Sexta-feira, 9

Hoje não tive a reunião presencial no parque, tradicionalmente às 7h30, porque o treinador não pôde vir, ocupado que estava com os afazeres domésticos (esposa doente, levar a filha à escola).

Não me incomodo com essas faltas, troco por outra atividade e vai tudo bem.

Convidei dona W para ir à pista de atletismo, onde se move e toma sol, mas ultimamente tem recusado meus convites devido às dores que não a deixam em paz.

Fui e fiz o treino de 8km divididos em 20 voltas de 400m com o compromisso de fazê-las todas iguais ou com o mínimo de variação. Consegui acertar quase todas, em 2’20” cada.

Cumprimentei meus conhecidos que ali sempre aparecem. Voltei às 10h, cansado e contente.

A leitura de ontem

A leitura de ontem

Há mais de dois anos participo das sessões de meditação todas as terças-feiras e de quinta a domingo com o pessoal de Viamão via zoom e se vendo nos quadradinhos da tela do smartphone. É um grupo variado, entre velhotes, mocitas, senhôras, cavalheiros fluidos, senhores sisudos, outros nem tanto, alguns fala-fina. Um saco de gatos.

A rotina é trinta minutos em silêncio, seguido de umas recitações e uma leitura de um texto adrede divulgado. Esse intervalo é sempre tenso, onde o Sensei convida dois voluntários para fazer a leitura.

Para não demorar ou constranger, sempre me ofereço para tal mister. Alguns praticantes nunca o fazem. Tio JG é um deles. Com o agravante de debochar do meu sotaque.

Ontem o texto era do monge vietnamita Thich Nhat Hanh.

Começa por aí. Cada um lê de um jeito e saem “Tite era anão” “Tite na mão” “Xixi aí não” e outras interpretações ao bel-prazer.

Para complicar ainda mais, o autor citava O Estrangeiro, de Albert Camus, e o personagem Mersault.

Caprichei no francês pronunciando Albér Cami e Mersô.

Já a segunda leitora não titubeou e mandou um camús e mersalte, alto e bom som.

Ri sozinho graças à câmera e microfone desligados. Um perigo, se você não prestar atenção aos desenhinhos que indicam o mudo e sem imagem.

Hoje é isso. Eu achei graça em tudo e escrevi. Vocês, não sei.

Quinta-feira, 8

Passada a ressaca dos discursos malucos e inflamados de ontem, voltamos às atividades físico-esportivas.

Treino de 8km no parque. Sofri com as subidas, que tenho descuidado há algum tempo.

Deveria fazer 4km a 6’30” cada um além de 4km a 6’00” cada mas só consegui mesmo é completar os 8km em 7’20” um pelo outro, mostrando uma enorme diferença na condição cardiorrespiratória, que precisa melhorar.

Ou então a idade está fazendo seu habitual estrago e vou ficar por isso mesmo.

Quarta-feira, 7

Dia de comemoração de 7 de Setembro pelos 200 anos da independência.

Há 50 anos foi o sesquicentenário, introduzindo esta palavra esquisita no vocabulário do povo brasileiro.

Na ocasião, eu – nos meus 23 anos – era professor de Língua Portuguesa no Ginásio Estadual Francisco Neves Filho e também no Duque de Caxias e fui condecorado com uma medalha alusiva à ocasião.

E sempre me perguntei: o porquê de tal distribuição de medalhas se não fazíamos mais nada além da obrigação de trabalhar corretamente?

Passaram-se 50 anos e continua esta prática absurda até hoje, fazendo-se “cortesia com o chapéu alheio “.

Mudando de saco pra mala, amanheceu chovendo firme aqui, dando um alívio para a vegetação e purificando o nosso precioso ar.

Idade

“A idade traz-nos uma coisa boa que é uma coisa má: acalma-nos, e as tentações, mesmo quando são imperiosas, tornam-se menos urgentes”. (José Saramago, em História do Cerco de Lisboa)

Terça-feira, dia 6 de setembro de 2022.

Saí para andar às 8h nessa manhã fria. Após uma quadra percebi que estava perdendo o equilíbrio, deixando de andar em linha reta. Parei, disfarcei, recomecei a a marcha mas senti a tontura leve. Parei, respirei fundo, retornei.

Voltei até o portão de casa e achei que dava para continuar. Se desistisse, dona D ficaria mais preocupada ainda.

Recomecei e preferi embarcar no busão que estava chegando. Desci no meio do caminho para o destino que tinha traçado: a loja de pisos para fazer um orçamento.

Deu tudo certo. Conversei, vi o que precisava, voltei andando. Completei 7km de andanças, além de parar na farmácia para refazer o estoque de dona S.

Senti novamente a tontura ao me abaixar para escolher uma caixa de lenços de papel. A atendente percebeu e me ofereceu água. Agradeci, organizei-me e voltei para casa.

Passei o resto do dia meio atordoado. A pressão estava muito baixa para meu padrão: 10 x 6

Segunda-feira, 5

Dia gelado novamente. Mas saí cedo, às 7h30, para treino de pista, 8km moderados.

Treino encerrado, vou comprar ração para o gato. Na saída um sujeito – típico morador de rua – me aborda pedindo alguma coisa que não entendo e já respondo ” mano, não tenho grana, só uso cartão “.

A resposta ” não quero dinheiro, preciso de ração pros meus gatos”.

Opa, mudou de figura.

“Entra aí, mano e pegue o que precisa”.

Não foi preciso insistir. Escolheu um pacote de três quilos mais três sachês – para não castrado, frisou.

Uma compra bem feita de 72 reais. Agradeceu e se mandou.

À tarde, teremos dentista, compra de bugigangas e levar a 02 à sessão de psicoterapia.

A imobiliária aceitou minha contraproposta. Agora, o negócio é seguir em frente.

Sábado, 3

Várias atividades: rodar 6,5km, tratar dos gatos da menina, comprar luminária e lâmpadas.

O reator de neon da cozinha apagou ontem à noite. Tentei reanimá-lo, sem sucesso. Troquei as lâmpadas e nada.

Removi a calha, o reator e as lâmpadas. Troquei por um novo com lâmpadas de led. Levei um tempão em cima da mesa, pescoço doendo, espetando o dedo nos fios, até finalmente terminar a gambiarra e deixar funcionando.

16h- meditação presencial, uma hora e meia. Somente Caio e eu.

Sexta-feira, 2 de setembro

Treino presencial, forte e decidido, às 7h30 no Parque.

Às 9h, reunião com o corretor de imóveis e a filha 03.

A par das conversas melífluas do agente imobiliário tentando dourar a pílula, eu já estava resolvido mesmo a comprar este apartamento.

É antigo, precisa de reformar um armário danificado, trocar os chuveiros, consertar um piso estufado na sala, substituir os espelhos de tomadas e outras miudezas.

Mandei uma proposta pechinchando 20 mil.

Eles que lutem e resolvam.

Este imóvel servirá para acomodar a menina e seu ateliê e a cunhada, se preferir morar perto de nós definitivamente ou em temporadas.

Elas que se entendam. Minha parte é pagar a conta.

Duas da tarde: fui ao centro para trocar as baterias de três relógios. Gastei 105 reais, após uma conversa divertida com o velhote da lojinha.

Falamos de tudo: política, eleições, costumes, situação internacional, finanças, o diabo a quatro. Tudo resolvido, nada acertado.

Caminhada inclusa: 5km neste sol brabo e ar seco.