Primeira história: Armando, um homem enorme, meu amigo de academia, cara feia mas uma simpatia sem fim.
Encontro-o pela rua, na academia, no café da manhã do Hihon. Apenas cumprimento e faço sempre a mesma pergunta, que o diverte: – já fez o treino hoje?
Ele, invariavelmente, responde: daqui a pouco.
E fica nisso.
Desta vez encontrei-o às 8 da manhã, sentado na escada do consultório dentário, que não sabia que frequentava.
Salve, Armando!
Pô, meu, estou sentado aqui desde as 7 horas, meu horário, e ninguém chegou ainda.
Nesse instante aparece S. a secretária, já perguntando “Armando, por que não veio ontem às 7h, que era seu horário?”
“- Ontem? achei que era hoje”
Fim da história. Armando e seu corpanzil embarcam no táxi, para voltar semana que vem.
Segunda história: eu estava terminando o treino de rua de 6km, me aproximando de um catador de reciclável, na avenida Princesa e logo vi a situação curiosa – o cão caramelo na carrocinha, de óculos escuros, ar “solene” (na verdade, com a cara de sempre de um cachorro). Cheguei mais perto para tirar uma foto. Alcancei o carrinheiro e puxei conversa. Perguntou meu nome, perguntei o dele. “William, e o cachorro é Sansão. Ele já tomou café da manhã. Eu, não, só uma “branquinha”” . Entendi, claro.
Esse povo tradicionalmente tem um companheiro canino. Elogiou-o, pegou quando filhote, “é meu filho”, abraçou-o e Sansão lambeu-lhe o pescoço.
Conversamos amenidades e despedi-me. Ele estendeu o cotovelo substituindo o aperto de mão.
“Aprendi com a presidente Dilma’, explicou-me. Sansão continuou imperturbável. Não me pediu nada e continuaram seu caminho.