Aproveitei a manhã quieta e sem movimento para levar a irmã de dona Y ao caixa eletrônico e validar o uso do aplicativo. Deu um trabalhão porque, assustada como só, não acerta nem a digital tamanha é a indecisão e tremedeira no momento de acionar as teclas.
Foi preciso repetir quatro ou cinco vezes a sequência, que não ia adiante de jeito nenhum.
Não está fácil esta parada. O progresso é nulo. O medo e a insegurança transformam uma pessoa num ser dependente e frágil, facílimo de lograr. Calculem alguém com índole perversa: teria raspado esta conta em segundos.
É o que acontece com avós, madrinhas, tias – indefesas e inocentes, são vítimas dos mais novos, que as levam na conversa.
Tentei convencê-la a aplicar suas economias que deixa sobrando na conta corrente. Este é o perigo maior nas contas e cartões clonados: o acesso a valores líquidos. Quando aplicados, dificultam os golpes.
Terminei de explicar e ela faz um saque. Nem quis ver quanto para não me preocupar mais ainda.
O que faz uma pessoa que não tem onde gastar e não vai a lugar nenhum ter esse gesto de andar com dinheiro no bolso?
Dia nublado, abafado, 32oC, pouco agradável. Mas é um dia vivo e isso basta.
Liguei para os irmãos 1,2, 3 e 4 atualizando as conversas. Tudo certo. E amanhã já é fevereiro.
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