Terça-feira, 5

Há dois anos, num domingo triste, frio e chuvoso, minha cunhada morreu. Aos 65 anos, depois de um longo sofrimento, foi-se sem perceber. Como justificamo-nos habitualmente : descansou. Sim e também seu marido, devastado pelo sofrimento da perda, pelo cansaço da luta de anos, pela desesperança.

Assim é a vida : a morte leva embora cada um de nós. Só não sabemos a data. Penso nisso e me arrepio todos os dias. Sempre me pego fazendo essas contas : foram tantos anos, logo sobram-me apenas alguns.

Quando noto, mudo de pensamento e me lembro dos meus netos queridos, com toda a vida pela frente.

Hoje, fomos ela e eu à ginástica das sete e meia. Para minha surpresa, resolveu me acompanhar, apesar do frio e ameaço de chuva. Mas deu tudo certo, indo e voltando “degavar”, como falam meus conhecidos do interior do Paraná.

Na sequência, fisioterapia e musculação. Voltei para casa passado das onze, em cima da hora do mate. E ainda tenho outro compromisso hoje, às quatro da tarde, com as agulhas a me espetar em mais uma sessão de acupuntura. Pretendo encerrá-las hoje para, amanhã, começar alguns exercícios aeróbios mais vigorosos.

Estava agora há pouco assistindo no YouTube a postagem de um amigo na Maratona do Rio, de domingo passado. Ele faz as provas sempre carregando uma mini-câmera GoPro, a registrar as curiosidades. Desta vez sofreu bastante com o calor e a decepção de ter feito um tempo longo, pois precisou andar. Pretendia, assegurou, fazer 4h15 mas terminou sofrendo com 4h55. Ao final, emocionado, em lágrimas, explicava o acontecido.

Pensei cá com meus botões, zíperes e velcros : como chora esse rapagão, sempre termina as provas fazendo beicinho. Até hoje em minhas 137 provas concluídas nunca derramei uma lágrima. Sempre que as terminei fiquei muito feliz. Tudo bem, cada um sabe onde lhe aperta o calo.

Mas é um grande amigo, gentil e educado. Gosto muito dele. Mas precisa chorar sempre?

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