Sábado, 6

São quase 3 da tarde e ainda não saí de casa. Mas concluí a revisão do livro de 165 páginas, que li duas vezes.

Daqui a pouco vou ao zendô para reiniciar as práticas de meditação Zen, nossa atividade comum dos sábados há muitos anos.

A pandemia interrompeu os encontros presenciais, substituindo por on-line com bastante regularidade.

Mas chegou o momento de se unir à Sangha novamente.

E lá vou eu, responsável por este horário, das 16 às 17h10.

19h – tudo arrumado para amanhã: uniforme, número de peito, repositor de carboidrato, documentos, tudo que preciso ou não preciso para a corrida de 10km.

O rango pré-prova é macarrão com alho e óleo, bolo de fubá, inhame cozido, água.

Tomo também os remédios para hipertensão, colesterol e hiperplasia dos fundos.

Despertador marcado para 4h40 com previsão de saída às 5h45.

Sexta-feira, 5

Treino de hoje: às 7h30 no parque, priorizando grupos musculares específicos para corrida de rua.

9h30- saída para Nova Odessa, 40km daqui, em busca do kit para a prova de domingo.

Uma cidade média, simpática, bem movimentada.

Ao meio-dia, de volta a tempo de tomar um mate bem quente, almoçar e recomeçar a correção do texto.

19h- atendendo ao convite da filha e genro, vamos nós a ABAL – Associação Brasileira de Artistas Líricos, para um recital apresentado por duas sopranos e um baixo amadores.

Por influência da idade, não presto muita atenção aos trinados das garotas e me divirto discretamente espiando os espectadores, a maioria velhotes que sabem de cor as letras das árias.

Um deles, especificamente, não tem sossego, mexendo os ombros e pernas sem parar, sugerindo um ataque epilético, que, ainda bem, não se concretizou.

Como ele estava na primeira fila, fiquei imaginando a tensão dos artistas, vai que ele salta de repente ou despenca no chão.

Felizmente nada disso aconteceu e o recital seguiu debaixo de aplausos entusiasmados dos presentes.

Prestigiei com aplausos vigorosos a performance esforçada dos cantores e pianista, este martelando com fúria um piano nacional.

Para completar o programa, levaram-nos à pizzaria. Comi com apetite apesar de serem as do tipo massa fina. Prefira as pesadonas. Ajudei no pagamento. Agradeci entusiasmado. Em casa quase às onze da noite. Dormi profundamente.

Quinta-feira, 4

Madrugada, 4h, o guri avisa que chegou nos EUA após uma longa viagem, saindo de Estocolmo, pousando em Chicago, voando para Newport-OR, dirigindo três horas noite a dentro até chegar na casa dele.

Saltei da cama às 6h, tratei do gato, fiz café, recomecei o trabalho de revisão.

Interrompo às 9h, visto roupa de treino, deixo o carro para lavar e caminho 6km forçadinhos – hoje não corri, preservando-me para a corrida de 10km no domingo.

No caminho de volta compro sachês para a gata, pego o carro limpo, pago 50 reais e dou uma gorjeta de 15 para o pessoal.

Parada no supermercado: compro as encomendas de dona V para o almoço de domingo, além de Gatorade e água de coco para mim e o genro no dia da prova.

Parada na farmácia: compro os medicamentos de dona V.

Parada numa loja de coisas terapêuticas: compro um rolinho de massagem para minhas tristes panturrilhas, sempre gemendo.

Compro também para dona V um par daqueles chinelos de conforto, tão na modo atualmente. Além de fazer-lhe um agrado fico livre do barulhinho xarope que ela faz arrastando os atuais. Esses vou jogar no lixo.

Quatro da tarde: treino de musculação caseiro. Ótima sensação dos músculos esticados e exaustos.

Bebo uma canecaça de café com leite e retomo a revisão. Vou ler novamente todas as páginas para filtrar pequenas imperfeições.

Enquanto isso ouço na TV em YouTube os sucessos de 1950, recordando meus dias românticos dos 17 anos.

Quarta-feira, 3

Percebi ontem ao final do treino um incômodo no pé direito. Pensei em meia enrugada ou um cisco dentro do tênis.

Pior, uma bolha se formando embaixo do dedo grande. Na tentativa do dia anterior de fazer o resfriamento descalço no gramado consegui mesmo foi um problema.

