Quinta-feira, 13

Quinta, 13

Dormi tarde, acordei cedo. Jantei tarde porque o assunto ontem rendeu bastante. A consulta estendeu-se até 18h10 e consegui chegar em casa às 18h40. Saindo da frente do consultório, em 50 metros vira-se à direita entrando na Getúlio Vargas e aí numa só linha até a Rodoferroviária, à esquerda na Mariano Torres e chegar em casa.

Deixei-as se acomodando e fui à farmácia aviar as duas novas receitas. Uma, de tarja preta, 27 reais, saiu logo. A outra não foi aceita porque o médico datou 15 de janeiro e por isso só é possível comprar desta data em diante.

Sem problema porque deverá utilizar ao terminar esta primeira, com 10 comprimidos. Terminada esta, começará (assim espero) a nova de 10mg em substituição ao mesmo de 5mg.

Esse danadinho é que começou a confusão. Receitado em Cam a senhora 02 escamoteou o que pôde, fazendo sumir uma caixa. Resultado: confrontada, iniciou novamente e aí surtou porque perdeu a adaptação que dura quase um mês.

Esta é a razão dos atrapalhos. Em vez de tomar certo, escondeu, simulou, cuspiu, vomitou. Aí, supondo que estava em ordem, o médico 2 decidiu subir para 10mg, fazendo toda a ansiedade retornar.

A médica 3, de ontem, foi enfática: não pode ficar sem o remédio, não pode ficar sozinha. Além disso pediu exame de densitometria em virtude do peso estar em 39kg e provavelmente com perdas por deficiência nutricional. Solicitou endoscopia para investigar a tal dor de estômago, queimação e outros.

Para completar, exames completos dos fluidos corporais, de laboratório.

Onde entro eu?

Para começar, lutar com a Unimed a manhã toda pelo computador, telefone e WhatsApp refazendo cadastro, senhas, pedidos, protocolos, marcações.

Agora, levar para a Densitometria. Consegui rápido porque será particular pois a Unimed espertamente coloca o pedido em análise.

Amanhã, levar ao laboratório na Comendador Fontana, no Centro Cívico.

E segunda-feira, autorizado pela Unimed (que surpresa), fazer a endoscopia na Vicente Machado.

Minha permanência aqui está estendida a cada dia que passa. Já precisei desmanchar a mala e re-guardar meus bachêros no guarda-roupa novamente.

Estou triste? Não. Estou preocupado? Não. Estou chateado? Não. Estou nervoso? Não.

Como eu estou? Estou ótimo, igual a ontem, igual a hoje e igual amanhã também.

Para completar: fui às 7h ao Passeio e fiz o treino de rodagem rápida, 7km de boas, feliz da vida.

Uma história comprida

Uma história comprida

Em janeiro de 2008 passamos uma temporada na Praia dos Ingleses com toda nossa família. Tinha sido difícil para M aproveitar o passeio devido ao estado precário de sua saúde, já com severa limitação motora.

Conversa vai, conversa vem, sempre no assunto de tratamentos, ela lembrou-se que uma tia recomendara certa vez uma visita a um lugar ali perto chamado Santo Amaro da Imperatriz.

Nesta cidade vivia um frei, de nome Ugolino, conhecido pelos milagres e curas, atendendo pessoas do país inteiro.

Menos pela curiosidade, mais pelo costume, resolvi ir conhecer de perto, pois não estava mais desperdiçando nenhuma oportunidade que lhe trouxesse alívio no sofrimento.

Não me surpreendi com o que presenciei: um frade bondoso, que não falava coisa com coisa, dizendo generalidades, dando bênçãos, amparado por duas ou três moças vestidas de enfermeiras. Ao lado da sala de atendimento, a tradicional lojinha de lembranças, velas, santos, calendários, terços.

Não levei muita fé mas também não desmereci visto a quantia de pessoas estavam ali. Um que outro relatava casos de curas milagrosas.

