Um dia tristonho. Milu morreu às 12h45 junto de mim, de Marly e de Maria Izabel.
Aos 22 anos, apagou suavemente, sem alarde, sem sofrimento aparente.
Fui buscá-la ontem às 21h no Hospital já sabendo que chegara ao fim.
Veio silenciosa, imóvel. Em casa, saiu lentamente da caixa de transporte, andou e olhou todos os cantos.
Tomou água, dormiu a noite toda na minha cama, encostada em mim.
Acordou às 6h, tirei-a da cama e levei até a caixa de areia. Não parava em pé, não urinou.
Acomodei-a no sofá preferido e ali ficou até o meio-dia.
Começou a respirar pela boca, olho lacrimejando, nariz escorrendo, pupilas dilatadas.
Liguei para a médica. Está terminando, ela disse.
Marly e eu ficamos ao lado, observando.
Ela ergueu a cabeça, olhou para cada um de nós. As pupilas abriram totalmente. Teve dois ou três espasmos e ficou imóvel. Morreu em paz, sem sofrimento, sem ruído, discretamente como viveu.
Levei-a ao Hospital e encomendei a cremação. Encerra-se, assim, um longo ciclo de vida conosco, onde foi cuidada e viveu em segurança e acompanhou várias fases de nossa vida, de nossos filhos, de nossos netos.
Milu – 07/10/2004 a 30/10/2026