Quieto em casa, meditação, descanso, reinando o dia inteiro com o violino.
Liguei para os irmãos e a 02 para tirá-la do marasmo. De manhã, pós-café, vejo-a pela câmera, numa posição nunca vista nesses 50 anos que a conheço. De uns dias para cá temos observado sentar-se numa cadeira, e abraçando as pernas recolhidas, tipicamente fetal, sinônimo de desamparo.
Imediatamente telefonei, para tirá-la desse torpor, falando sobre o imposto de renda, IPTU, o clima, os preços, conversa vai, conversa vem.
Na meditação das dez horas, ao término, os tradicionais comentários da semana.
Mas uma notícia trágica: uma jovem praticante de nosso grupo, uma menina negra e de orçamento apertado, bióloga formada na Unicamp, cometeu suicídio, vítima de uma profunda depressão.
Difícil de acreditar que Bárbara sempre risonha e que a cada encontro não deixava de dizer a todos nós “posso te dar um abraço?” decidiu tirar a própria vida.