Quarta-feira de Cinzas

8h- fisioterapia. Ida e volta de ônibus.

Na volta, uma senhora atrás de mim, com sotaque hispânico, pergunta como consegui o cartão de idoso.

Expliquei, forneci o endereço, ela usou o celular para copiar a página do meu.

Tudo certo, me agradeceu, desembarquei.

E fiquei matutando se não era parte de algum golpe novo. Andamos tão desconfiados uns dos outros que imã pergunta de desconhecido – ali o estereótipo da senhorinha que não sabe isso ou aquilo – já acende o alerta.

Desencanei da história até que, agora à tarde, o celular não estava funcionando direito, sem aceitar a digital ou acessar um aplicativo e nem conseguia desligar.

Após umas tentativas consegui desligar, reiniciar e voltar todos os comandos.

Saindo desse assunto: treino de musculação cancelado porque o treinador tirou licença-saúde para check-up.

Passei a tarde em casa distraído na TV enquanto as irmãs foram ao apartamento lidar no fogão. Dona R fez sonhos de goiabada assados e pão de chia.

A irmã, contou-me Dona R, não tocou nos sonhos. Preferiu pão.

Quando voltaram, trazidas pela filha, perguntei à 02 “Tomou café?”

A resposta “tomei café com bolinhos…”

Bolinhos?

Ela respode qualquer coisa.

19h- missa de sétimo dia, a terceira que vou em 1 mês e meio.

Cerimônia de Quarta-feira de Cinzas. Um sinal da cruz na testa, com cinza.

Cumprimentamos a viúva, nossa amiga, devastada pela dor da perda do companheiro.

A 02 não quis ir conosco. É a terceira vez que refuga, logo ela sempre devota. Muito estranho o comportamento dela ultimamente.

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