Araldo Neves de Souza
Este cidadão Araldo Neves de Souza ,são-mateuense nascido “nos matos” passou a vida toda enferruscado. Tinha lá suas qualidades. Extremamente metódico, odiava polacos a estes se referindo frequentemente como jaguaras.
Casou-se com dona Maria Farias, irmã de Jorge Farias, pai do Jorginho e da Vilma.
Dona Maria, na definição de meu pai, era a mulher mais feia de São Mateus.
Araldo era primo de Mário Furtado Neves, meu sogro. Os dois se davam muito bem, ambos rabugentos.
Araldo passou profissionalmente a vida como gerente da Cooperativa dos Produtores de Mate, ao lado do contador Jorge Maciel e Silva, pai do Gastão e do Jorginho.
Quando se aposentou, recolheu-se em casa ao lado de dona Maria e Nadir, a filha adotiva.
Esta, mirradinha e impertinente, deu muito trabalho para educar. Quando fez 17 anos foi seduzida e fugiu com uum peão de obra, da STOP, empreiteira da SIX. Naquele tempo dizia-se que foi “desencabeçada”, eufemismo para descabaçada.
Quando deu por falta dela, num fim de ano de 1978, ligou para mim no telefone 32-5375, pois já casado com Marly, prima dele em 2o.grau, fazía-nos seguidas visitas.
Estava desesperado com o desaparecimento da filha Nadir. Textualmente falou “preciso que venha aqui em casa, certos assuntos não podem ser tratados por telefone”.
Lá fomos nós, Marly e eu, saber do que se tratava. Tentamos consolar o casal, falamos as generalidades de ocasião, e ficou por isso mesmo. Semanas depois, ela foi localizada ,ou fez contato, em São Paulo, num hotel no centro.
Voltou arrependida e perdoada. Mas meses mais tarde casou-se com o sedutor e – pasmem – está casada até hoje com ele, tiveram dois filhos, que foram criados muito bem, estudaram, se formaram e deu tudo certo.
Nadir, enquanto criança e adolescente, foi uma peste de criatura. Entretanto, com a morte de dona Maria, cuidou perfeitamente do pai adotivo, dinamizou a casa reformando-a e alugando para comércio e ela própria iniciou-se como administradora de muito sucesso em Sáo Mateus.
Quando Araldo morreu, Nadir mudou-se para Curitiba para atender os filhos até a maturidade.
Mas voltando ao Araldo, um sujeito turrão, crítico de tudo e de todos, só tinha atenção e cuidados para nós.
Ajudou muito na reorganização dos assuntos de Mário Neves quando este faleceu precocemente aos 49 anos, deixando a esposa e duas filhas a ver navios, com dívidas e seum perspectivas.
Marly tem uma consideração especial por ele e dona Maria.
Mas era e sempre foi um véio chato e maníaco, para quem ninguém prestava.