A consulta da cunhada
Esse episódio aconteceu semana passada, na sexta-feira de manhã. Levei as duas irmãs ao Shopping Center D.P. Deixei-as em frente da Clínica, com hora marcada às 10h20.
Fui tomar a segunda dose da vacina em outro lugar, distante meia hora dali, combinando de quem terminasse primeiro avisaria o outro.
Tudo certo. Fiz minha parte e voltei ao encontro delas.
Não estranhei a cara amarrada das duas porque já é normal. Calculei alguma contrariedade ou, pior, algum diagnóstico sombrio.
Na dúvida, fiquei quieto até chegar em casa. Mas não houve oportunidade de questionar o desenrolar da consulta e mostra dos exames até 4 da tarde, ocasião em que levei dona V à Radiologia Odontológica.
Eis o resultado: ressonância magnética do cérebro mostrando alguma perda de eficiência compatível com a idade, marcadores biológicos normais, um que outro levemente alterado mas nada preocupante.
E a cara feia, dona K?
Pois é, contou, a irmã fez questão de levar uma “pastinha” com alguns papéis, que esta não reconheceu mas a dona insistiu em levar porque gosta de carregar tudo com ela.
Tudo bem. E daí?
Ao terminar a consulta, a irmã deposita a tal pasta sobre a mesa e a médica pergunte “ o que isto?” e já vai pegando e abrindo.
Ali estava a requisição para o exame que não fez e a receita do remédio que não quis comprar.
“A senhora tomou o remédio? Sentiu-se bem?”
“Sim, tomei, gostei, me fez bem”.
“Como assim? A receita está aqui ainda?”
Neste momento, percebendo a trapalhada feita, dona H tomou a frente e tentou consertar~, fuzilando a irmã com o olhar:
“Ela está falando do outro remédio que tomava, está terminando e já vai começar este”
Então, vamos acreditar que a médica engoliu a explicação. Tal será que seria tão ingênua. Fez que concordou e despachou as duas.
Já lá fora, a principal explodiu, soltou os cachorros na coitada, toda atrapalhada.
Ouvi a história e ponderei:
É difícil mesmo aguentar esta parada. Com um pouco de calma poderia ter dito para a médica:
– É por essas e outras que a gente está aqui a consultar.
Mas na hora, com esse temperamento forte e grosseiro, é isso que sai de uma boca cheia de rancor. Mais tarde se arrepende e pede desculpas. Mas o estrago já estava feito. E é assim que temos passados os dias.