foi atendido por um casal de amigos, ali da rua Alfonso Bovero.

Segunda-feira, 7

Dia escuro contrastando com o céu limpo e sol de ontem à tarde. Saí às 8h30 para andar porque o treino não será possível – o estrago no joelho me impede de dobrá-lo corretamente.

Andei 6km tendo ido até a avenida Getúlio Vargas buscar um exame da 02.

Agora de carro, fui visitar o irmão 2. Encontrei-o jururu. A empregada me contou que ontem teve mais uma treta com as filhas, resultando numa discussão áspera.

Fiz-lhe um mate caprichado, contei umas histórias mas foi inútil a tentativa de agradá-lo.

À tarde, visitei os outros brothers. Fiquei lá um tempão, das 4 às 7h30, tomando mate e contando as aventuras desses dias.

Histórias do dia a dia

Sexta-feira, 9h, de carro em direção ao petshop, pela avenida Carmona, mantenho a esquerda para fazer o retorno e acessar a loja pelo lado direito. Vou devagar, sinalizo a manobra e um sujeito atrás claramente irritado com minha velocidade fica praticamente encostando na traseira. Dou-lhe a vez, ele ultrapassa acelerando e para 50 metros adiante exatamente aonde eu também iria.

Estaciono ao seu lado porque a vaga disponível estava ali. Não encaro, não sinalizo nada. Desço calmamente e entro na loja. O tal velhote estressado fica com cara de paisagem e some-se.

É um maluco atrás do outro, o tempo todo.

Hoje, sábado, saio às 7h para minha rodagem de 8km na avenida. Deixo o café pronto e um bilhete porque dona Q ainda está acomodada.

O dia está perfeito para correr e é o que faço após andar 10 minutos para aquecer. Desço a Marcondes Salgado, entro à esquerda na avenida e sigo macio. Macio até completar o primeiro quilômetro e me estatelo na calçada, tendo escorregado na terra molhada trazida pela chuva.

Além do susto, sangrando o joelho, sujo de barro nas pernas, tênis, braços e calção, estou uma figura lamentável. Seguir adiante é só que penso. Atravesso a avenida e, no canteiro central, me lavo nas poças da última chuva.

Um que outro me olha de soslaio devido ao sangue escorrido. Este logo some lavado pelo suor que escorre pernas abaixo.

Completei o circuito desejado de 8km e volto andando para casa. O corpo vai esfriando e as dores aparecem.

Mais uma aventura desastrosa com um final mais ou menos. Ruim pelo acidente, bom pelo treino concluído.

Nada novo. A vida é feita de pequenas histórias.