Terça-feira, 1 de novembro

Mas que lugar gelado esse, mano. Saí de casa ontem com 32 graus para desembarcar nessa friagem e chuva sem parar.

Que desânimo. Nem consigo fazer meu treino. Desisti, fui de busão visitar o irmão 2, encorujado em casa. Levei-lhe uma caixa de bombons e também para a cuidadora.

Na portaria do prédio, antes de subir cumprimento o porteiro como sempre. Pior viagem. Começa a puxar assunto da eleição de dias atrás. É um daqueles evangélicos apoiadores do atual e fica me entendo a paciência com as lorotas atuais do derrotado.

É um custo me livrar desse mala de forma educada. Consegui.

Para o irmão faço-lhe o mate caprichado como ele gosta, conto umas histórias, combino de voltar todos os dias enquanto estiver por aqui.

Passo a tarde em casa espiando as notícias e os comentários da atual situação.

Amanhã, Dia de Finados, momento de lembrar das nossas perdas e do nosso futuro.

Apartamento comprado : atualizando, está pronta a escritura e vamos marcar a data da assinatura e pagamento na próxima segunda-feira.

Domingo, 30

Visita número 26 aos gatos, às 6h.

7h- levar a 02 ao Laboratório e perder a viagem porque estava fechado. Ontem ligaram pedindo que ela voltasse porque uma das amostras estava prejudicada.

E, sim, atendem nos domingos e feriados na parte da manhã.

Só que não. Mais uma informação errada, mais um “encosto” nos assuntos dessas duas aqui. Se há alguma chance de dar errado para elas, vai dar mesmo.

8h- dona F quer ir votar cedo porque está muito atarefada com.o almoço. Tudo bem mas vamos de carro porque de manhã ela sofre para andar. Exijo que leve a 02 junto para acompanhar enquanto estacionou o carro.

Já ficou furiosa. Em vez de encarar como cuidado adicional, reclama que estou impedindo e tratando como incapacitada. Só quem convive com isso sabe que o perigo é um esbarrão e lá se vai para o chão.

Minha seção está demorando, há fila novamente. A dela, vazia. Resultado: não quer me esperar e resolve virem andando.

Segundo resultado: cheguei antes em casa e a tal economia de tempo não aconteceu.

Quem é impaciente sofre adiantado.

Sábado, 29

5h50 – já estou saindo para tratar dos gatos. E a 25a vez. Ainda falta a tarde deste sábado e amanhã cedo. O casal volta amanhã das férias e encerro meu compromisso.

Amanheceu um dia de sol e promessa de muito calor. Ainda nesta manhã farei meu treino de rua e depois levarei as duas ao supermercado para as compras que costumamos levar a Curitiba, na segunda-feira cedo.

À tarde tenho a meditação presencial e, no mais, preparar-se para as eleições de domingo. Aqui serão dois votos: governador e presidente.

A seção fica a quatro quadras de casa, no Colégio Pio 12. Dona S insiste em ir andando. Esse trajeto é percorrido em meia hora para ir e meia hora para voltar. No dia seguinte ela padece mais ainda com as dores.

Enquanto isso, a irmã fica em casa. Quando a gente volta ela pergunta “onde foram?” e é preciso explicar novamente.

Treino de hoje: correr 6km com subidas fortes. Gastei 40 minutos no calor forte mas a maior parte sob sombra do parque.

Antes disso deixei as duas no supermercado, onde fizeram compras para a semana em viagem.

Salvou-se uma alma: 02 quis pagar a conta. Muito bem.

Refiz o estoque da gata entre sachês, areia e petiscos. Lá se foram 72 reais.

O laboratório liga agora cedo: refazer o exame não sei do quê da 02.

Jamais aconteceu uma dessas. Como diria dona Florinda “tinha que ser o Chaves”.

Que interessante. Tudo acontece atrapalhado com essas duas.

Resultado: amanhã cedo tenho que levá-la ao laboratório. Sempre sobra alguma coisa para mim. Vamulá, time!

Sexta-feira, 28

Estou acordando cada dia mais cedo. Em compensação tenho me acomodado também cada noite mais cedo.

4h50 – passando café, tratando da gata.

5h30 – saída para cuidar dos gatos da filha.

7h30- encontro semanal com o treinador na academia do prédio; o parque está encharcado do temporal da noite e madrugada

9h30- fazer compra de mantimentos

15h15 – vou visitar os gatos novamente.

Quinta-feira, 27

5h30- primeira visita aos gatos. Hoje prestei bastante atenção onde deixei o carro para não me atrapalhar na volta.

6h30- de volta, fiz café e espio o noticiário.

7h- aguardo as duas se aprontarem para levá-las ao laboratório, onde farão os exames de rotina.

8h- no laboratório, dona R começa a reclamar da demora do atendimento. Não é demora, é normal. Mas é o costume dela sempre no modo negativo, sempre na expectativa de que qualquer coisa não funcione.

Mas funciona. Então o que sobra? “Essa enfermeira tem a mão muito pesada, ficou doendo a picada.” Sei…

E a outra? Ouço a atendente perguntar “alguém vem retirar o resultado ou será a senhora? ” resposta “acho que o meu cunhado, não sei…” é já olha para mim, que acompanho pela leitura labial.

Apresento-me e confirmo. Volto pata meu lugar. Ela também. Só de teste, pergunto ” a moça marcou meu nome para retirada?”

