Histórias, mas não de minha autoria

O Grande Montador de Telhados


10-07-2023 02:00 da madrugada, acordei de mais um lindo e longo sonho.

Assim:

“-Sempre tive vontade de fazer um plano de viagens, fazer turismo pelo Brasil, e também para outros países”, comentei à um amigo que não lembro quem , num certo lugar que não recordo onde.

“- Entretanto,” tornei, ”- Poderia ter mais graça, se esta viagem pudesse ter um objetivo definido, como “um pacote rumo à Copa do Mundo na Alemanha, ou algo do gênero!”.


Neste mesmo instante, vi-me transportado à um outro país,Alemanha ou Espanha, não sei, nos arredores de uma pequena cidade, próximo à um imenso Estádio Esportivo. Estava numa pequena estrada de pedras ao alto de um morro. Dali notei que os portões daquele estádio encontravam-se abertos e haviam muitas pessoas nas arquibancadas.

Como em fila, outras, com muita pressa, passavam por mim, dirigindo-se aquela praça de esportes.

Notei que os lábios de nenhum deles movia-se. Não emitiam um único som.

Mas havia, entretanto uma perfeita comunicação entre si.

Comunicavam-se por sorrisos.

Sorrisos de muitos mundos.

Sorrisos de muita Luz.

Pareciam transbordar alegria e felicidade.


E eu ali, no alto daquele morro, tudo observava.

Num determinado momento indaguei-me: “-Que lugar é este, quem são estas criaturas, de onde vem e o que buscam naquele estádio?”


Bastou pensar, quando de repente, uma senhora aparentando meia-idade, interrompendo o seu percurso, pôs-se o meu lado e, num leve roçar em meu braço interrompeu-me os pensamentos.

De de seus lábio não saiu uma única sílaba. Mas em compreensão, disse-me:

“-Vamos ao Estádio Municipal, vê aquêle lá?” E apontava para baixo com a ponta do nariz num modo muito peculiar.

“-E o que tem lá de especial ?”, tornei, sem também mover um único músculo facial.

“-Há!”, exclamou. “- Hoje tem uma especial palestra com O Grande Montador de Telhados, que nos contará lindas histórias!”, concluiu aquela simpática senhora, que no momento encontrava-se já um tanto distante de mim, despedindo-se com um delicado e leve aceno.

No momento em que agradecia aquelas informaçoes, vi-me logo transportado para um outro lugar próximo dali.

Um lugar plano, com árvores e uma pequena estrada ladeada por barrancos não muito altos.

Sem saber qual direção tomar pus-me a seguir em frente por aquela estreita estrada a partir da posição que estava.

Pelo barro que tinha no caminho, parecia haver chovido há pouco, mas, estranhamente meus pés não tocavam o chão..

Pus-me a “andar” por aquela estrada barrenta até deparar-me a uma cerca com uma pequena porteira interrompendo meu caminho.

Parecia uma entrada de fazenda com o terreno todo cercado com palanques espaçados e abertos entre si como se ali houvessem arames.

Havia ali uma sensação de intransponibilidade naquele local, mas, como sentir isso, se havia apenas um porteira e palanques vazios não cercados ?

Com o coração ao pulos aproximei-me daquele grande portão de madeira e notei que não havia tranca sequer.

Sentia que deveria entrar, passar por ali, SÓ QUE havia algo de enigmático naquele local que causava-me mêdo e ansiedade.

Não havia mêdo pelo que poderia encontrar ali, mas sentia um grande temor em não conseguir transpor aquela barreira intrusa,…

E com o coração ainda batendoforte, lancei uma prece ao Universo pedindo para ser aceito naquele lugar.

Necessitava seguir…

Saber quem habitava ali…


Conhecer quem me esperava..


Aproximei-me, e o portão logo abriu-se sem te-lo tocado, e atrás de mim senti uma leve brisa impelindo-me a seguir.

Voltei-me por instantes e esta acariciou-me o lado esquerdo do rosto fazendo-me arrepiar, esquecer quem eu era e tudo mais com tão maravilhosa sensação.

Com lágrimas inundando-me os olhos e uma total leveza no corpo, notei que tudo brilhava à minha volta. .

E vi-me também envolto naquela radiante manta….


Não sei quanto tempo fiquei a contemplar toda aquela Magia.


Num passe rápido, não mais haviam cercas nem porteira de madeira…

Apenas um caminho a seguir.


Pus-me então caminhar por aquela estrada cujo barro já estava sêco.


Deparei-me logo com longas pilhas de telhas de barro numa altura de 2 metros.

Telhas usadas que impediam-me de seguir adiante.


Consultei meu sentimento e este inspirou-me a transpo-las vagarosamente usando muita observação e sensibilidade no coração.

Assim fiz, subi naqueles acúmulos..


