Há mais de dois anos participo das sessões de meditação todas as terças-feiras e de quinta a domingo com o pessoal de Viamão via zoom e se vendo nos quadradinhos da tela do smartphone. É um grupo variado, entre velhotes, mocitas, senhôras, cavalheiros fluidos, senhores sisudos, outros nem tanto, alguns fala-fina. Um saco de gatos.
A rotina é trinta minutos em silêncio, seguido de umas recitações e uma leitura de um texto adrede divulgado. Esse intervalo é sempre tenso, onde o Sensei convida dois voluntários para fazer a leitura.
Para não demorar ou constranger, sempre me ofereço para tal mister. Alguns praticantes nunca o fazem. Tio JG é um deles. Com o agravante de debochar do meu sotaque.
Ontem o texto era do monge vietnamita Thich Nhat Hanh.
Começa por aí. Cada um lê de um jeito e saem “Tite era anão” “Tite na mão” “Xixi aí não” e outras interpretações ao bel-prazer.
Para complicar ainda mais, o autor citava O Estrangeiro, de Albert Camus, e o personagem Mersault.
Caprichei no francês pronunciando Albér Cami e Mersô.
Já a segunda leitora não titubeou e mandou um camús e mersalte, alto e bom som.
Ri sozinho graças à câmera e microfone desligados. Um perigo, se você não prestar atenção aos desenhinhos que indicam o mudo e sem imagem.
Hoje é isso. Eu achei graça em tudo e escrevi. Você, não sei.