Sábado, 20

Apresentação de dança infantil da netinha de 5 anos. Fez tudo direitinho: cantou, dançou, riu, acenou. Feliz com os pais, o irmão e todos os avós.

Em casa, Daddy e Mommy aproveitam para passar o resto do dia e a noite a sós nump hotel.

A menina quer fazer bolo e começa:

“Quero dois mais ovos”
“Eu quero põe fermenta”

“Eu não sabe fazer bolo. Eu faz cupcake”
” Quando é pronto vamos cortar”

“Vovó, quero que você faz o tea”

Sexta-feira, 19

Completo 74 anos hoje. Recebi alguns cumprimentos, não muitos.

Afastado há tempos de postagens nas redes sociais, o número de votos diminuiu drasticamente.

Mas aqueles que realmente importam não decepcionaram.

Fiz normalmente meus exercícios físicos depois de uma noite de sono reparador, num quarto exclusivo, com travesseiros e colchão muito confortáveis, ar condicionado central, silêncio absoluto.

Acordei mais tarde, feliz e bem disposto, com os tornozelos perfeitamente desinchados, sem os tradionais edemas causados pelas longas horas da viagem.

Aqui me sinto bem, relaxado, descansado, bem humorado.

A vida é bela. Curta mas bela.

Quinta-feira, 18

Amanheci nos EUA após uma viagem de 8h ininterruptas, espremido na última poltrona da última fileira do avião, entre uma moça antipática e um cavalheiro peso-pesado.

Uns cochilos breves, uma comida pavorosa, num avião lotado.

Mas, sem turbulência, não foi uma viagem ruim apenas desconfortável.

Na imigração e recolha da bagagem foi tranquilo, com dona G na cadeira de rodas passando nas prioridades.

Poucas perguntas do oficial e um carimbo permitindo a entrada no país.

Gorjeta de 10 dólares para o condutor da cadeira de rodas, espera de duas horas até a filha aparecer para nos resgatar.

Quarenta minutos de viagem de carro, uma parada no Coffee-break, conversa agradável até perto do meio-dia e, finalmente, em casa.

Agora descansar, organizar a bagagem, fazer um mate caprichado e esperar a chegada das crianças vindas da escola.

Sossego total nesta casa enorme, silenciosa, confortável, nova e bonita dentro de um condomínio de alta classe.

Quarta-feira, 17

Dia da viagem. Treino caseiro. Andei 3km até farmácia para comprar Fluimucil e Simbioflora.

Gastei 160 reais e paguei com o novo cartão de crédito da XP Investimentos.

Fiz o cadastro da nova portaria virtual que inventaram de implantar aqui no nosso velho prédio. Vai ser uma confusão daquelas. Aqui só mora gente velha e atrapalhada com essas novidades que essa síndica maluca não para de inventar.

Só para justificar minha fama de encrenqueiro, chato, grosseiro e sem paciência cadastrei Milu como moradora com foto e tudo.

Três da tarde: vou me arrumar e fechar a mala com meus pertences finais.

Às 8 da noite o genro vem nos buscar para traslado ao aeroporto.

Que Santo Expedito se apiade de mim e meus descendentes sem dentes.

Embarque às 23h30 após vistoria das malas onde tive que descartar um tubo de desodorante, acusado de ter 250ml.

Quase vazio, dei uns esguichos finais a nos sovacos e no ambiente. Uma das guardinhas me fez uma cara feia e resmungou um “senhooor…” a que me fiz de desentendido, pinchei o frasco no lixo, virei as costas e saí amparando dona D, que não percebeu minha jogada desprezível.

Uma longa caminhada até encontrar o portão de embarque nesse aeroporto enorme.