Hoje descansei e me dediquei à revisão do texto fazendo um bom progresso: cheguei à página 140 e assim faltam apenas 28 para encerrar.

Calculei 15 dias mas vou gastar apenas quatro.

Hoje às 8h tinha horário no dentista para moldar mais uma prótese. Ficou só nisso mas a previsão é sombria: terei que extrair mais um dos remanescentes, agora bem da frente.

Na extração será colocado enxerto e posterio pino e implante. Assunto para este semestre inteiro.

Às 11h levei dona F ao endocrinologista. Fazia tempo que postergada essa consulta. Mas sem novidade, apenas continuar com o mesmo remédio.

Às 15h levei-a ao ateliê da menina para atividades de pintura. Voltei para casa, continuei a revisão e parei às 16h30 para buscá-la e levar ao dentista para remover os pontos da intervenção da semana passada.

Foi daqui que chamaram um Uber?

Agosto, 2022 – dia 2, terça-feira

Excelente treino hoje: 10km em treino no parque. Levei dona T comigo e deixei-a no CVI – Centro de Valorização do Idoso, mas do lado de fora.

Ocorre que o parque é enorme, com quatro estacionamentos e este onde sempre fico é o menos disputado, sempre com muitas vagas e sem importunos se passando por cuidadores de carro.

Às 9h, estacionei e levei-a até a pracinha de convivência onde pôde se movimentar e tomar sol enquanto eu faria as duas voltas de 5km.

Quando terminei a rodagem, em 1h e 5 minutos, ela estava já integrada, trocando ideias com o pessoal por ali.

11h15 – em casa, tomando mate e fazendo alongamento com liberação miofascial, esfregando as canelas doloridas.

Duas da tarde: termino de revisar a página 100.

Primeiro de agosto, segunda-feira

Passei a metade da manhã revisando a prévia de um livro de 165 páginas.

9h30 – levar dona G fazer seus exames femininos na Clínica de Radiologia. Ela dormiu mal, acordou indisposta mas manteve o jejum até 10 da manhã. Lá fomos nós, disputando espaço com dezenas de velhinhos.

Um deles, terminada a tarefa, foi pegar o elevador. Em vez de pressionar o botão de descida apertou o comutador de luz da sala. Ri sozinho, ninguém mais percebeu.

Treino de rua ficou para a tarde. Fui às 3 horas, na pista. Convidei dona R, que refugou. Estava ainda com mal estar, preferiu descansar.

Fiz o treino tranquilamente, na pista vazia. Só eu e as quatro corujas buraqueiras, mãe e três filhotes. Elas saem de uma toca no canto do campo de futebol e ficam me observando a cada volta.

Há também os quero-queros, mal humorados, sempre ameaçando dar uma rasante na cabeça dos atletas.

Quatro da tarde, estou de volta. Um copo de Nescau e continuo a correção. Já estou na página 60. Faltam 103.

Histórias

Tarde de autógrafos

Foi ontem, sábado, dia 30 de julho de 2022, às 14h, na Livraria Pontes, da rua Doutor Quirino, no centro velho de Campinas.

A Livraria Pontes pertence a meus amigos Eva e seu irmão José Reinaldo. Certamente é a última loja de livros desta cidade a permanecer em funcionamento; todas as outras já fecharam as portas, vítimas de tantas crises por que passam os negócios no Brasil.

O acervo é seleto, dedicado às artes e ciências principalmente; nada de autoajuda, bestsellers e bobagens afins.

José Reinaldo é um entusiasta de James Joyce e não perde nenhuma comemoração de Saint Patrick e a Irlanda. Um hábito que mantém é o de frequentar pubs em São Paulo nas datas comemorativas do mais famoso escritor irlandês de Ulisses e Contos Dublinenses.

Eva nos apresentou os segredos do Qi Gong e Lian Gong, com o mestre chinês Tzai e o Sensei Iba nos idos de 1998.

Ao par dessas atividades, retribuímos a ela a prática de meditação Zen.

E assim passaram-se todos esses anos de amizade e convivência, com períodos de interrupção mas sem perder o contato e a amizade.

Contei toda essa história para introduzir o assunto de hoje: a visita de outro amigo de longa data, Juli Manzi, músico, escritor, jornalista, compositor, produtor de conteúdo.

