A leitura de ontem

Há mais de dois anos participo das sessões de meditação todas as terças-feiras e de quinta a domingo com o pessoal de Viamão via zoom e se vendo nos quadradinhos da tela do smartphone. É um grupo variado, entre velhotes, mocitas, senhôras, cavalheiros fluidos, senhores sisudos, outros nem tanto, alguns fala-fina. Um saco de gatos.

A rotina é trinta minutos em silêncio, seguido de umas recitações e uma leitura de um texto adrede divulgado. Esse intervalo é sempre tenso, onde o Sensei convida dois voluntários para fazer a leitura.

Para não demorar ou constranger, sempre me ofereço para tal mister. Alguns praticantes nunca o fazem. Tio JG é um deles. Com o agravante de debochar do meu sotaque.

Ontem o texto era do monge vietnamita Thich Nhat Hanh.

Começa por aí. Cada um lê de um jeito e saem “Tite era anão” “Tite na mão” “Xixi aí não” e outras interpretações ao bel-prazer.

Para complicar ainda mais, o autor citava O Estrangeiro, de Albert Camus, e o personagem Mersault.

Caprichei no francês pronunciando Albér Cami e Mersô.

Já a segunda leitora não titubeou e mandou um camús e mersalte, alto e bom som.

Ri sozinho graças à câmera e microfone desligados. Um perigo, se você não prestar atenção aos desenhinhos que indicam o mudo e sem imagem.

Hoje é isso. Eu achei graça em tudo e escrevi. Você, não sei.

Sábado, 25

Dia de descanso e treino de rua. Tudo certo com 6,5km rodados sem incidentes.

Uma prosa divertida com meu prezado amigo Linsingen, de Canoinhas-SC relembrando intensas aventuras no eixo sul do PR e norte de SC.

Bons tempos, ótimas lembranças.

Sexta-feira, 24

Dia de pagamento. Salvei 25% em aplicações de renda fixa e variável. Mais na fixa devido à Selic mantida em 13, 75%, uma taxa absurdamente alta, mesmo com as críticas ferozes do presidente atual.

É uma disputa de braços poderosos entre presidentes: da República e do Banco Central.

Lembro da antiga anedota de Millôr Fernandes “O que é o Brasil diante do Banco do Brasil?”

Treino às 7h30, presencial, ancorado no treinador. Finalmente apareceu 3 vezes esta semana. Devem ter acabados os pretextos de médico, dentista, o carro, a filha pequena…

Dia de calor intenso, superior a 30 graus. Não saio de casa à tarde se não for por um motivo justo.

Era para levar a 01 e 02 a um Day Hospital aqui perto onde deveriam marcar os próximos exames da 02.

Desistiram. Uma, cansada e desanimada de tanto acolitar a segunda. Esta, abúlica, não diz nada, não resolve nada, vai na onda.

Continuo com mal estar e dificuldade para me alimentar. O odor da comida me incomoda. Enfrentei arroz sem nada no almoço e ficou por isso.

Vou tentar novamente agora e me dedicar às leituras e meditação.

Dormi mal esta noite. Não só eu mas toda a vizinhança, incomodada com a barulheira na rua em frente do estádio da Ponte, em comemoração de algum evento.

Os mais exaltados chamaram a PM e Guarda Municipal mas ficou por isso mesmo.

Resignado, esperei terminar a balbúrdia lá pelas duas da manhã. E acordei às 5h30 com o gato vomitando nos meus chinelos.

Uma noite e tanto.

Mais

Hart Crane poetry

My hands have not touched water since your hands, —
No; — nor my lips freed laughter simce ‘farewell’.
And with the day, distance again expands
Between us, voiceless as an uncoiled shell.

Yet, — much follows, much endures… Trust birds alone:
A dove’s wings clung about my heart last night
With surging gentleness; and the blue stone
Set in the tryst-ring has but worn more bright.

