Histórias

Mate – tomo todo dia. Mas atualmente já alterei a rotina de prepará-lo sempre à mesma hora, quase uma obrigação. Assim, mudo os horários e começo a preparar quando realmente me bate aquela vontade forte. Nem sempre coincide com o gosto de dona R, companhia constante.

Além disso, ela costuma reclamar da temperatura que nunca está boa, seja muito quente ou ainda fria. Acho que é apenas mais uma mania. Quando decide que está muito alta, costuma remover a tampa da garrafa térmica, como se fizesse alguma diferença.

Mas se acha que a água está fria – e aí sempre concordo porque gosto de água pelando – volto a esquentar a chaleira.

Aqui não usam chaleira, apenas umas caneconas de aço inox. E o fogão também não é a gás mas elétrico, só uma superfície preta e que fica vermelha ao ligar. Só tinha visto isso em programas culinários de TV.

Dá uma impressão engraçada ver aquela rodela vermelha sem sair fogo.

Lembro de um tio, proprietário de uma serraria na rua GK, que sempre esquentava a chaleira num fogareiro a álcool. Sempre considerei o melhor chimarrão que já tomei na vida, talvez pelo cheiro do álcool queimado impregnar-se ao ambiente e à sua conversa divertida. Apesar de que ele comprava uma erva pavorosa chamada Elizabeth. É um mistério sair um mate bom com aquela erva de péssima qualidade.

Boa mesmo era a Erva-Mate 111, de Rio Negro.

Daí vem a lembrança horrorosa do cheiro do Posto de Saúde e das donas Zo… e Helinha , aplicadoras de vacina na criançada do Grupo, desinfetando os aparelhos de injeção e o braço das vítimas.

Coincidência ou não, há histórias delas duas pularem a cerca seguidamente. A primeira não sei com quem.

Já a segunda todo mundo sabia que o autor era Olegário, gerente do Banco do Brasil.

Hoje estou no modo maledicência mas a verdade é essa e ninguém pode mudá-la.

Segunda, 6

Segunda-feira, 6 de julho

Pontualmente, às 8h, chega a baby-sitter. E sempre com uma novidade. A de hoje é a seguinte: soube desde sexta-feira através de uma amiga que conversou com outra amiga que conhece a mãe da amiga da outra mãe do menino acidentado etc. e tal que ele está fora do coma, não vai ficar tanto tempo internado  e que o segundo resultado de Covid-19 deu negativo.

Assim sendo, nunca teria contaminado a menina daqui.

E por que não contou a ela logo que soube?

Pois é, não liguei na hora, depois estive não sei aonde, e depois e depois e tal e só hoje de manhã é que contei.

De modo que toda essa aflição poderia ter sido evitada ou, pelo menos, já poderia ter voltado para casa há três dias.

Mas as coisas não acontecem assim sem mais nem menos. Parece que tudo tem um propósito.

E ela descansou uma semana e teve tempo para refletir na pressa, na ansiedade.

Então, tudo volta ao normal.

E lá em C também vão sossegando e entrando nos eixos.

Para dona V sobra a experiência de que não adianta se afligir demais com os assuntos alheios. Cada um sabe de si, cada um sabe onde lhe aperta o calo.

Para não perder o costume, aí vai o registro do treino de hoje: 5km de rodagem moderada, na rua, no calor, no sol. Tudo de bom.

Domingo, de novo

Meus leitores já devem estar cheios dessa história de treinos de hoje, sempre as mesmas descrições do mesmo assunto.

De modo que vou comentar outro tipo de casos, tais como esses de Samas, sem ofensa…

Samas 01

No site da Prefeitura há um folder, até bem caprichado, dando conta do calendário de Coleta de Recicláveis no interior do município. Há uma escala com datas e nomes das comunidades abrangidas.

Gosto de ler e lembrar dos nomes desses lugares. Há alguns bem curiosos. É o caso de Mico Magro.

Só que o redator grafou Micro Magro. Pode ter sido distração ou ação do corretor automático. Micro Magro para mim é um laptop fininho.