De volta a Campinas, a situação não melhorava. Remédios, médicos, homeopatia, orações, espiritismo, bênção de um pastor evangélico, cirurgia espiritual, o que aparecesse eu aceitava.

Resolvemos voltar ao frei porque ele recomendou na primeira visita que era necessário ficar quatro dias com bênçãos três vezes ao dia.

Coincidência ou não, em frente da igreja havia um hotel vinculado à paróquia. Tudo bem, fiz a reserva e viajamos 800km de carro.

Durante três dias repetiu-se a rotina três vezes ao dia: uma conversinha com o frei, ele perguntava todas as vezes do que a pessoa sofria, benzia e nos despachava.

No quarto dia eu já estava exausto daquela história, do calor de janeiro, de carregar dona H, de consolá-la e animá-la, sem perceber nenhum progresso.

Numa dessas saídas da igreja para voltar ao hotel, apenas atravessar a rua, ela não aguentava andar. Não vacilei: peguei no colo e levei até o quarto.

Um sujeito sentado no meio-fio ficou observando a manobra e puxou conversa: o que ela tem? Essa pergunta estou cansado de responder mas fui educado e expliquei.

Ele continuou: minha mulher também sofre disso, ou melhor, sofria porque encontramos uma reumatologista em Curitiba e ela acertou um remédio. Atualmente, minha esposa que estava pior que a sua, já dirige novamente e voltou a trabalhar e viver uma vida normal.

Aí eu é que fiquei curioso e perguntei desta médica. A resposta foi vapt-vupt:  Dra. Sandra Zandoná, reumatologista em consultório na Vila Izabel, Curitiba, avenida Arthur Bernardes e o remédio é Arava. Caro mas eficiente.

Anotei, agradeci, conversei mais um pouco e ele despediu-se para voltar ao trabalho. Estava no mesmo hotel e empreitou uma obra ali perto.

Terminamos a última bênção à tarde. Frei Ugolino previu: daqui um ano vocês voltarão aqui, ela vai estar curada e conseguirá até dançar.

Guardei suas palavras com fé, guardei as palavras do desconhecido com mais fé ainda, arrumei a bagagem, saindo da cidade às 4h da tarde e guiei sem parar até chegar em Curitiba.

No dia seguinte já procurei o endereço, vi que era credenciado e, cheio de esperança, já liguei na expectativa de uma consulta em breve.

Nada feito. Só para o mês de abril. Desisti da história, esqueci o assunto e voltamos para Campinas.

No mês seguinte encontrei outra reumatologista, perguntei do tal remédio mas sem mencionar o episódio vivido em Santo Amaro, do frei, esses detalhes.

Tudo mudou daí em diante. Iniciado novo tratamento incluindo o Arava, houve uma significativa melhora pois em 2006 já estava na fase de cadeira de rodas

A partir de 2009 dona H voltou a se movimentar, dirigir o carro, recuperou boa parte de sua autonomia.

Um ano depois, resolvi visitar Frei Ugolino para agradecer a graça recebida, contar os detalhes e imitar uma pequena dança na frente dele e das moças atendentes, que nos reconheceram imediatamente. Foi um choro só de todas elas. Realmente um milagre tinha se operado, não pelas bênçãos e orações mas por intermédio da providência divina que “escreve certo por linhas tortas” e que colocou aquela pessoa na nossa frente para mostrar o caminho da cura.

Basta perceber seus desígnios, seus avisos que vêm por outra linguagem. No caso, o veículo foi o Frei Ugolino, que na verdade – descobri depois – não era frei coisa nenhuma, apenas um visionário que a paróquia aceitava como residente. Por ser uma pessoa carismática e que atraía muita gente, passou a ser um inocente útil.

Para seus devotos ou simpatizantes pouco importava sua classificação eclesiástica. Era uma pessoa que fazia o bem para todos, um servo e instrumento da misericórdia divina. Enquanto viveu só fez o bem. Somos eternamente gratos por esta graça alcançada por intermédio do inesquecível e abençoado Frei Ugolino, que Deus o tenha em sua glória divina, pois faleceu há alguns anos.

