Histórias…

Sexta-feira para lá e para cá, no ônibus expresso. Espio o Passeio, Correio, a 7 de Setembro, o Positivo, palcos de boas lembranças.

Fico até o meio-dia em casa do irmão, na  travessa Raphael Grecca. Tomando mate, conversando minimamente pois tem dificuldade até nisso : devagar, som baixo, poucas palavras, o retrato da decadência. Continua em sofrimento pela perda há 7 meses da companhia de 49 anos. Ficamos nessas e outras histórias até o meio-dia, quando retorno à Bento Vianna para almoçar ali perto com o outro irmão. Mas às 14h já voltamos agora juntos para levá-lo no passeio predileto, em Campo Comprido na capelinha de N.Sra. de Schoenstatt. Dali para a Água Verde, onde faz compras e voltamos para o café da tarde em casa, com bolinho da graxa. Calor forte. Continuamos a conversa, agora também na companhia de Graça, até as 6 da tarde, quando no despedimos e volto ao Passeio Público para tomar mate com a cunhada. De lá saio às 8 da noite. Mais busão, mais lembranças, mais conversas até meia-noite. Ainda ligo para casa, leio e me acomodo.

Sábado – acordo mais tarde, às 8h. Só um cafezinho e retorno para a cunhada, levando um saco de erva-mate de 5kg, para ali guardar em futuro despacho para o guri em Florianópolis. Compro mel na feira do Passeio, tomo mate, conto umas histórias e me despeço pois domingo “ergo o charque” para casa. Mágico momento.

Ao meio-dia, continuo o mate com o irmão LA e almoço com ele em sua casa. Estou exausto, muito calor. Descanso e me apronto para voltar a estação D.Pedro, com vistas a irmos à missa das 17h30, na capelinha ali perto. Ajudo-o a se trocar. Vestir-se é um desafio, os braços não se erguem, as pernas não se dobram, mas com jeito vai. É o momento mais esperado por este irmão, quando me pede para escrever a intenção na entrada da igreja. Pelo caminho vai encontrando seus conhecidos de paróquia, que o cumprimentam. Tem dificuldade para entender e responder. Terminada a missa, voltamos devagarinho apesar do calor intenso. LA já nos espera para irmos ao Uberaba em visita à minha sobrinha e afilhada, filha deste João.

As crianças – dois meninos, de 9 e 5 anos – gostam quando chego pois sempre lhes levo 50 reais para cada. Dou um cheque para esta afilhada – Giovana, segunda filha de meu irmão – é o meu presente habitual, sempre bem recebido. Ali ficamos até 9 da noite. No retorno, organizo minha bagagem porque pretendo sair bem cedo de casa. O avião parte às 10h38 mas prefiro esperar no aeroporto.

Sono agitado, durmo mal e tarde, são muitas vivências a me sacudir. Mas acordo bem disposto às 5h45, muito antes do despertador. Logo que o dia clareia, saio silenciosamente, deixando um bilhete e mais um cheque para o filho mais velho de Graça, que está recomeçando em Curitiba, vindo de estudos no exterior com mulher e filho pequeno, emprego novo. Todos nós, irmãos, temos conosco este costume de “dar um dinheirinho” para os sobrinhos. Os meus ganham, eu retribuo  também. E segue o baile…

Vem o “Santa Cândida”, embarco e desço no Shopping Estação. Sigo a pé até a Mariano Torres e logo aparece o busão cinzento rumo ao aeroporto. Dia bonito que nasce, sol entre nuvens, céu vermelho. Na mala, um pacote com bolo de bolacha que LA sempre faz : aquele de biscoito maizena com chocolate e óleo de coco, mais um vidro de doce de laranja azeda feito na Colônia Iguaçu. Na Livraria Saraiva compro canetas esferográficas, trident, uma agenda 2017 e mais um livro Ulisses, de James Joyce.

Percebo que estou ainda em jejum, compro um sanduba e café com leite e mais um café preto. Às 10h15 começa a chamada. O atendente me olha e me chama para o início da fila : minha cara de velho garante embarque prioritário.

Viagem tranquila, pouco mais de meia hora, logo desço em Cumbica. Alguns minutos do meio-dia, o suficiente para perder o embarque para Campinas. Agora vou esperar o busão das 14h, a 34 reais. A fome aperta, o tempo sobra. Compro pizza e suco-detox, uma água verde e azeda. Chego em Campinas às 15h30, onde M me espera de carro. Volto para minha casa, meus assuntos, o calor, minhas manias. Tudo normal neste domingo. Deixo para trás os irmãos velhuscos, animados e desanimados, cada um com suas histórias e seus aiaiais.

Escrevi bastante agora, aproveitando que M foi ao supermercado aqui perto, às voltas com a chegada hoje da cunhada, ali pelas 6 da tarde, onde vem tratar do visto americano. Mas essa é outra história, que conto daqui para frente.

 

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