Sexta-feira, 30

Testes concluídos às 8h30. Tive a impressão que o ergométrico foi inútil. Acontece que, em outras ocasiões, era um exame rigoroso, feito por um médico, de olho num monitor cheio de informações.

A cada incremento de velocidade ele media a pressão e, ao final, já fornecia o resultado.

Agora, feito por uma atendente, com uma medida antes e outra após, somente cinco minutos na esteira.

O resultado está prometido para a próxima sexta-feira, ou seja, vai ser “analisado” sabe-se lá onde e por quem.

Às 9h já estava de volta em casa. Hoje é um dia frio, úmido, chuvoso e com muito vento.

Não tinha atividade física programada devido ao exame. E se tivesse, não sairia de casa. Com frio, não mesmo.

Terminei o balancete da Associação, refiz os cálculos do orçamento mensal, escrevi, descansei, ajudei na arrumação da casa, fiz a meditação das 19h30.

Um dia igual a tantos outros. Mas bom.

Comentando

Esperei um tempão para ser atendido e despachado com o aparelho na cintura. Horário marcado para 9h, chego às 8h50 e sou atendido às 9h30.

Sem perder a paciência, fico observando o vaivém dos outros pacientes e impacientes.

A clínica é improvisada num consultório antigo e antiquado, espremido, móveis velhos, poltronas manchadas pelo uso.

Nada que demonstre capricho, higiene, cuidado com o público.

Outras clínicas que utilizei aqui estão ou fechadas ou descredenciadas. É visível a decadência de nosso plano de saúde.

Nesta semana um dos médicos recusou-se a nos atender sem pagar “por fora”. A outra atendeu mas não deixou de reclamar – ou insinuar – que há três anos não tem aumento.

Fora esses rumores, vamos ao que interessa.

Para preservar uma vida longa e com saúde é importante mesmo não ficar confinado em chácaras ou mesmo em casa, optando por sair, praticar esportes, estudar um instrumento musical, fazer trabalho e atendimento social.

Há tantas oportunidades de se mexer e divertir-se afastando o estresse, em qualquer lugar ou cidade, pequena ou metrópole.

Recebi aviso do dentista postergando novamente minhas exodontias. Parece que a cirurgia a que ele submeteu-se devido à fratura da clavícula deu problema, soltando o pino. Terá que refazê-la, significando um novo atraso no meu atendimento.

Uma viagem breve iria fazer bem agora para nossos dois lados. Hoje, particularmente, quase não se levanta ao acordar. Deu trabalho para ficar em pé e começar o dia.

Na consulta com a reumatologista, ia contando que passou muito melhor nos tais seis meses no exterior, ao contrário de agora com tanto sofrimento.

A resposta da médica: natural, pois junto das crianças, num ambiente favorável e afetivo, espaçoso e ao ar livre, tudo fica melhor. Agora, fechada em casa, longe dos pequenos, tudo piora. A senhora precisa viver ao ar livre.

Em casa, sugeri: vou comprar uma propriedade pequena em S onde você poderá lidar com suas plantas. Quem sabe, talvez passando umas temporadas mais próximos de antigos parentes e amigos seja benéfico para a saúde. Pode ser, não é?

Espiei os preços e ofertas das imobiliárias de S e há várias opções para todo tipo de orçamento. Mas é preciso decidir com firmeza.

Ontem completamos 38 anos aqui. É muito tempo. Lembro do dia da chegada, igual um graxaim ou quati, com os filhotes pendurados no lombo.

Quinta-feira, 29

São 8h50 e aguardo minha vez de colocar o medidor de pressão. Vim a pé e a camisa já está úmida de suor. Vou passar vergonha. Deveria ter vindo de carro.

Aqui é o centro velho da cidade, impossível de encontrar um espaço para estacionar. E é perto de casa. Não justifica percorrer dez quadras usando carro.

Quarta-feira, 28

São 5h30, estou passando café.

Agora são 8h30 e estamos saindo para a consulta ao endocrinologista às 8h50.

Atendimento cordial e pontualidade. Um bom começo. Médico idoso, educado, atencioso. Resolveu rapidamente o ajuste na dosagem dos remédios.

Um consultório minúsculo, pelo jeitão improvisado numa sala dentro de um Laboratório de Análises Clínicas. Muita gente por ali.

De saída, parei na farmácia e já comprei os novos medicamentos de dona F e lá se vão 187 reais.

São agora 10h30, o calor está forte e assim mesmo saio para rodar 5km.

Ando 1km e corro 5km.

São 13h30 e vou à farmácia de homeopática para aviar a receita de mais um suplemento para mim e dois para dona B.

Lá se vão 300 reais. É perto daqui mas fui de carro porque já estamos com 30 graus ao sol.

São 14h e estou no supermercado ao lado para comprar café.

Um sujeito me aborda e pede dinheiro. Aviso-lhe, mostrando a carteira, que não carrego dinheiro e só uso cartão.