Ao transpor a carreira inicial de telhas, observei que estas, elaboradas em barro grosseiro, estavam sujas, envelhecidas, com aparência putrefata e triste .

Pensei: – “Apesar da leveza que estou sentindo, qualquer peso que reste, ao pisar, poderia ocorrer quebras”!

Mas, isto não aconteceu , e senti que deveria seguir pisando-as.

Até parecia que aquelas tôscas e apodrecidas telhas desejavam que fizesse isso…

Consultei o coração e percebi que estas tristes coberturas deram abrigo a sêres de extrema pobreza de espírito, com muita amargura e infelicidade no coração, por isso apresentavam esta aparência tosca e primitiva.

E na medida que seguia, por pensamento escutei velhas histórias contadas pelas velhas telhas.

Histórias que não desejava ouvir .

Histórias de lamento, choro e muita solidão.

Histórias que enchiam minha alma de pena.

Histórias que deixavam muita tristeza no coração.


Aquelas miseráveis telhas queimavam e meus pés pareciam estar pisando em brasas, tamanha a quentura que emanavam.

Mas todo este terrível calor desaparecia a cada passo dado adiante e ao olhar para trás notava que aquelas antes tôscas, e velhas feias telhas de barro ruim, tornavam-se agora novas e de barro bom.

Mágicas telhas novinhas para uma nova e linda moradia…

Desci, finalmente daquele monte transformado e de alma feliz, e segui adiante.


Logo adianta deparei-me com uma nova pilha e novamente subi.


Era um monte de telhas bem maior, de barro bom, com uma leve pelicula como cobertura.

Eu deveria admirar-me com a beleza daquelas lindas coberturas.

Observei a sua textura e percebi que eram duras como rocha, mas notei, entretanto que eram frias como a neve e imediatamente senti meus pés gelarem.

Aquela frieza causou-me aflição.

A cada pisada, meus quentes pés gelavam gradativamente e pareciam sucumbir.

Então parei, e voltei o pensamento para o coração tentando entender o que estava sentindo por aquelas lindas telhas…

Não consegui, por pensamento ouvir nenhuma história ali, uma mudez total.

Senti, então, que aquele gêlo era fruto da indiferença.

Entendi, que aquela algidez nos pés, era devido àquela película que isolava e não deixava revelar o verdadeiro sentimento , representava o isolamento a indiferença e ausência de sentimento daqueles que viveram sob aquele teto.

Entretanto, debaixo daquela frieza irradiava uma imensa energia revelando sêres de imensa doçura e bondade, porém alheios a verdade e vivendo um mundo só dêles, desprovidos de quaisquer sentimentos de solidariedade.

Fechei os olhos, imaginando todos aqueles que viveram sob aquelas lindas e frias telhas, incluindo-os numa imensa corrente de humildade, fraternidade e amor.


Como num passe de mágica, e como se raios do sol os atingissem , meus pés começaram a aquecer-se e a cada passo dado, não mais sentia a frigidez daquelas pobres telhas.mi

E ao olhá-las notei que aquela película protetora não mais existia, e aquelas telhas, desta vez sem falsas aparências estavam prontas para cobrir uma nova e verdadeira moradia…

Minha alma transbordava de felicidade, ao olhar para aquelas telhas novinhas, de barro bom e sem película isoladora, que pareciam saudar-me.

Desci daquele monte agora aquecido e segui em frente.

Encontrei nova pilha de telhas. Eram feitas em barro bom, com uma camada de proteção cozida na mesma têmpera e de boa procedência. Ao invés de subir neste novo monte, por pensamento foi –me sugerido entrar dentro dêle através de uma brecha, como numa caverna.

Mas ali não havia escuridão e sim um ambiente amplo e bem iluminadao.

Notei que realmente ali era como uma uma imensa caverna, um templo, com muitos pilares de sustentação, todos formados por boas telhas de todos os tipos e textura, que emanavam muita energia.

Maravilhado, vi muitos e todos os tipos de telhas: – Maiores, menores, e de todas a dimensões possíveis e imagináveis.

Tinha até telhas simbolizando as cores do Taj-ma-hal em tons de mármore branco, mas que assumiam tons em rosa na medida que a iluminação mudava.

Haviam, entretanto, telhas empilhadas em diversos cantos abandonadas pobremente naquele templo.

Consultei novamente o sentimento e notei que estas emanavam muita energia boa, mas eram possuidoras de uma aparência triste causada pelo abandono e pela aparente inutilidade.

Apanhei algumas e notei que eram imperfeitas se comparadas aos padrões, dimensões e arquitetura das demais. Estavam lá, empilhadas pelos cantos como estorvo, não utilizadas, intocadas. Senti, que para as demais e perfeitas telhas, estas imperfeitas eram discriminadas, desnecessárias, descartáveis , inúteis.