Na citada Livraria Pontes ele fez o lançamento de seu livro “Odisseia, Júpiter Apple History”, biografia do roqueiro porto-alegrense Fábio Basso.

Essa é uma longa história. Juli Manzi, também porto-alegrense, apareceu em nosso círculo de interesses através da Unicamp, onde veio fazer sua pós-graduação na área de música no Instituto de Artes, em 2000.

Descobriu nosso grupo de meditação e logo aderiu às reuniões. Encerrado seu ciclo de estudos aqui, seguiu para outros lugares.

Voltamos a nos encontrar em 2016. Aqui esteve para lançar a primeira edição deste mesmo livro.

Agora, seis anos após, lá vem ele novamente com a reedição da obra, em formato luxuoso, capa dura, papel especial.

Até aqui tudo certo.

A questão é: cadê o público para prestigiar, conhecer, comprar o livro?

Praticamente ninguém apareceu, apesar da divulgação nas redes sociais e no jornal Correio Popular, diário campineiro.

Quando cheguei com M não havia ninguém além do autor e do staff.

Às duas e meia, surgiram dois casais jovens, roupa preta, silenciosos.

O autor começou a cerimônia, fazendo a leitura e apresentação.

Chega outro casal, velhotes, com o filho com cara de velho também.

A senhorinha dá uma espiada geral e já se levanta em busca de um café e bolo. O marido refuga, o filho também, mais interessados na apresentação.

O senhorzinho começa uns apartes, mostrando que conhece o assunto, falando em Jethro Tull, Beatles, Stones, Tim Maia, produção, capas de disco e outros comentários bem articulados. Assim, estabelece uma conexão com Juli e o produtor/editor do livro e a conversa segue fluida e agradável.

Nós, quietos. Prefiro não dar nenhum palpite a menos que encontre algum pecadilho gramatical, mas não é hora disso.

A senhorinha sai novamente e volta com mais café e bolo.

Quatro da tarde. Juli abraça o violão e se põe a cantar duas ou três canções de letras incompreensíveis e o clima vai murchando.

Aproveito e vou comprar um exemplar, 120 reais. Surpreso pelo valor salgado mas não recuo. Ganho o autógrafo, fazemos umas fotos e é a deixa para erguer o charque.

Tchau, papai! Tchau, mamãe!

Dona quer mesmo é passar no supermercado Dia e comprar fermento e farinha de trigo.

Aproveito e encho o carrinho de bolacha Maria, bolacha Maisena e três pacotes de wafers para logo mais à noite assistir maratonas no YouTube.

Domingo, 31

Após dois anos de virtual, hoje finalmente pude me reunir com meus amigos e companheiros de meditação Zen presencial em nossa sede.

Chegamos lá, dona W e eu, antes das dez horas para varrer a calçada e preparar o zendô.

Com a presença de nove pessoas fizemos a meditação 30 – 10 -30, finalizando com.o chá e planejamento das próximas reuniões.

Foi aprovada minha ideia de retornarmos também aos sábados, 16h, como estávamos fazendo há anos.

Vou me responsabilizar por este horário como já fazia há muito tempo, além da função de tesoureiro.

Tudo certo. Melhor ainda ter conseguido convencer dona W a acompanhar esta rotina. Há anos ela abandonou a prática para permanecer em casa dedicada a outras atividades.

Aos poucos, tem aceitado às minhas recomendações de me acompanhar nos treinos externos atividades externas.

Ontem, por exemplo, fomos a uma sessão de autógrafos, passando algumas horas em conversa e contato com outras pessoas em vez de ficar atormentando a irmã, tentando “consertá-la”.

Sábado, 30

Dia de descanso dos treinos. A semana foi intensa, pesada, seis vezes. Além do mais, com o frio de hoje eu não sairia de casa mesmo.

A atividade principal do dia foi prestigiar a tarde de autógrafos de meu prezado amigo Juli Manzi, lançando o livro Odisséia Júpiter Apple History.

Pouca gente nesses tempos bicudos de pandemia, grana curta, desinteresse por livros.

Mas a reunião foi ótima, divertida, boas histórias, fotografias, dedicatória, lembranças curiosas, reencontro com amigos e amigas de longa data.

Para voltar ao dia a dia, uma parada no supermercado, onde dona S se diverte mais um pouco.