Quarta-feira, 12

E segue o baile. Chove e para, chove e para. Saí às 8h para comprar meu remédio, lenço de papel, café, molho de pimenta e outras miudezas da lista de dona S.

Dia chuvoso e frio novamente. Em casa, fiz meu treino de musculação e encerrei a manhã tomando mate.

À tarde, despejou água novamente e saiu o sol já em seguida.

Viemos para a Vila Isabel na avenida Artur Bernardes, passando pela Rio Grande do Sul e Ulisses Vieira.

Atendimento pontualmente para a consulta da 02, fazendo o pagamento via PIX pela conta dela.

Agora é assim: com acesso ao aplicativo do banco, controlo e faço seus pagamentos, sirvo de Uber, de carregador, de comprador, de pagador e o que mais for preciso.

Por exemplo: o fogão velho ficou uma semana enfeitando a sala enquanto ela não se decidia o que fazer para descartar.

Às vezes dizia que ia vender ali embaixo nas lojas de usados, outras que iria doar numa instituição, e o tempo passando e o fogão ali paradão.

Hoje, após uma prensada nossa, decidiu deixar no espaço de reciclável do subsolo.

Dito e feito. Convocado para essa tarefa, coloquei no elevador, desci, encontrei a faxineira que se prontificou a ajudar.

Esta, muito viva, já perguntou se podia reservar. Claro, lógico, era o que eu esperava. Quase me descaderei outra vez mas erguemos o tal e finamente foi entregue.

Quero dizer o seguinte: a velocidade com que se tomam decisões – sejam elas importantes ou corriqueiras – determina nosso lugar na vida.

A indecisão, o medo, a falta de iniciativa nos atrasam e atrapalham.

Mas cada um tem seu tempo. Não é fácil conviver.

Terça-feira, 11

Tudo igual por aqui: frio moderado, chuva leve, treino atrás da Rodoferroviária, dona Y às voltas com a irmã tentando enquadrá-la.

Esta, apática, olhar distante, entra e sai do quarto, abre e fecha o guarda-roupa, pergunta e esquece, repete expressões antigas.

Vira-e-mexe dona R quer porque quer marcar consultas para a 02 com geriatra, nutricionista, nutrólogo, endocrinologista e outros menos votados.

Hoje conseguiu um desses para amanhã às 18h na Presidente Bernardes. Lá vamos nós para mais uma aventura, mais uma tentativa, mais uma perda de tempo e dinheiro.

Valor da consulta: 350 reais que não vão sair do meu bolso. Minha parte é levar, esperar, trazer de volta.

Afirmou que era sua última tentativa. Como de costume, não acreditei.

Disse-me para escrever. Respondi que seria a lápis para poder apagar mais tarde quando inventasse outra tentativa.

Mudando de saco pra mala, meu treino hoje foi ótimo. Essa atormentante dor lombar finalmente sumiu e pude rodar firme e forte por 7,5km saindo do Passeio rua Tibagi, Conselheiro Laurindo, à esquerda em direção ao Estádio Durival de Brito.

Nessa região faço os tiros curtos e fortes e retorno pela João Negrão, Marechal Deodoro, Marechal Floriano, Praça Tiradentes, Travessa Tobias, Riachuelo, em casa.

Para o resto do dia sobrou ficar em casa espiando pela janela a chuva que não para.

Trabalhei num texto curto e, em meia hora, despachei para o autor.

Vou agora – cinco da tarde – continuar a leitura de “Sobre heróis e tumbas”, de Ernesto Sábato.

Comprei este livro em abril de 2016 antes de mais uma viagem para os EUA aguardando o nascimento de meu primeiro neto. Fiz uma anotação na contracapa no dia de retorno ao Brasil.

Segunda-feira, 10

Comecei o dia chamando novamente a EccoSalva para atender a 02.

Mesmo quadro do dia anterior. A parte boa é que não “chamou o hugo”, ficando só no mal estar generalizado.