Toquei-as e senti que a energia que emanavam era imensa. Aquele bom calor aquecia meu coração fazendo-o transbordarde alegria e emoção.

Quanta coisa boa vinha de lá…

Senti que as demais telhas perfeitas estranhavam a minha especial atenção e interêsse por aquelas abandonadas e “inúteis” telhas empilhadas pelos cantos.

Por breve instantes julguei-as más, impertinentes e egoístas, porque julgavam-se superior aquelas que não serviam para cobrir telhados.

Logo, logo, então, refleti que esta rejeição estava na ignorância do seu fabricante e montador ao torná-las inúteis.

Fechei os olhos e imaginei as imperfeitas telhas ao lado das “perfeitas”habitando o mesmo ambiente e aconchego.

Neste momento, aquelas perfeitas telhas ao meu redor também sonharam o mesmo sonho meu .

E, num passe de mágica, as imperfeitas telhas não mais estavam empilhadas naqueles lúgubres cantos do abandono.

Meu coração novamente transbordava de emoção ao ver aqueles mesmos como iguais:


-“Telhas <perfeitas> cobriam e sustentavam aquela caverna e as <imperfeitas> ornamentavam gerando muito encanto em lindos e multicoloridos vasos de flores e muitas lanternas de luz, transformando e tornando maravilhoso aquele imenso templo.” !

Notei, coisa que não tinha observado até então, que aquelas telhas perfeitas e aquelas consideradas agora especiais, possuiam lindos rostos humanos entalhados no seu centro. Nêles havia um sorriso de bondade e em

seus olhos vertiam lágrimas de brilhante felicidade.

Ao afastar-me deles, notei uma forte emanação, como se fumaça fosse, um imenso pilar de luz ligado ao Universo.

Sai daquele templo de telhas e segui até …

Encontrar um novo e fulgurante monte de telhas levemente esverdeados, cor de erva~mate.

Sentia um leve aroma de chimarrão à medida que me aproximava daqueles tetos empilhados sem quaiquer cuidado

Eu conhecia aquelas telhas, meu triste coração dizia que elas não deveriam estar ali, mas no solar em pé, na rua Tnte. Max Wolff Filho, 439 na cidade de São Maeus do Sul como patrimõnio histórico construído nos anos 20 do século XX num período de abundância na exportação de erva-mate,período de muit riqueza local…

Minha família, minha história de vida, estava armazenada naquelas telhas!

Subindo naquele monte, notei que já não mais pisava em telhas, mas em fotografias de todos os tamanhos, contando-me a história da família Guimarães em quatro gerações em preto e branco e a cores…

Enquando passava por aquela imensidão de fotografias, quadros e retratos, apanho uma especial com o tio Leonício com um violão cor de jade que era da vó Hilda. Imediatamente vejo-me transportado no espaço-tempo para:o distante ano de 1964, num sábado, eu estava lá nos meus memoráveis treze anos na captura da imagem pela Rolley Flex do meu pai, na varandola do Solar dos Guimarães.

O fotógrafo focava o principalmente o violeiro, que no momento cantarolava modas sertanejas acompanhado do belo violão. Ao lado dele mais ao fundo à esquerda estava o vô Simplício, que logo após o banho, sentava-se no seu tradicional banquinho. Naquele momento brincava com a prima Ceni ainda criança, tendo ao fundo como paisagem a casa do seu Faty Kaminsky.

Enquanto viajava no tempo com todas aquelas lembranças vi-me transportado para dentro da vibração das cordas daquele fabuloso violão, cujas notas entoavam uma moda de viola” Linha de Frente” de Tião Carrero e Pardinho, que cantava assim:

” Pra cantar pagode eu tirei patente
Meu peito é bom e eu sou competente
Eu não tomo toddy e nem ovo quente
Morra meu passado viva o presente
Que o meu futuro está pela frente…”

Ainda de olhos fechados, no mesmo instante notei que aquelas cordas de aço já não vibravam sob o ritmo cateretê, mas ao som de um outro ritmo, e quem estava agora ao violão não era mais o tio Leonício mas sim a vó Hilda que dedilhava uma linda valsa brasileira, Branca.

Embalado por aquelas ondas sonoras transportei-me desta vez aos anos 20 para Rio Negro, uma cidade não muito longe dali, onde vislumbrei uma jovem professora sendo conduzida em sua carruagem, por um jovem cocheiro.

Seu nome era Hilda e, no momento retornava da escola em que lecionava, numa breve parada próximo á praça principal, um jovem elegante aproxima-se da charrete, cumprimenta-a e inicia as devidas apresentações. Entretanto a jovem, sem o menor intenção de dar atenção ao elegante interlocutor, pede para o cocheiro acionar os cavalos e sair no mesmo instante dali.

