Terça-feira, 3

Dia de depositar a poupança da neta. Faço isso todo dia 3, às 7h da manhã.

Nesse mesmo horário saio para compras na mercearia.

Volto para o café, para lidar com o orçamento, para ouvir as lamúrias do dia.

Chove novamente, deixo o carro na rua para ceder a garagem à filha.

Termino de ler a espetacular obra de Michel Houellebecq “Mapas e Territórios “.

Reinicio Mircea Cărtărescu em “Solenoide”, outra obra fenomenal.

22h – falecimento do amigo de longa data, J. de Barros, aos 84 anos, após longo sofrimento, vítima de câncer.

Perdi 3 pessoas conhecidas em uma semana.

A morte se aproxima dos idosos. Cada um tem sua vez assegurada.

Lembro do poema “Consoada”, de Manuel Bandeira ” quando a indesejada das gentes chegar…”

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar (Não sei se dura ou caroável),talvez eu tenha medo.

Talvez sorria, ou diga:Alô, iniludivel! O meu dia foi bom, pode a noite descer.(A noite com os seus sortilégios.)

Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

A mesa posta, com cada coisa em seu lugar.

Manuel Bandeira

Deixe um comentário