Histórias

Tarde de autógrafos

Foi ontem, sábado, dia 30 de julho de 2022, às 14h, na Livraria Pontes, da rua Doutor Quirino, no centro velho de Campinas.

A Livraria Pontes pertence a meus amigos Eva e seu irmão José Reinaldo. Certamente é a última loja de livros desta cidade a permanecer em funcionamento; todas as outras já fecharam as portas, vítimas de tantas crises por que passam os negócios no Brasil.

O acervo é seleto, dedicado às artes e ciências principalmente; nada de autoajuda, bestsellers e bobagens afins.

José Reinaldo é um entusiasta de James Joyce e não perde nenhuma comemoração de Saint Patrick e a Irlanda. Um hábito que mantém é o de frequentar pubs em São Paulo nas datas comemorativas do mais famoso escritor irlandês de Ulisses e Contos Dublinenses.

Eva nos apresentou os segredos do Qi Gong e Lian Gong, com o mestre chinês Tzai e o Sensei Iba nos idos de 1998.

Ao par dessas atividades, retribuímos a ela a prática de meditação Zen.

E assim passaram-se todos esses anos de amizade e convivência, com períodos de interrupção mas sem perder o contato e a amizade.

Contei toda essa história para introduzir o assunto de hoje: a visita de outro amigo de longa data, Juli Manzi, músico, escritor, jornalista, compositor, produtor de conteúdo.

Na citada Livraria Pontes ele fez o lançamento de seu livro “Odisseia, Júpiter Apple History”, biografia do roqueiro porto-alegrense Fábio Basso.

Essa é uma longa história. Juli Manzi, também porto-alegrense, apareceu em nosso círculo de interesses através da Unicamp, onde veio fazer sua pós-graduação na área de música no Instituto de Artes, em 2000.

Descobriu nosso grupo de meditação e logo aderiu às reuniões. Encerrado seu ciclo de estudos aqui, seguiu para outros lugares.

Voltamos a nos encontrar em 2016. Aqui esteve para lançar a primeira edição deste mesmo livro.

Agora, seis anos após, lá vem ele novamente com a reedição da obra, em formato luxuoso, capa dura, papel especial.

Até aqui tudo certo.

A questão é: cadê o público para prestigiar, conhecer, comprar o livro?

Praticamente ninguém apareceu, apesar da divulgação nas redes sociais e no jornal Correio Popular, diário campineiro.

Quando cheguei com M não havia ninguém além do autor e do staff.

Às duas e meia, surgiram dois casais jovens, roupa preta, silenciosos.

O autor começou a cerimônia, fazendo a leitura e apresentação.

Chega outro casal, velhotes, com o filho com cara de velho também.

A senhorinha dá uma espiada geral e já se levanta em busca de um café e bolo. O marido refuga, o filho também, mais interessados na apresentação.

O senhorzinho começa uns apartes, mostrando que conhece o assunto, falando em Jethro Tull, Beatles, Stones, Tim Maia, produção, capas de disco e outros comentários bem articulados. Assim, estabelece uma conexão com Juli e o produtor/editor do livro e a conversa segue fluida e agradável.

Nós, quietos. Prefiro não dar nenhum palpite a menos que encontre algum pecadilho gramatical, mas não é hora disso.

A senhorinha sai novamente e volta com mais café e bolo.

Quatro da tarde. Juli abraça o violão e se põe a cantar duas ou três canções de letras incompreensíveis e o clima vai murchando.

Aproveito e vou comprar um exemplar, 120 reais. Surpreso pelo valor salgado mas não recuo. Ganho o autógrafo, fazemos umas fotos e é a deixa para erguer o charque.

Tchau, papai! Tchau, mamãe!

Dona quer mesmo é passar no supermercado Dia e comprar fermento e farinha de trigo.

Aproveito e encho o carrinho de bolacha Maria, bolacha Maisena e três pacotes de wafers para logo mais à noite assistir maratonas no YouTube.

Domingo, 31

Após dois anos de virtual, hoje finalmente pude me reunir com meus amigos e companheiros de meditação Zen presencial em nossa sede.

Chegamos lá, dona W e eu, antes das dez horas para varrer a calçada e preparar o zendô.

Com a presença de nove pessoas fizemos a meditação 30 – 10 -30, finalizando com.o chá e planejamento das próximas reuniões.

Foi aprovada minha ideia de retornarmos também aos sábados, 16h, como estávamos fazendo há anos.

Vou me responsabilizar por este horário como já fazia há muito tempo, além da função de tesoureiro.

Tudo certo. Melhor ainda ter conseguido convencer dona W a acompanhar esta rotina. Há anos ela abandonou a prática para permanecer em casa dedicada a outras atividades.

Aos poucos, tem aceitado às minhas recomendações de me acompanhar nos treinos externos atividades externas.

Ontem, por exemplo, fomos a uma sessão de autógrafos, passando algumas horas em conversa e contato com outras pessoas em vez de ficar atormentando a irmã, tentando “consertá-la”.

Sábado, 30

Dia de descanso dos treinos. A semana foi intensa, pesada, seis vezes. Além do mais, com o frio de hoje eu não sairia de casa mesmo.

A atividade principal do dia foi prestigiar a tarde de autógrafos de meu prezado amigo Juli Manzi, lançando o livro Odisséia Júpiter Apple History.

Pouca gente nesses tempos bicudos de pandemia, grana curta, desinteresse por livros.

Mas a reunião foi ótima, divertida, boas histórias, fotografias, dedicatória, lembranças curiosas, reencontro com amigos e amigas de longa data.

Para voltar ao dia a dia, uma parada no supermercado, onde dona S se diverte mais um pouco.

Sexta-feira, 29

Dia escuro e frio. Fui aonparque às 7h para treino presencial pesado, até 8h30.

Dona C em casa padecendo com as dores da cirurgia de anteontem no dentista.

Está numa série de antibióticos, daqueles que deixam o freguês com enjoo e tontura.

Mas é preciso, durante sete dias, três vezes ao dia.

Fiz compras no verdureiro que passa aqui no prédio às terças e sextas. Procuro prestigiar estes batalhadores de porta em porta.

Choveu após o meio-dia durante duas horas, o suficiente para limpar e umidificar a atmosfera. Mas esfriou junto.

Tudo bem, tudo certo. O guri manda notícias suecas. O dia lá amanhece às 4h30 e só escurece às 22h30. Mas é verão e são dias cheios de luz. Está feliz com a viagem.

Quinta-feira, 28

Treino excelente hoje de manhã, às 8h30, na pista de atletismo de São Bernardo.

Foram 6 tiros fortes, sendo 4 de 400m e 2 de 200m além de 2km.leves antes e 2km leves após, estes descalço na grama.

Às 10h fui ao supermercado para compra de proteína: carne, queijo, bacalhau, frango, iogurte, kefir e probióticos.

Trouxe também café, pão, legumes congelados, macarrão de yakisoba, zaatar e café solúvel.

Apesar dos descontos do programa Pão de Açúcar Mais, lá se foram 403 reais. Mas bem aproveitados

Agora vou ao barbeiro. Mais uma caminhada de 5km debaixo deste sol e ar super seco.

A cada vez o preço aumenta. Hoje me cobrou 60 reais para fazer uns retoques nos fiapos da cabeça, cavanhaque e bigode.

Segundo dona V fiquei mais novo. Sei não. Estou com a cara cada vez mais murcha e a barba branca. Tudo bem, porque me sinto ainda nos meus longínquos 17 anos vividos em 1966.