Malucos de São Mateus do Sul
A lista é grande.
Começo com os alcoólicos, ou alcólatras. Há controvérsias quanto ao termo correto para se denominar indivíduos dominados pelo vício. Como este relato fica entre nós, vamos deixar de lado a classificação e nos atermos aos pesonagens, sem julgamento.
Cada um tem o direito de fazer o que bem entender. E nós temos o direito de contar histórias, aqui em off.
Bruno Adamski – um homem grande e forte, que não fazia nada na vida a não ser beber suas cachaças e gritar na rua. Dava medo nas crianças por ser frequentemente invocado por mães sem paciência com a finalidade de assustar os manhosos. Volta e meia, eu o via subindo nossa rua aos berros. Não sei que fim levou mas não será diferente dos outros dependentes: morrer caído numa sarjeta depois de muito atormentar familiares.
Marcelo Janoski – filho do véio Janoski e dona Estefânia, a parteira oficial depois da aposentadoria das Irmãs Wolter (o que renderá outro relato), tomava todas e andanva balançando. Na verdade Marcelo era carpinteiro, igual o pai. Tinha dois filhos : Ivo e Ivone, ambos contemporâneos meus no Grupo Escolar. Foi ele quem construiu nossa casa em 1960, demolindo a anterior no mesmo endereço, à rua Dr.Paulo Fortes.
Nos intervalos do trabalho, merendava umas fatias de broa revestidas de banha e salpicos de açúcar. Banha com açúcar, uma combinação exótica. Tudo regado a café frio, que levava em um litro. Como eu ficava por ali arrodeando, sempre curioso, fui instado a experimentar. Não é ruim, apenas diferente.
Marcelo tomava uns tragos mas não a ponto de atrapalhar as obrigações.
Portanto o irmão dele é quem me refiro como alcoólatra e não lembro o nome.
Família Augustinhak – o véio Augustinhak era auxiliar dos padres nas bênçãos das casas nos dias de Ano Novo e carregava a cruz à frente dos enterros, alternando com o Velho Janoski.
Conseguia conciliar trabalho e bebida mas os dois filhos entraram com tudo na cachaça e seguidinho caíam na rua completamente embriagados.
Doutor Enoch – conhecido como Nhoque, marido de dona Aurora, professora primária, com residência ao lado da casa do Coronel João Gabriel Martins (dona Geni, Quesa, Belinha, Bolivar, Juju), vizinhos da Igreja dos Menonitas, da residência também de Celeste Wolff Ramalho, casada com Luiz Seleme, da loja de peças de carro.
Nhoque era advogado mas vivia ébrio.
Há uma história célebre dele, que faz parte do anedotário local, seja real ou inventada.
Que é a seguinte: um preso apenado pretendendo pleitear o regime semi-aberto mas sem dinheiro para contratar advogado, aceitou Nhoque como pro-bono.
Este preparou a defesa verbal perante o juiz, que, sensibilizado bateu o martelo e,dobrou a pena do infeliz. Não só não acatou a tese como duplicou o castigo. Mentira? Verdade?
Nhoque Enoch também terminou seus infelizes dias na sarjeta.
Maciel – ninguém se referia a ele pelo prenome. Era Maciel e pronto. Filho de dona Carolina, irmão do Sebastião marido de Ludenca Jasinski. Ludenca, ou Ludmila, irmã do Osvaldinho, vizinho de família do Solar Guimarães.
Maciel era muito divertido.
Tinha uns bordões adotados pelos nativos. Por exemplo “esse o boi não puxa”, “esse o gigante não levanta” , expressões significando “não acredito”.
Ervino Zarzycki – profissão desocupado e, eventualmente, vereador com atuação nula em duas ou três legislaturas. Atividade principal quando vivo: tomar cachaça no bar do próprio irmão, ali logo passando a ponte do rio Canoa sob a rua Paulino Vaz da Silva que continua sob o nome de Rua do Canal, em frente à residência do véio Rachid.
Visto sempre com um copinho de pinga ao lado, costumava cobrir com um guardanapo para “não perder a fortitude”
Depois de morto, virou nome de rua, uma homenagem ao nada.