Sem desistir, começa a contar uma história que promete ser comprida, de liberdade provisória, dois homicídios, precisa ir não sei aonde – não entendo bem por causa da máscara – e queria comprar xampu e condicionador.

Esses papos sempre são esquisitos. Disse-lhe que esperasse eu terminar minhas compras e passaria no caixa o que ele precisasse.

Ao terminar, estava ele esperando lá fora. Chamei-o e autorizei comprar o que necessitasse.

Não se fez de rogado. Escolheu o xampu e condicionador Nívea. Precisava mais alguma coisa? Sim, um desodorante. Escolha, então. Em instantes volta com um pote de hidratante, um desodorante spray, e os tais xampu e condicionador já mencionados.

Agradeceu-me e saiu. Paguei a conta extra de 88 reais. Tudo certo.

Chamo isso de impermanência, a essência do Zen-Budismo: coisas acontecem do nada, surgem e somem, e a vida continua.

São 15h30 e estou descansando e escrevendo essas histórias.

Terça-feira, 27

Hoje o treino foi caseiro, com muitas repetições e alguns exercícios com pesos. Nada muito forte pois tenho em casa apenas dois halteres de 3kg. Mas foi bom porque mexeu com mais grupos musculares, principalmente dos braços que, com essa falta de academia, estão afinando e murchando.

Foi uma hora forte com saltos, polichinelos, abdominais e elevação de pesos.

Mate e almoço mais cedo para chegar com antecedência à consulta de dona R na reumatologista, às 13h20, pois ela recomendou que chegasse com 15 minutos de antecedência. Como é uma médica minuciosa e exigente, quando eram 13h já tínhamos chegado lá.

Para minha surpresa, ela chegou às 13h23, sem máscara. Estranhei a atitude mas ficou por isso mesmo. A consulta transcorreu normal, com as indicações de sempre. Dona W apresenta um quadro bem piorado desde a última visita em janeiro passado.

Ao final, arrisquei perguntar se teria recomendações especiais para nós ou, principalmente, para a paciente visto ser sócia de vários grupos de risco.

A segunda surpresa foi a resposta, explicando que era totalmente contra o isolamento e afastamento da vida social ou rotinas de sair para compras e que tais.

Afirmou que, sem duvidar da gravidade do Covid-19, basta a higiene para se manter hígidos e que esse “terrorismo” (foi o termo que usou) serve para politicagem e outros interesses, em que há os beneficiários de sempre e os pagadores das contas de sempre também.

E agora? em que acreditamos?

Segunda-feira, 26

Treino de hoje: 7,5km sendo seis correndo forte e 1,5km andando.

O resto do dia enclausurado. Comecei o treino tarde porque fiquei ouvindo as histórias de dona Z que, de tempos em tempos cada vez mais frequentes, volta a rememorar suas dolorosas passagens de infância.

Quem não as teve?

As décadas de 50 e 60 foram particularmente difíceis para todas as crianças e adolescentes.

Não preciso relembrar isto pois todos vivemos estes tempos bicudos.

Mas volta e meia essas lembranças ressurgem e ouço-as pacientemente.

Faz parte de minha poupança de indulgências adquiridas para conquistar um lugarzinho no céu.

No offense. I’m kidding, ok?

Domingo, 25

Dia de descanso dos treinos. Andamos novamente 950 metros em trinta e tantos minutos. Foi mais difícil que domingo passado, mais devagar, mais doloroso.

O progresso da doença é perceptível a cada semana. Vamos fingir que vai melhorar porque temos duas consultas marcadas nesta semana.

Café da tarde a convite da filha. Marcado para 16h, a outra filha e as crianças ligaram cinco minutos antes.

Daí fomos às 5h, sem prejuízo da visita. E voltamos a tempo da meditação das 19h30.

Tudo certo.

Sexta-feira, 23

Atividades de hoje: rodar 5km fortes, às 8h. Estou levantando cada dia mais cedo devido a esta gata Milu, que começa a miar tal e qual uma desesperada.

Quer tudo: comer, tomar água, urinar, correr, olhar pela janela. Fica miando forte ao lado da cama e só para quando desisto de ficar acomodado.

Depois que ela resolve suas tarefas, volta a dormir. Já eu, não. Desperto e faço café, ajeito o orçamento, leio a correspondência. Após o almoço, ajudo na arrumação.

Fui descansar um pouco e apaguei até 5 da tarde. Tive um suadouro, dores musculares, mal estar.

Tomei um banho frio e fui à farmácia tomar a primeira de cinco injeções de B12.

Uma espetada dolorosa, feita por uma jovenzinha com jeito de frágil mas de mão pesada.

Chuva na volta, trânsito lento.

Meditação às 19h30. Às sextas, após a prática, sai sempre uma conversa descontraída onde se pode contar nossas experiências, começos, atividades.

Hoje foi minha vez de contar a trajetória no Budismo. Fiz o pessoal rir com meus causos. Geralmente são sisudos, nada a ver comigo.

Contei umas passagens curiosas e arranquei gargalhadas. Para constar, agradeceram a participação e achei que foram sinceros.