Com preguiça de correr na rua, malmente fiz o treino de força, de manhã e também com má vontade.
Saimos todos às 11h para almoço no Bamboo, 56 dólares para dois, comi meio empurrado, a comida é excelente mas a quantia aparentemente pouca nos engana. Foi um bowl de Italian past, sensacional, e não deixei nada sobrando, como de costume. Ainda bebi um suco chamado anti-inflamatório, espesso, doce, ardido, muito bom, no precinho camarada de 10 dólares.
Empachado como estava, após os netos devorarem suas tijelas de açaí e começarem a reinação habitual, fomos ao parque para desaguachar. Uma hora após, retorno para casa, aguardando a housekeeper encerrar a faxina.
Fiz um mate caprichado, removi os bags de manure para descarte que organizei dias atrás, e retirei uns trastes enormes de plástico, antigos brinquedos de piscina, largados há tempo no fundo da casa, juntando detritos e frogs, com mau cheiro.
Suei um tantote, entrei na piscina para me refrescar.
A todas essas, a faxina foi encerrada e pude tomar banho sossegado e me acomodar, ali pelas 4 da tarde, quando os pais levaram os filhos para o treino de jiu-jitsu, com retorno depois das 6pm.
Dona M preparou o jantar para a família e, enquanto isso, visitei por vídeo a irmã 05 e fiz novas compras na Amazon: um frasco de Oregon Oil a 32 usd e o livro The Broom of the System, de David Foster Wallace, meu escritor doidão favorito.
Praticamente só me faltava esse. É mais para diletantismo porque ler em inglês já é difícil e, em se tratando de Wallace, só piora, por ser hermético e misterioso ao nível de James Joyce.
A diferença entre os dois autores não é o hermetismo do assunto mas a forma da linguagem; enquanto James Joyce faz experimentações ao inventar termos esquisitos, Wallace não altera as palavras mas a sequência da redação é praticamente incompreensível.
Então por que ler essas maluquices tão incensadas? não sei a resposta mas gosto do estilo amalucado.
Nessa vibe estão meus autores preferidos: os brasileiros Murilo Rubião e os contemporâneos Victor Heringer, Rodrigo de Souza Leão e Lourenço Mutarelli.
Dos estrangeiros são os já citados americano e o irlandês, mais o romeno Mircea Cãrtãrescu e o húngaro Lászlo Krasznahorkai, atual Prêmio Nobel de Literatura.
Mais suaves e compreensíveis recomendo os laureados Michel Houellebecq e Emmanuel Carrère, dos quais estou lendo toda a – a meu ver – magnífica obra.