Terça-feira, 9

Dia tristonho, chuvoso, frio. Começo fazendo a musculação caseira, espio as atualizações no computador e me deparo com a notícia de morte de uma conhecida dos tempos de refinaria.

Claudete se vai aos 70 anos, vítima de doença prolongada. Conheci-a há 39 anos quando apareci por aqui transferido para o novo emprego.

Diretora do RH, recebeu-me com simpatia e orientou com paciência meus primeiros passos na função nova.

Muitos anos depois conheci Luiz, irmão dela, nas corridas e treinos no parque. Ele mora aqui perto e tornamo-nos amigos.

Hoje foi dia de levar-lhe um abraço de pêsames. Fui ao velório às 10h para expressar nossos sentimentos. Muito emocionado, estava rodeado de parentes e amigos.

Não saí mais à tarde nesse dia nublado e frio.

Domingo, 7

4h- acordado, tomei café e me arrumei para a corrida em Nova Odessa, de 10km.

Saída às 5h45 e chegada à arena às 6h20.

Muita gente, todos animados nesta manhã fria. Dona C levou um cooler com água, frutas, biscoitos, isotônico- tudo suficiente para atravessar um deserto.

Alongamento e aquecimento de dez minutos.

Partida às 7h em ponto. Dois quilômetros fáceis, planos e descidas. Aí vem uma subida pesada e retorno no km4, onde pego água e tomo um sachê de carboidratos.

Passamos os 5km em 31 minutos. Está bom mas podia ser melhor. Outras subidas, ando 50 metros e volto a correr. Essa tática ajuda a baixar os batimentos cardíacos.

No km 8 termina uma subida forte e agora é tudo plano mas dentro de um parque cheio de voltas que quebram o ritmo

No km 9 ando mais 50 metros e retomo a corrida em sprint nos 400m finais finalizando em 01:04:08

Fim de corrida, receber a medalha e os brindes de lanche. Tomo água, descanso uns minutos, alongo as pernas e troco roupa seca.

Divulgado o relatório, uma surpresa boa: sou o segundo colocado na faixa etária 70 ou mais.

Com direito a um troféu, subo ao pódio e me divirto com os aplausos da galera.

11h- em casa, lavo meus bacheros, tomo mate, ajudo na preparação do almoço lavando a louça.

13h- nossos convidados chegam para o bacalhau, guacamole, arroz primavera, bolo de coco, água de coco, café.

18h- pessoal de saída, guri ligando, arrumar a casa

19h30- meditação

Sábado, 6

São quase 3 da tarde e ainda não saí de casa. Mas concluí a revisão do livro de 165 páginas, que li duas vezes.

Daqui a pouco vou ao zendô para reiniciar as práticas de meditação Zen, nossa atividade comum dos sábados há muitos anos.

A pandemia interrompeu os encontros presenciais, substituindo por on-line com bastante regularidade.

Mas chegou o momento de se unir à Sangha novamente.

E lá vou eu, responsável por este horário, das 16 às 17h10.

19h – tudo arrumado para amanhã: uniforme, número de peito, repositor de carboidrato, documentos, tudo que preciso ou não preciso para a corrida de 10km.

O rango pré-prova é macarrão com alho e óleo, bolo de fubá, inhame cozido, água.

Tomo também os remédios para hipertensão, colesterol e hiperplasia dos fundos.

Despertador marcado para 4h40 com previsão de saída às 5h45.

Sexta-feira, 5

Treino de hoje: às 7h30 no parque, priorizando grupos musculares específicos para corrida de rua.

9h30- saída para Nova Odessa, 40km daqui, em busca do kit para a prova de domingo.

Uma cidade média, simpática, bem movimentada.

Ao meio-dia, de volta a tempo de tomar um mate bem quente, almoçar e recomeçar a correção do texto.

19h- atendendo ao convite da filha e genro, vamos nós a ABAL – Associação Brasileira de Artistas Líricos, para um recital apresentado por duas sopranos e um baixo amadores.

Por influência da idade, não presto muita atenção aos trinados das garotas e me divirto discretamente espiando os espectadores, a maioria velhotes que sabem de cor as letras das árias.

Um deles, especificamente, não tem sossego, mexendo os ombros e pernas sem parar, sugerindo um ataque epilético, que, ainda bem, não se concretizou.

Como ele estava na primeira fila, fiquei imaginando a tensão dos artistas, vai que ele salta de repente ou despenca no chão.

Felizmente nada disso aconteceu e o recital seguiu debaixo de aplausos entusiasmados dos presentes.

Prestigiei com aplausos vigorosos a performance esforçada dos cantores e pianista, este martelando com fúria um piano nacional.

Para completar o programa, levaram-nos à pizzaria. Comi com apetite apesar de serem as do tipo massa fina. Prefira as pesadonas. Ajudei no pagamento. Agradeci entusiasmado. Em casa quase às onze da noite. Dormi profundamente.

