Domingo, 04

Domingo quieto, chuvoso, em casa. Saí para comprar o almoço enquanto M cuida do pequeno, com troca de fraldas e alimentá-lo. Está muito “espoleta”, manhoso, mexedor nas portas de armário e gavetas que alcança. O que pode e pega, faz voar longe. A mãe dele aperta o bichinho e solta uns “nãos” fortes. Quando ela não está por perto, ele aproveita. Hoje o casal saiu cedo para organizar um evento especial de nutrição na academia. Ainda não voltaram, são 16h25. Botei o danado à força no berço, esperneou e bufou dois minutos mas logo apagou. Não gosto de fazer assim, mas é o costume da casa : chegou a hora marcada, coloca o guri no berço com os bichos de pelúcia e chupeta, fecha a porta e deixe que grite.

Tratei dos cães e gato, organizei meus escritos e contas, terminei o relatório para o treinador. Agora, vou continuar minhas leituras. Agora com “Fantasma sai de cena”, de Philip Roth, um dos meus autores americanos favoritos, ao lado de John Cheever, Raymond Carver, John Fante e Charles Bukowski. Esta é a resenha do livro mencionado :

Nathan Zuckerman – protagonista de diversos romances de Philip Roth – está de volta, possivelmente pela última vez. Velho, há anos vivendo no interior da Nova Inglaterra, Zuckerman vai a Nova York para uma consulta médica, decidido a tentar uma intervenção cirúrgica que poderá resolver tanto sua incontinência urinária como sua impotência. Em Manhattan, o escritor reencontra Amy Bellette, mulher que o atraíra quase cinqüenta anos antes, agora idosa e doente; trava contato com Billy e Jamie, jovem casal interessado em trocar de residência com ele por um ano; e conhece um investigador literário que pretende escrever a biografia de E. I. Lonoff, contista que Zuckerman idolatrava quando jovem e que, em seus últimos anos, viveu com Amy Bellette. Determinado a impedir que o biógrafo de Lonoff leve a cabo seu projeto, o qual implicará a divulgação de um segredo mantido oculto por Lonoff e Amy por todos esses anos, Zuckerman decide permanecer em Nova York; ao mesmo tempo, porém, constata que, por absurdo que pareça, está completamente apaixonado por Jamie, quarenta anos mais moça do que ele, e que precisa desfazer o plano de troca de casas para que ela permaneça na cidade. Dividido entre suas maiores paixões, as mulheres e a literatura, em poucos dias Zuckerman dá por si imerso num mundo de desejos e intrigas que imaginava ter abandonado para sempre.

Em Fantasma sai de cena , Roth volta aos temas da velhice e da proximidade da morte, tratados em O animal agonizante e Homem comum . Aqui, a ênfase recai no conflito entre a decadência física e mental causada pela idade e a intensidade do desejo, cuja força avassaladora e irracional permanece intacta; tal como – reforçando o paralelo entre criador e criatura – o vigor narrativo e a inteligência analítica de Roth, que continuam mais afiados do que nunca.

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