Com meus hóspedes habituais de fim de semana em casa, abstenho-me de levantar cedo e preparar o café. Deixo para ela fazer, porque arruma a mesa grande, desloca tudo para a sala e organiza a seu alvedrio. Prefiro a mesa pequena da cozinha, com simplicidade.
Logo eles saem para seus compromissos. Detenho-me a ver o jogo das 7h, tomo meu café simples e saio para a caminhada habitual, agora que estou proibido de correr devido aos meus aiaiais sem fim.
Já na esquina de casa deparo-me com mais um sujeito a dormir na calçada, completamente embrulhado. Não dá para saber se vivo ou morto. A vizinha comenta que é um homem, deitado ali desde as três da tarde de ontem. Passou a noite nesse frio…
Já avisou o SOS mas deram-lhe umas explicações vagas e ficou por isso mesmo.
Continuo meu caminho, fazendo 2,5km andando firme. Na volta, observo um sujeito atravessando a avenida com cobertores e uma espuma de colchão debaixo dos braços. Trajando camisa xadrez de manga comprida, calça limpa e sapatos, cabelo cortado rente, sem desleixo.
Encontro novamente a vizinha, varrendo a calçada e espiando o cidadão que anda rapidamente embora. Contou-me que deu-lhe café, pão, ovo frito e ofereceu pagamento para que cortasse os matinhos da calçada. O sujeito nem agradeceu, tratou de guardar os pertences e se mandar, não sem antes justificar que, às voltas com drogas, padecia de depressão e outros problemas.
Ela retorquiu que o trabalho ajuda a espantar a depressão e bla, blá, blá… mas só conseguiu que ele passasse a mão nos bachêros e “puxasse o carro”.
É isso, cada um sabe de si. Quem vive nas ruas tem outras regras e percepções. Cada um com a sua e a “comadre co’a dela”, já dizia meu finado pai.
No mais, assistir aos jogos na TV e lá se vai o sábado…