O atendimento chegou mais rápido, com uma jovem médica bastante atenciosa e delicada.

Fez as medições de praxe, todas alteradas, e tacou-lhe uma injeção de Buscopan e Dipirona.

Isso foi o suficiente para derrubar a véinha até perto do meio-dia.

Aproveitei para fazer compras de açougue e supermercado, ali perto do ponto de ônibus que vai para a Augusto S.

Resolvi levar o irmão 1 ao aeroporto, fazendo-lhe uma gentileza. Assim ganho um passeio e me divirto um pouco, distante desse nhem nhem nhem diário que vivo há tempos.

Agora são 3 e tanto da tarde, saiu um solzinho tímido e vou fazer meus exercícios físicos.

Domingo, 9

Ontem à noite organizamos toda a bagagem para viajar hoje cedo. Ficou acertado que traria o irmão 1 até SP para que ele evitasse a permanência em aeroporto, táxi e outros contatos em vista do agravamento da pandemia.

A viagem seria mais demorada por entrar e sair da capital. Mas tudo bem, nada é sempre igual.

Só não contava com a cunhada começar a passar mal ali pelas 10 da noite. Já tínhamos nos acomodado quando dona U estranhou o acender e apagar de luz, o andar pra lá e pra cá da 02.

Foi o tempo de levantar e percebê-la a vomitar, empalidecer, desabar tal e qual dias atrás.

Chamei o atendimento de emergência do plano dela. Avisaram que estavam com muitos chamados mas iriam atender dali uma a três horas. O recurso foi esperar.

Chegaram à 1h15 da madrugada. Atendimento de praxe, verificando os sinais. Pressão alterada, taquicardia, náusea, aparência confusa.

Tacaram-lhe uma injeção de Dramin e ficou por isso mesmo. Acomodada ali pelas 3 da manhã, dormiu e acordou às 8h já recuperada.

Resultado para nós: viagem cancelada e aguardar a recuperação. Dona F quer levá-la, a irmã se recusa.

Vamos passar o domingo nessa ladainha.

Refugio-me na meditação e imagino ficar mais uns dias por aqui.

Cada dia uma surpresa e assim vamos vivendo pleno de emoções…

Sábado, 8

Fiquei uma hora e tanto no vento ali fora defronte ao número 660 esperando as duas serem atendidas. Estranhei a demora.

Ao sair me contaram que foram atendidas pontualmente às 15h40 e a consulta se estendeu por mais de uma hora.

Médico educado e atencioso, explicou tudo detalhadamente confirmando o diagnóstico e a prescrição dos medicamentos, aumentando um deles de 5 para 10mg.

Reforçou a recomendação de vida social, exercícios, blá, blá, blá, sempre a mesma história.

E a mesma história se repete: a paciente não vai seguir a prescrição, saiu com uma cara de desacorçoada, tudo em vão, perda de tempo e vai ficar na mesma toada.

De modo que dona R ficou furiosa e quer ir embora amanhã levando-a a reboque.

Mas a dita cuja não quer voltar conosco.

E hoje, apesar do frio de 14 graus não me intimidei e saí para o treino de rua às 8h, em corrida leve até atrás da Rodoferroviária, no meio daquele pessoal que vive por ali debaixo dos viadutos e pontes. Passo correndo e cumprimentando um por um. Dinheiro não tenho mas dou um bom dia e aceno para cada um.

Num trecho plano, reto e vazio faço os tiros de 1 minuto em 5 vezes, intervalado com 5 minutos de corrida leve.

Terminada essa parte, voltei correndo pela Conselheiro Laurindo até em casa, tendo percorrido 9,5km

Descansei o resto da manhã, levei as senhoras fazer compras para a casa e para voltar, finalmente, amanhã para meu canto.

Vim me despedir do irmão 2, ajudei-o a pagar umas contas pelo computador. Aceitei um cafezinho simples e volto para arrumar minhas bugigangas.