Quinta-feira, 4

Madrugada, 4h, o guri avisa que chegou nos EUA após uma longa viagem, saindo de Estocolmo, pousando em Chicago, voando para Newport-OR, dirigindo três horas noite a dentro até chegar na casa dele.

Saltei da cama às 6h, tratei do gato, fiz café, recomecei o trabalho de revisão.

Interrompo às 9h, visto roupa de treino, deixo o carro para lavar e caminho 6km forçadinhos – hoje não corri, preservando-me para a corrida de 10km no domingo.

No caminho de volta compro sachês para a gata, pego o carro limpo, pago 50 reais e dou uma gorjeta de 15 para o pessoal.

Parada no supermercado: compro as encomendas de dona V para o almoço de domingo, além de Gatorade e água de coco para mim e o genro no dia da prova.

Parada na farmácia: compro os medicamentos de dona V.

Parada numa loja de coisas terapêuticas: compro um rolinho de massagem para minhas tristes panturrilhas, sempre gemendo.

Compro também para dona V um par daqueles chinelos de conforto, tão na modo atualmente. Além de fazer-lhe um agrado fico livre do barulhinho xarope que ela faz arrastando os atuais. Esses vou jogar no lixo.

Quatro da tarde: treino de musculação caseiro. Ótima sensação dos músculos esticados e exaustos.

Bebo uma canecaça de café com leite e retomo a revisão. Vou ler novamente todas as páginas para filtrar pequenas imperfeições.

Enquanto isso ouço na TV em YouTube os sucessos de 1950, recordando meus dias românticos dos 17 anos.

Quarta-feira, 3

Percebi ontem ao final do treino um incômodo no pé direito. Pensei em meia enrugada ou um cisco dentro do tênis.

Pior, uma bolha se formando embaixo do dedo grande. Na tentativa do dia anterior de fazer o resfriamento descalço no gramado consegui mesmo foi um problema.

Hoje descansei e me dediquei à revisão do texto fazendo um bom progresso: cheguei à página 140 e assim faltam apenas 28 para encerrar.

Calculei 15 dias mas vou gastar apenas quatro.

Hoje às 8h tinha horário no dentista para moldar mais uma prótese. Ficou só nisso mas a previsão é sombria: terei que extrair mais um dos remanescentes, agora bem da frente.

Na extração será colocado enxerto e posterio pino e implante. Assunto para este semestre inteiro.

Às 11h levei dona F ao endocrinologista. Fazia tempo que postergada essa consulta. Mas sem novidade, apenas continuar com o mesmo remédio.

Às 15h levei-a ao ateliê da menina para atividades de pintura. Voltei para casa, continuei a revisão e parei às 16h30 para buscá-la e levar ao dentista para remover os pontos da intervenção da semana passada.

Foi daqui que chamaram um Uber?

Agosto, 2022 – dia 2, terça-feira

Excelente treino hoje: 10km em treino no parque. Levei dona T comigo e deixei-a no CVI – Centro de Valorização do Idoso, mas do lado de fora.

Ocorre que o parque é enorme, com quatro estacionamentos e este onde sempre fico é o menos disputado, sempre com muitas vagas e sem importunos se passando por cuidadores de carro.

Às 9h, estacionei e levei-a até a pracinha de convivência onde pôde se movimentar e tomar sol enquanto eu faria as duas voltas de 5km.

Quando terminei a rodagem, em 1h e 5 minutos, ela estava já integrada, trocando ideias com o pessoal por ali.

11h15 – em casa, tomando mate e fazendo alongamento com liberação miofascial, esfregando as canelas doloridas.

Duas da tarde: termino de revisar a página 100.

Primeiro de agosto, segunda-feira

Passei a metade da manhã revisando a prévia de um livro de 165 páginas.

9h30 – levar dona G fazer seus exames femininos na Clínica de Radiologia. Ela dormiu mal, acordou indisposta mas manteve o jejum até 10 da manhã. Lá fomos nós, disputando espaço com dezenas de velhinhos.

Um deles, terminada a tarefa, foi pegar o elevador. Em vez de pressionar o botão de descida apertou o comutador de luz da sala. Ri sozinho, ninguém mais percebeu.

Treino de rua ficou para a tarde. Fui às 3 horas, na pista. Convidei dona R, que refugou. Estava ainda com mal estar, preferiu descansar.

Fiz o treino tranquilamente, na pista vazia. Só eu e as quatro corujas buraqueiras, mãe e três filhotes. Elas saem de uma toca no canto do campo de futebol e ficam me observando a cada volta.

Há também os quero-queros, mal humorados, sempre ameaçando dar uma rasante na cabeça dos atletas.

Quatro da tarde, estou de volta. Um copo de Nescau e continuo a correção. Já estou na página 60. Faltam 103.