Domingo, 29

A história da missa de ontem: fiquei intrigado com a celebração, nada a lembrar uma cerimônia de sétimo dia.

Para começar, uma missa campal no estacionamento do Salão Paroquial. Tudo bem, compreensível em época de pandemia.

Mas daí a maioria ficar dentro dos carros como se fosse um cinema drive-in vai uma distância enorme.

Havia cadeiras em semi-círculo também, onde me acomodei com dona S, sob um sol de lascar.

Compatível com o convite, fui de roupa social discreta, em mangas compridas.

Não fui o que vi, com cavalheiros de bermudas e outras barbaridades.

Ao par de todos estarem com máscaras, não reconheci nenhum antigo colega nem os familiares do finado.

A exuberância do celebrante e seus avisos administrativos foram a pá de cal na cerimônia que se pretendia triste ou, pelo menos, contida.

Saí com a sensação de ter participado de uma reunião de condomínio.

Talvez esteja eu saudosista do tempo de Samas e sua religiosidade solene.

Ontem o que vi foi a mistura do sagrado com o profano, com dez a zero para este último.

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