Resposta: ” não, não disse nada “

Essa é a situação atual: memória recente zero. Tudo que se fala, que se conta, que se combina desaparece em segundos.

Para completar o relato: ontem fiz a segunda visita aos gatos levando dona D comigo para fiscalizar as plantas no apartamento. Ela gosta de molhar e conferir tudo.

Na volta, parei na oficina para recolocar a roda dianteira que foi consertada. Ficou muito bom o serviço mas lá se foram 250 reais, custo da barbeiragem.

15h30- hora de cuidar dos gatos. Está muito calor aqui ameaçando temporal. Vou logo para ligar o ar-condicionado e refrescar o ambiente para eles durante o tempo que fico lá.

E o treino de hoje? Fraco. Apenas andar no parque e conversar com meus conhecidos, das 9h30 às 10h30.

Faço o mate na cuia grande, bem caprichado, erva-mate Legendária.

Dona E lida com uma baciada de massa para esfiha de ricota e manuche.

Manuche é um pão árabe, achatado, coberto com zattar. E zattar é uma maçaroca de temperos sírios com azeite de oliva. Isso tudo para esperar o guri, que deve pousar domingo em Cumbica, vindo dos EUA para compromissos na UFPR.

Dona E trabalha rápido e com habilidade moldando a massa. Enquanto isso a irmã tenta espichar a massa, sem sucesso.

Recomeça, não acerta, mexe de novo, fica pior. Simplesmente não acerta nada. É um desastre completo.

Esquece, erra, olha para o vazio, pergunta alguma coisa aleatória. Encarregada de arrumar a mesa do almoço, faz tudo pela metade, pergunta onde está isso ou aquilo, como se talheres e louça mudassem de lugar.

Esta é uma tragédia anunciada: a decadência progride a cada dia. Chamo de uma pessoa abúlica, palavra que define alguém apático, zero de interesse na vida.

Na próxima semana iremos a Curitiba, onde tem consulta com neurologista. Este recomendou um antidepressivo, que tem a capacidade de deixá-la mais quieta ainda, e um outro para frear a demência.

Deste segundo aí duvido que ajude. Já o primeiro, sim. Mas considerando que não temos certeza se ela toma as doses em quantidade e horário corretos. Dona E tenta controlar organizando as pílulas numa caixinha com o nome dos dias da semana mas o sucesso é próximo de zero.

E a novela do apartamento comprado mês passado segue firme. Os documentos que as duas irmãs e maridos devem apresentar têm vindo a conta-gotas exasperando dona E, ansiada para reformar e tomar posse.

De modo que tudo aqui parece a eleição presidencial: resultado indefinido mas com palpites de todo lado.

Quarta-feira, 26

6h- primeira visita aos gatos. Vou de carro e estaciono na rua, evitando uma longa volta para deixar no estacionamento de visitantes do prédio.

7h- volta para casa. Saio do prédio e vou em direção ao carro. Mas não é o meu porque acostumado a usar o estacionamento vou direto a um Honda cinza. Distraído, tento acionar a chave.

Que vergonha…a mulher ali perto resmunga “ei, moço, esse carro é meu!”

Balbucio uma desculpa, com cara sem graça e só então percebo que deixei meu carro em outro lugar.

Tudo isso para começar bem o dia.

Dona S convence a irmã a se preparar também para a cirurgia de cataratas, marcada para o mesmo dia da minha.

E lá vou eu com elas para o primeiro exame, o eletrocardiograma.

É preciso ajudá-la a preencher a ficha de cadastro, a mostrar o guichê, a isso e aquilo e a tudo. Não faz nada por iniciativa própria.

Na volta, passamos na farmácia. Elas querem tinta de cabelo. Para certos assuntos são espertas.

Em casa às 9h30, tomo café e saio para o treino. Hoje é suave: andar 5km e fazer musculação em seguida. Às 11h30, tudo resolvido.

Preparo um mate tipo uruguaio, naquelas cuias redondinhas. Gosto de variar as cuias, tenho oito, uma diferente da outra. Ontem usei a cuia argentina, pequena e oval. Amanhã será a grande, paranaense.

Terça-feira, 25

Dia de pagamentos e aplicações. Logo cedo acerto os compromissos.

Às 6h estou cuidando dos gatos. Às 7h30 tomo café e vejo a correspondência e noticiário.

9h30 – vou ao oftalmologista para a entrevista com o anestesista. Tudo certo com meus exames e já pago a “diferença do convênio ” de 2.500 reais para uma vista à vista via PIX.

É uma constante essa justificativa de “o convênio não cobre isso e aquilo e aquele loutro”…

10h30- em casa

14h- musculação caseira

16h – segunda visita aos gatos

Segunda-feira, 24

Acordei cedo novamente apesar da canseira de ontem. Às 6h já estava no outro lado da cidade tratando dos gatos.

9h- levar dona Z ao dentista. Meia hora de espera, consulta de cinco minutos, agendando cirurgia para dia 9 do próximo mês. Vai trocar toda a arcada superior, assunto para duas horas ou mais.

Na volta, no supermercado. Ao estacionar fiz uma barbeiragem ao desviar de um buraco e esfreguei uma roda dianteira no meio-fio esfolando-a.

Deixei dona X em casa e já fui para o conserto: 250 reais para fazer o reparo e polir, com promessa de aprontar até depois de amanhã.

Fui descansar um pouco após o almoço mas recebi um recado do cartório e cá estou na fila de espera para ajustar uns documentos.

Este ano não tive sossego um dia sequer.