Ontem à noite, após a meditação, fui me virar na cadeira e tropecei no cabo do celular que estava carregando. Quem foi para o chão foi ele e, instantaneamente, apagou. Não teve artifício que o fizesse ressuscitar. Contei-o como perdido porque tinham sido inúmeras quedas e esta seria letal.
Tratei de escolher e comprar um novo que há tempos andava cobiçando. Está com promessa de chegar no começo da semana.
Fui me acomodar pensando na falta que faz este aparelho nos dias atuais. Tenho tudo guardado ali, sejam documentos, acesso às finanças, fotos familiares, praticamente tudo.
Acordei hoje tranquilo, sem me preocupar muito com isso. Entretanto, consultei no notebook o horário de atendimento da assistência técnica original, que já conheço e não é longe daqui.
Lá fui eu às 8h para tentar ser atendido e, quiçá, ter uma boa notícia de que haveria solução.
Tudo certo, alguns cavalheiros já estavam esperando a loja abrir. Aos poucos, as atendentes foram aparecendo e abrindo a loja às 8h30. Um deles já comentou achando-as mal educadas ao não responder seu cumprimento de bom-dia, que acontece muito hoje com os jovens e bla, blá, blá a conversinha de sempre.
Chegou minha vez de ser atendido, a mocinha foi atenciosa e educada, já adiantou que seria possível consertar trocando a placa frontal e que o técnico chegaria dali a pouco, se quisesse esperar e tal.
Sim, ficarei. Meia hora depois me avisa que dentro de uma hora ou pouco mais ficaria pronto. Ótimo, concordei. O preço? 320 reais, achei normal, autorizei, saí para fazer meu treino ali perto.
Voltei às 10h, está quase pronto, me garantiram. Fizeram até a gentileza de ligar para minha casa e avisar que ficaria no aguardo do término da manutenção.
Às 10h20 o aviso que a bateria estava em mau estado, se não queria aproveitar para trocar. Sim, claro, já está aberto mesmo, vamos lá, quanto vai ficar? apenas 560 reais no total. Tudo bem, só mais 10 minutos, que se estenderam até 11h10 mas finalmente recebi o aparelho funcionando bem. O senhor não quer trocar esta película já rachada?
Claro, claro, mais 40 reais e fecha-se a conta em 600 reais divididos em 9 vezes.
Saí satisfeito, achei que fiz um bom negócio e lá se foi a manhã inteira.
Tinha comprado duas caixinhas de Bis para agradecer o bom atendimento. Agradeceram-me com entusiasmo porque não é um costume comum por estas bandas.
Aprendi este artifício em duas fontes: primeiro, com o irmão 4, que faz dessa prática um hábito constante, sempre fazendo um agrado a quem lhe serve em serviços, entregas e assuntos do gênero. Outro exemplo é o do sistema americano, que frequento há anos devido às viagens que faço por lá.
Ocorre que naquele país a gorjeta tornou-se obrigatória e quem recebe nem faz cara de agradecido.
Aqui, entretanto, é uma surpresa agradável receber o agradecimento pelas pequenas gentilezas. Ontem mesmo, na Clínica, levei os mesmos Bis para as secretárias, à guisa de lembrar o Dia da Secretária no dia 30.
A surpresa e o agradecimento foram iguais. Na verdade, o doador se sente também recompensado ao proporcionar uma pequena alegria a quem está lhe servindo.
O indesejável é, segundo o zen-budismo, fazer desta prática o sistema de recompensa onde quem faz o presente recebe de volta mais do que doou ao sentir-se “nossa, que bem que me fez”, “nossa, como eu sou bom , gentil, educado” etc. e tal
Portanto, o lance é fazer o bem sem esperar nada em troca, sequer o agradecimento. Deu, está dado e fim.
Por falar em doação, pretendia mandar um livro para meus leitores mas preciso de autorização para não causar qualquer contratempo a eles. Os que concordarem, podem comentar aqui. Quando compro este tipo de livro estou colaborando com a turma da meditação. Já tenho o meu mas posso ampliar a colaboração ao meu grupo.