Numa rápida e inesperada e brusca ação o galante interlocutor bruscamente resolve tomar as rédeas do jovem cocheiro e esperar que a senhorita respondesse, cuja resposta que teve foi de uma rápida e breve chicotada, partindo em seguida.

E assim, desta maneira tão singular começou o namoro de Hilda e Simplício, que logo casaram foram morar em São Mateus do Sul inicialmente na Fazenda do bisavô Francisco no Potynga, onde minha mãe Linnéa nasceu, e depois no Solar dos Guimarães, doada para meu avõ Simplício na cidade,cuja construção já havia sido concluída e no início dos anos 30.

O Solar dos Guimarães construído na década de 1930 foi a primeira casa em alvenaria da cidade, cuja construção era reflexo da pujança da era do mate, que era a riqueza principal da cidade, considerada à época como Terra do Mate, com movimento intenso de navios no seu porto levando a erva mate para todos os cantos do mundo…

Despedi-me daquelas lembranças familiares e segui adiante pela estrada onde, após alguns passos, vi-me ao lado de uma pequena cabana feita em tábuas de todos os tamanhos e proporcões, toda pintada numa mesclagem única.

Realmente não haviam tábuas iguais e a pintura era uma só cor, no telhado havia cobertura de telhas perfeitas

e imperfeitas, e dentro, muitos vasos de flôres e lampiões feitos com telhas especiais que davam muita vida e luz aquela humilde choupana.

Fui recebido por um senhor não muito idoso, ou seja, nem muito novo, nem muito velho. Com os braço abertos em sinal fraterno, carinhosamente, fez-me entrar.

Falava comigo por pensamento num dialeto que eu desconhecia, entretanto, numa tradução instantanea, fazendo-se entender, apresentou-se a mim como “montador de telhados”.

Com um único gesto, chamou-me próximo à janela e mostrou-me um terreno ao lado com um imenso barracão industrial, rodeado de uma grande cerca com arames farpados totalmente eletrificada, e vigiado por muitos e ferozes cães com suas afiadas mandíbulas.

Ao fundo e ao lado deste barracão e em quase todo o terreno., haviam imensas pilhas de telhas velha e novas, ao relento. Telhas tristes e aprisionadas como se almas ainda tivessem, mas que não mais lhe pertencessem…

Ainda sem falar uma única palavra., e só por pensamento, considerou-me que o dono daquela área toda cercada era alguém muito poderoso, que possuia muitas e muitas telhas, aprisionava-as e as destruia, sem construir um único telhado para abrigo. Tinha-as pelo tempo que desejasse e delas era senhor, com o poder da destruição quando bem desejasse.

Tomado pela emoção, o Montador de Telhados fitou-me profundamente e, meus olhos viram brotar dos seus duas lágrimas que rolaram pelo rosto

Agora, debruçado ao parapeito da janela daquela cabana contou-me toda sua história de vida como montador de telhados e meu coração sentia um pedaço de alma e história de vida a cada telha retirada.

História real a cada telha retirada, que contava a alegria das festanças da fartura, a sensualidade, a felicidade das núpcias, o aconchego dos filhos, o andar rápido da vida e o passo vagaroso da velhice.

Também histórias tristes com a infelicidade da separação, vícios e morte.

Histórias de ventos, vendavais e a tristeza da estiagem.

Sua alma estava repleta de histórias contadas pelas telhas e em todas pude entender que a linha tênue que separa a felicidade do infortúnio é a a mesma que acorrenta o amor…

O som da sua voz no meu pensamento era muito suave e as palavras eram constantes com pequenas pausas.

Pausas que traziam momentos de profunda reflexão em minha alma. E vi que seu maior sonho era construir muitos telhados com aquelas telhas ali aprisionadas no terreno ao lado.

Dizia-me, que aquelas subjugadas telhas eram boas, mas venderam-se em troca de vantagens, e a partir daí nunca mais foram donas de si, e ficaram aprisionadas infinitamente por aquela cerca e vigiadas por ferozes cães.

Novamente consultei o sentimento, fechando os olhos, mentalizando aquelas infelizes telhas prisioneiras, e percebi horrorizado que a energia que eletrificava aquela imensa cerca e a comida que alimentava aqueles ferozes cães, era fornecida por nós mesmos, em cada mentira, cada blasfêmia, pela corrupção, pelas discriminações, pela arrogância e principalmente pela mentira e pela vaidade!


Logo, após isso, saí daquela pequena e aconchegante cabana, vi-me transportado para um imenso estádio, totalmente lotado.

Sem dizer uma única palavra e apenas por pensamento ali falava o Grande Montador de Telhados para aquela imensa platéia!

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“O espírito ‘a vida que sacrifica a própria vida”.

Ivan Carlos Guimarães Guedes

10-07-2023

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