Aproveitei o ícone de “Fale conosco” e escrevi para o canal de ouvidoria alertando, sem zombaria, na maior seriedade possível, do engano que encontrei.

Isso aconteceu há alguns dias e, até agora, nenhuma resposta.

Samas 02

Uma notícia curiosa no Portal RDX sobre o sujeito que comprou uma gaiola e dois passarinhos mas não chegou com eles em casa porque foi abordado por um cidadão furioso, que lhe tomou a gaiola, soltou as aves e ainda deu-lhe um pontapé no lombo, sabe-se lá o motivo.

Dessa história se conclui que houve duas atitudes: um ato bom de libertar os pássaros e outro, mau, de agressão gratuita. Ao final, um anula o outro. E o agressor foi parar na delegacia pra deixar de ser tongo.

Domingo, 5

Dia de descanso. Mesmo se quisesse não deveria sair. Motivo: qualidade ruim do ar, causada pela fumaceira de ontem nos fireworks, queima de fogos de artifício no país todo, aliado à nuvem de areia que, vinda do Saara, atravessou o oceano Atlântico e poluiu o sul da Flórida.

De modo que é uma desgraça atrás da outra.

Já no Brasil ocorreu aquele tal de ciclone-bomba, causando queda de energia e destruição física por onde passou.

Hoje é dia 5. Tenho mais 20 dias aqui, se não houver nenhum atraso ou alteração no vôo.

Resta-me saber o que farei quando voltar para casa.

Minhas atividades físicas, consultas atrasadas, barbeiro (dona F não me dá sossego nesse assunto), retorno ao dentista para refixar duas próteses provisórias que estão ficando definitivas apesar de frouxas.

Vai ser complicado visitar meus irmãos. Como ir até lá e respeitar 15 dias de quarentena a cada vez? Ou a cada passo, como dizem os paranaenses…

O protocolo da Covid-19 estabelece que, a cada deslocamento, se respeite um intervalo devido à viagem que causou o passeio.

Vai ser complicado mesmo. Vou esperar chegar o dia de cada assunto para resolver um por um.

Bom domingo, pessoas.

Sábado, 4

Dia sagrado aqui : feriado nacional comemorativo do Dia da Independência.

Treino de hoje : 8 km debaixo de um solão daqueles. Já completado às 9h30, seguido de alongamento na piscina.

Parece que vai ser um dia tranquilo aqui. As crianças dormiram a noite toda e amanheceram mansas.

Sexta-feira, 3

Bateu o desespero em dona X para voltar imediatamente ao Brasil. Bufou o quanto pôde ontem e hoje de manhã.

Quer porque quer se mandar a pretexto de liberar a casa aqui para o retorno da filha, que sequer tem o tal resultado do exame.

Está previsto para divulgação apenas na segunda-feira. Aí temos uma querendo voltar e a outra querendo sair.

Nem a primeira deve fazê-lo em respeito ao cronograma nem a outra consegue ir embora.

Porque não há voos previstos. Esperei o berreiro passar e fui consultar o site da companhia aérea.

Surpresa… não há nenhum voo previsto para julho, com exceção daquele que remarquei para dia 25 e já aparece mudado para dia 24.

Resumo da novela : ficou tudo como antes, sem mudança nenhuma.

Nessa crise, nada é certeza.

Treino de hoje : 6km mais rápidos, em 36min hoje às 8h30, já com 30 graus.

Agora às 15h o termômetro marca 36…

Quinta-feira, 2

Treino de hoje: musculação e trote de 4km. Dia de forte calor. Ao terminar, recebi uma ligação dos irmãos Guedes para contar umas histórias. O mais velho passou um mês e tanto numa clínica de reabilitação, para controle do uso de medicamentos e álcool.

Quadro de depressão e aborrecimentos vários; segundo casamento, filho casado desacorçoado com o país, emigrando para a Alemanha com a mulher.

A soma de preocupações às vezes derruba o freguês e este vai buscar ânimo em produtos químicos e aí desanda a maionese.

Supervisionado pelo irmão, tem obtido bons resultados. Escreve-me todo dia. Respondo-lhe amigavelmente.