Hart Crane

 Minhas mãos não tocaram água com as suas mãos, —
Não; — nem meus lábios livraram do riso de ‘ Adeus’.
E como o dia, que se distancia novamente segue
Entre nós, mudos como uma concha desmontada.

Ainda, — muito segue, muito suporta… Solitários pássaros da confiança:
As asas de uma pomba se juntaram ontem à noite sobre meu coração
Surgindo com gentileza; e a pedra azul
pelo anel de aliança mais usada e mais iluminada.

Quinta-feira, 23

Acordei bem. Saí às 6h30 para consulta no anestesista, preparativos para nova colonoscopia.

Tudo certo na marcação só que sem vagas por enquanto. Apenas para meados de junho.

Meia hora na Unimed para também autorizar os exames da 02. Tudo certo. Deixo para ela achar os credenciados e agendar as datas.

Volto às 9h30 para o café da manhã, que desce empurrado. O mal estar volta de leve.

Tento os exercícios em cada, sem.muito entusiasmo e vigor. O banho frio é um mate quente me reanimam.

Zero de almoço, vontade mesmo é de ficar deitado.

Quarta-feira, 22

‘Churrilho e mal estar ao acordar. Fiquei em jejum. Levei as duas ao apartamento.

Enquanto elas lidavam com vassouras e baldes e montei o sofá novo, um negócio gigante e pesado.

Parece que ficaram satisfeitas  om o resultado.

Ainda fiz uns reparos com..assa corrida nas muretas e voltei a escrever minhas memórias no computador.

Almoço preparado, não desceu nada. Deitei para repousar durante uma hora, reuni meus pertences e vim embora deixando-as com a menina por lá.

Calor brabo mas passei na farmácia e comprei dipirona. Ali ao lado, comprei as frutas para elas.

A recomendação última da médica para a 02 e iogurte todo dia, aumentar o volume das refeições, andar todo dia sob o sol, fazer a ginástica com o nosso orientador.

Seguiu? Zero de lembrar, zero de fazer.

Ontem no jantar anotei: um ovo uma fatia de pão, uma azeitona. Aí colicar-lhe a segunda azeitona “não, estou satisfeita já “.

Muito bem, nota dez em todos os quesitos.

14h- em casa, deitado, apaguei.

18h- zero vontade de me alimentar. Permaneço em jejum, tomando água e chá de louro.

20h- vou me acomodar

Terça-feira, 21

De plantão no apartamento à espera do último lote de móveis. Fui às 8h e esperei até meio-dia quando entaoresokvi voltar para casa e almoçar.

Lógico que não deu certo. No meio do caminho aviso o caminhão de entrega. Voltei para receber os volumes e dar 30 reais de gorjeta.

Voltei às 13h debaixo de um sol de rachar. Senti que não me faria bem. Dito e feito. À noite percebi as dores articulares, espirros, mal estar.

Dormi mal acordando várias vezes, sem sossego. Talvez causado pelo treino novo de ontem.

Segunda-feira, 20

7h- treino de rua, 8km alternando 1 x 1 andando e correndo. Tudo certo, o peso declinou para 77 kg.

Ajeitar a casa, deixando tudo bem arrumado: as duas irmãs vêm ao meio-dia.

11h- buscar no aeroporto. Aqui parado, com o voo atrasado para variar.

13h- voo atrasado, mala extraviada, uma sucessão de incômodos. Deixei o carro no estacionamento e lá se foram 28 reais.

Acharam a tal da mala, tinha que ser de uma das duas logicamente. Todos os passageiros se mandaram mas a dona Florinda ficou para trás.

Com o estômago nas costas de ficar sem almoço, parei no restaurante perto de casa. Comida simples, mais para o jaguar, 105 reais para três pessoas.

Para quem saiu de casa às 8h30 e chegou duas e meia da tarde no destino final poderia ser de carro.

Cansado, ainda levei-as ao apartamento para apreciar a pintura final.

Em casa, fiz meus exercícios para dissipar o travamento muscular.