Já contei aqui das consultas e diagnósticos de minha gata Milu, atualmente com 20 anos de idade.
Um animal velho, mas saudável. Está lenta, dorme muito mais, entretanto mantém suas funções adequadamente: come, toma água, vai certinho na caixa de areia – às vezes erra, é verdade, mas não por não ir e, sim, por não terminar o que pretendia fazer e, consequentemente, deixar uns resíduos pela casa.
Mas isso é outra história.
A questão é a seguinte: a aparecimento e crescimento de um abcesso no calcanhar direito, há um ano.
Era uma bolinha e transformou-se numa bolona.
A consulta inicial há três meses indicou a necessidade de consultar um cirurgião.
Lá fui eu e a resposta é: fazer biópsia.
Foi feita, 80 reais. Uma semana depois, o resultado: carcinoma, maligno, indicação de cirurgia para remover, custo de 3.500 reais, zero garantia.
Na melhor das hipóteses amputar a pata traseira; na pior, não resistir à anestesia e cirurgia.
Respondi que iria pensar.
Pensei, conversei em casa, procurei a dra.Natália – que cuida desses assuntos para Milu.
Conselho: não mexa, deixe o animal terminar sua vida naturalmente. Afinal, 20 anos para um gato é muita coisa.
Tudo bem. O tratamento restringiu-se a um anti-inflamatório diário por 90 dias.
Foi o que fizemos.
E o abcesso? Continuou crescendo até quatro dias atrás, quando observei que estava supurado porque ela estava lambendo e rompeu a pele.
Isso causou-lhe dor e passou a mancar, sem poder tocar a pata no chão.
Uma ocorrência num sábado à noite, véspera de feriados, ou seja, onde tratar?



Procurei a dra.Natália: de licença médica.
Resolvi esperar. E acertei. Acomodei-a comigo, passou a noite do meu lado para dona B poder dormir.
No dia seguinte, continuou mancando mas aceitou comer e tomar água. Levei-a no colo para a caixa e ela urinou.
Boa notícia: quando o animal faz tudo isso é porque vai continuar a viver.
Dito e feito. O tumor foi retrocedendo – como se diz no Paraná, foi churigando.
Virou uma casca escura e seca.
No dia, seguinte, surpresa! Encontrei o tumor arrancado no chão. Ela tinha rompido a casca à custa de lambidas, mas ficou um buraco horrível, sangrento, deformado.
Fazer o quê?
Observar os movimentos dela: andou devagar, procurou o pote de comida, tomou água, foi na caixa de areia, ou seja, agiu normalmente.
Então a história é essa. De um dia para o outro a ferida horrorosa foi secando e reduzindo o tamanho do buraco.
Hoje, quinta-feira, passados quatro dias, estamos com ela sossegadinha e de olho na cicatrização.
As fotos são horríveis mas estão aqui.