Conversas na rua
Saí para caminhar hoje de manhã, não tão de manhã assim porque acordei depois das 8h apesar de ter ido me acomodar às 21h30 ontem. Dormi muito, dormi demais, estava cansado não sei do quê.
Incluí na caminhada uma parada na Elétrica a fim de comprar uma pilha grande para o aquecedor a gás, esses dias reinando para acender. Apesar de ter substituído a anterior no dia 14 de abril, esta pilha já estava pifando. Hoje desmontei os terminais, limpei os filtros e nada. Continuou com acendimento irregular.
Por isso resolvi trocá-la. Na loja, de cara o vendedor perguntou: é para aquecedor? Sim, é.
Então o senhor leve a alcalina porque a simples não dura muito.
Sério? Quanto custa a simples e esta alcalina?
A comum é 3,50 e a alcalina custa 27,50.
Grande a diferença. Resolvi apostar na dica do cidadão. Fui pagar com meu novo cartão de crédito e débito PicPay, por aproximação. E funcionou direitinho, sem senha, sem nada.
O senhor quer o CPF na nota? Sim, faz favor. Pode dizer. E eu: zero meia oito e….travei, esqueci total. Tentei recitar, nada. Pensei, parei, tentei, nada ainda. Liguei o celular, procurei nos documentos, não achei. Desisti.
Após três ou quatro quadras andando, surgiu o número completo na mente. Ri sozinho, estou ficando esquecido.
Continuei o passeio e parei no Sebo Pellegrini, onde já tinha visto pela Estante Virtual o livro que procurava, “Lendas Brasileiras”, de Luiz da Câmara Cascudo, 8 reais.
Nada. Já tinha sido vendido. Perdi a viagem.
Não lembro o porquê mas o véinho da loja puxou conversa e lá fomos contando histórias sem que eu comprasse nada e ele não tentasse me vender.
O assunto virou em “qual é sua idade”, “onde trabalhou” e por aí vai.
Quando percebi, a conversa foi adiante, apareceu mais um velhote, entrou no papo, surgiu outro e mais um. Não demorou muito, já parecia uma longa amizade, cada um contando suas história e vantagens.
A principal foi a do primeiro vendedor, que enveredou a contar e mostrar suas habilidades para consertar relógios antigos. Aí foi minha vez de dar palpite quando ele mencionou que não existia mais a benzina – benza-me Deus, que coisa antiga – para limpar os mecanismos delicados dos cebolões.
Era minha deixa para contar como se produzia gasolina, querosene e solventes, combustíveis que a refinaria produzia e da qual fiz parte durante dezesseis anos aqui.
Fiquei quase uma hora nesta conversa fiada, mas agradável. Gosto de prosear com as pessoas na rua, principalmente com as mais velhas, sempre propensas a um papo.
Na verdade, quanto mais velho se fica mais solitário se é ou se sente. E dar atenção a essas figuras é uma forma de caridade, ou compaixão no vocabulário budista.
De volta para casa, após 4km e duas paradas, tomei um mate caprichado e aguardamos a chegada da filha para almoçarmos juntos, quando aproveitei e contei essa e outras pequenas aventuras.